Buracos negros podem gerar novos mundos

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Uma equipe de cientistas se viu diante de uma hipótese inesperada: milhões de planetas podem estar se formando perto de buracos negros supermassivos ativos, nas regiões conhecidas como núcleos galácticos ativos (AGN).

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Segundo a Space, esses ambientes são tão brilhantes e extremos que, até pouco tempo, pareciam improváveis para qualquer tipo de formação planetária. Ainda assim, um novo modelo computacional sugere justamente o contrário.

planetas via láctea
“Milhões de planetas podem nascer perto de buracos negros”, sugere estudo sobre núcleos galácticos ativos. Imagem: Zakharchuk – Shutterstock – Imagem: Zakharchuk – Shutterstock

O que são os núcleos galácticos ativos

Os núcleos galácticos ativos, ou AGNs, ficam no centro de algumas galáxias e são alimentados por buracos negros supermassivos. Ao redor deles, uma enorme quantidade de gás e poeira forma um disco de acreção que gira em velocidades impressionantes.

Esse movimento aquece o material a níveis extremos, fazendo com que ele emita radiação em praticamente todo o espectro eletromagnético. Em paralelo, parte dessa matéria é desviada para os polos do buraco negro e expulsa em jatos de plasma que podem viajar quase à velocidade da luz.

Na prática, trata-se de um dos ambientes mais energéticos do Universo. Em alguns casos, esses núcleos chegam a ofuscar toda a luz combinada de suas galáxias — algo que ajuda a dimensionar o cenário onde essa hipótese está sendo investigada.

O caos ao redor de buracos negros pode esconder uma verdadeira fábrica de mundos. Imagem: Buradaki – Shutterstock

Um “caos” que pode estar criando mundos

O ponto mais intrigante do estudo está no contraste. Apesar de toda a turbulência, esses discos são ricos em gás e poeira — exatamente os ingredientes usados na formação de planetas.

E é nas bordas desses discos que a história começa a ficar ainda mais interessante. Nessas regiões externas, as condições podem ser menos extremas e acabar se aproximando, de forma surpreendente, dos berçários estelares onde planetas se formam ao redor de estrelas jovens.

  • Regiões externas com maior estabilidade térmica
  • Abundância de gás e poeira disponível
  • Formação de filamentos pela instabilidade de fluxo
  • Aglomeração gradual de partículas sólidas
  • Processos que se estendem por milhões de anos

Com base nesse cenário, os pesquisadores desenvolveram uma simulação para acompanhar a evolução da poeira nessas áreas ao longo do tempo. O resultado foi inesperado até para a equipe. “Descobrimos que milhões de planetas com a massa de Júpiter podem se formar a uma distância de dezenas de parsecs [um parsec equivale a cerca de 3,3 anos-luz] de buracos negros supermassivos, que também são núcleos galácticos ativos (AGN)”, afirmou o pesquisador Bhupendra Mishra.

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Discos de buracos negros supermassivos podem estar organizando poeira e criando novos mundos. Imagem: Aurore Simonnet (SSU/EdEon)/LVK/URI – Imagem: Aurore Simonnet (SSU/EdEon)/LVK/URI

O que a simulação mostrou — e o que ainda falta entender

As simulações indicam que a poeira não se comporta de maneira totalmente caótica o tempo todo. Em certos pontos do disco, ela passa a se organizar em estruturas alongadas, chamadas filamentos, criadas por um processo conhecido como instabilidade de fluxo. Esses filamentos acabam funcionando como regiões de concentração de material, onde planetas podem começar a se formar.

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Com o passar do tempo, esses aglomerados podem dar origem a corpos gigantescos, com massa superior à de Júpiter e características extremamente intensas — a ponto de os pesquisadores os descreverem como “bolas de lava”.

“Ficamos surpresos! Isso nunca havia sido encontrado no contexto do disco de um AGN usando um modelo de instabilidade de fluxo”, disse Mishra.

Ainda há, porém, muitas lacunas nesse entendimento. As regiões periféricas desses discos seguem pouco estudadas, e isso abre espaço tanto para novas descobertas quanto para revisões do próprio modelo. Mesmo assim, a equipe acredita que esses planetas podem não apenas se formar em grande quantidade, mas também migrar ao longo do tempo para regiões mais distantes do buraco negro.

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Para tentar confirmar essa hipótese, os cientistas sugerem o uso de lentes gravitacionais como uma possível ferramenta de detecção de aglomerados desses mundos distantes. Mas eles mesmos reconhecem: encontrar esse tipo de sistema não será simples e vai depender de observações extremamente precisas. A pesquisa ainda está em fase preliminar e pode ser acessada no repositório arXiv.

Valdir Antonelli

Valdir Antonelli

Valdir Antonelli é jornalista com especialização em marketing digital e consumo.

Olhar Digital

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