Câncer raro cresce entre jovens e intriga cientistas

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Casos de câncer de apêndice têm aumentado entre Millennials e geração X, e especialistas ainda tentam entender o motivo. O avanço chama atenção porque, historicamente, a doença era mais comum em idosos.

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Pesquisas recentes nos Estados Unidos mostram que adultos mais jovens têm hoje até quatro vezes mais chances de receber esse diagnóstico em comparação com gerações anteriores. E o aumento já preocupa médicos e pesquisadores, afirma o ScienceAlert.

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O câncer de apêndice ainda é raro, mas já preocupa médicos pelo aumento acelerado entre pessoas com menos de 50 anos. Imagem: Panuwat Dangsungnoen/iStock

Câncer raro, mas em crescimento

A pesquisa mais recente da epidemiologista e bióloga molecular Andreana Holowatyj, da Universidade Vanderbilt, e sua equipe, publicada nos Annals of Internal Medicine, aponta que os casos triplicaram entre americanos nascidos entre 1976 e 1984, em comparação com os nascidos entre 1941 e 1949. Para os nascidos entre 1981 e 1989, os casos quadruplicaram.

Apesar do crescimento, a doença permanece rara: são cerca de 3.000 casos por ano nos EUA. Para efeito de comparação, os cânceres colorretais atingem aproximadamente 150.000 pessoas por ano no mesmo país. Essa diferença de escala contribui para que o câncer de apêndice receba menos atenção em pesquisas e campanhas de conscientização. Atualmente, não existem diretrizes padronizadas de rastreamento para a doença, e as opções de tratamento disponíveis são limitadas.

Os números continuam subindo nas gerações mais novas:

  • Casos triplicaram entre pessoas nascidas entre 1976 e 1984;
  • Entre os nascidos de 1981 a 1989, os diagnósticos quadruplicaram;
  • Hoje, jovens adultos aparecem com mais frequência entre os pacientes;
  • Especialistas ainda não sabem exatamente o que está causando o aumento.
Homem segurando barriga por conta de dor de prisão de ventre
A doença pode ser confundida com hérnias, cistos ou até problemas digestivos comuns do dia a dia. Imagem: Prostock-studio/Shutterstock

Diagnóstico difícil, sinais confusos

Os sintomas, dor abdominal, inchaço e dor pélvica, se confundem facilmente com condições muito mais comuns, como problemas digestivos ou câncer colorretal. Em mulheres, o tumor pode ser confundido com lesões endometriais. Em outros casos, a doença se apresenta de forma semelhante a hérnias, fibroides ou cistos.

Holowatyj alerta que o câncer de apêndice pode passar despercebido com mais frequência à medida que o tratamento da apendicite sem cirurgia se torna mais comum — já que, em alguns casos, o tumor é descoberto justamente durante a remoção do órgão.

Os tumores apendiculares têm características moleculares diferentes dos cânceres colorretais. Eles se apresentam e se disseminam de forma diferente, não respondem à quimioterapia usada na maioria dos tumores colorretais e afetam de forma desproporcional adultos mais jovens.

Andreana Holowatyj, epidemiologista e bióloga molecular da Universidade Vanderbilt, em declaração de 2020.

Pesquisadores investigam se alimentação, poluição e até microplásticos influenciam o avanço da doença entre adultos jovens. Imagem: Creation Company/Shutterstock

O que pode estar por trás do aumento?

Os cientistas ainda não sabem por que os casos estão aumentando entre os jovens. Holowatyj e seus colegas levantam como possíveis fatores mudanças em comportamentos de saúde, como dieta e atividade física, variantes genéticas herdadas e exposições ambientais, como poluição por plásticos e produtos químicos. Alterações na qualidade da água também são apontadas como possível elemento contribuinte.

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Steven Ahrendt, oncologista cirúrgico da Universidade do Colorado que não participou das pesquisas, afirmou no ano passado não se surpreender com o aumento. “Certamente atendo pacientes na faixa dos 20 e 30 anos com tumores de apêndice avançados”, disse, comentando o estudo mais recente de Holowatyj. “Sabemos que o câncer de cólon tem aumentado em adultos jovens, então faz sentido que os mesmos fatores estejam atuando em pacientes com câncer de apêndice.”

O aumento de cânceres em pessoas com menos de 50 anos não se restringe ao apêndice. Um estudo de 2023 apontou que a taxa de diagnóstico nessa faixa etária cresceu quase 80% em três décadas. Uma revisão internacional de 2022 identificou os cânceres gastrointestinais como os de maior crescimento, com destaque para os de intestino, apêndice, ducto biliar e pâncreas. As razões para esse aumento ainda não foram estabelecidas.

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“Embora o câncer de apêndice seja raro, é importante que pessoas com esses sintomas consultem um profissional de saúde”, disse Holowatyj. “Descartar a possibilidade de um diagnóstico de câncer de apêndice, ou diagnosticá-lo precocemente, é importante enquanto continuamos a entender quais fatores podem estar contribuindo para essa tendência preocupante.”

Holowatyj e sua equipe planejam continuar investigando quem tem maior risco de desenvolver a doença e por quê.

Valdir Antonelli

Valdir Antonelli

Valdir Antonelli é jornalista com especialização em marketing digital e consumo.

Olhar Digital

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