Um planeta gigante sobreviveu à morte da sua estrela

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O Telescópio Espacial James Webb, da NASA, encontrou um sistema que desafia o esperado: um planeta gigante orbitando uma estrela já morta. O caso do WD 1856 b chamou atenção justamente por isso — ele não deveria estar ali.

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O estudo foi publicado na revista Nature e levanta dúvidas importantes sobre como sistemas planetários sobrevivem ao fim de suas estrelas.

gigante gasoso que orbita sua estrela a uma distância 50 vezes menor do que a que a Terra mantém em relação ao Sol
Cientistas investigam como um planeta do tamanho de Júpiter sobreviveu ao fim da sua própria estrela. – Imagem: NASA, ESA, CSA, Ralf Crawford (STScI)

Uma órbita apertada demais para fazer sentido

O WD 1856 b é um gigante gasoso, do tamanho de Júpiter. Ele gira em torno de uma anã branca a cada 34 horas.

É uma distância extremamente curta. Em qualquer cenário parecido com o Sistema Solar, esse planeta teria sido destruído.

O planeta tem aproximadamente o tamanho de Júpiter, mas a anã branca que ele orbita tem o tamanho da Terra.

Ryan MacDonald, astrônomo da Universidade de St. Andrews, em nota.

A comparação ajuda a dimensionar o estranho equilíbrio desse sistema.

O que pode ter acontecido ali?

Não existe uma resposta única. Existem hipóteses.

  • o planeta pode ter sido engolido pela estrela e depois reconfigurado
  • pode ter migrado para dentro do sistema por forças gravitacionais
  • o sistema é triplo, o que bagunça completamente a dinâmica
  • interações externas podem ter empurrado o planeta para essa órbita

Christopher O’Connor, da Universidade Northwestern, destaca que o grande mistério continua o mesmo: como ele chegou até aqui?

Observações do telescópio James Webb ajudam a entender o futuro de mundos como o nosso. – Imagem criada por inteligência artificial (ChatGPT / Olhar Digital)

O calor que ainda denuncia o passado

O mais curioso veio das observações do Webb: o planeta ainda está quente.

A temperatura estimada é de cerca de 126 °C, acima do esperado apenas pela radiação da anã branca.

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Isso sugere que o calor não é atual. Ele parece ser um resquício de um evento anterior — quando o planeta foi aquecido de forma intensa e depois começou a esfriar lentamente.

Esse detalhe muda completamente a leitura do caso.

Um possível retrato do futuro do Sistema Solar

Ao analisar essa “memória térmica”, os cientistas estimam que o aquecimento ocorreu bilhões de anos depois da estrela virar anã branca.

Isso indica que o planeta conseguiu sobreviver à fase mais destrutiva da estrela.

E, de certa forma, esse sistema acaba funcionando como um ensaio distante do que pode acontecer com o nosso próprio Sistema Solar no futuro.

Valdir Antonelli

Valdir Antonelli

Valdir Antonelli é jornalista com especialização em marketing digital e consumo.

Olhar Digital

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