O El Niño não é novidade para a ciência, mas seus efeitos podem ser cada vez mais extremos em um planeta que bate recordes de aquecimento. O fenômeno climático, que se desenvolve no Oceano Pacífico, deve provocar alterações no clima em diversas partes do mundo nos próximos meses. Entre as consequências esperadas estão a redução das chuvas das monções no leste e sudeste asiático e novos eventos climáticos extremos no Rio Grande do Sul.
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Além do impacto humano, esse cenário é relevante, uma vez que as regiões da Ásia citadas concentram a maior parte da produção mundial de arroz, e o estado do sul brasileiro representa cerca de 70% do cultivo do cereal no país. O cenário preocupa, já que uma queda simultânea na produção pode reduzir a oferta de arroz e pressionar a inflação dos alimentos, com impactos que podem chegar ao consumidor brasileiro.
Para quem tem pressa:
- O retorno do El Niño pode reduzir as chuvas das monções no leste e sudeste asiático e aumentar o risco de eventos climáticos extremos no Rio Grande do Sul, afetando importantes regiões produtoras de arroz;
- O leste e sudeste da Ásia respondem por cerca de 60% da produção mundial do cereal, enquanto o Rio Grande do Sul concentra aproximadamente 70% da produção brasileira, o que aumenta a preocupação com uma possível queda simultânea na oferta;
- Caso ocorram perdas nas duas regiões, especialistas avaliam que o fenômeno pode elevar o preço do arroz no mundo inteiro.
As condições climáticas dificultarão o cultivo do arroz

O arroz é uma cultura que exige grandes quantidades de água durante boa parte do seu desenvolvimento. Por isso, grande parte das lavouras é cultivada em áreas alagadas ou depende diretamente das chuvas.
Em artigo publicado no The Conversation e reproduzido pelo Phys.org, o pesquisador Vito Butardo Jr., da Universidade de Tecnologia de Queensland, explica que um El Niño severo pode enfraquecer as monções na Ásia, diminuindo as chuvas e aumentando a temperatura.
O leste e o sudeste asiático representam cerca de 60% da produção mundial de arroz, concentrando alguns dos maiores produtores do planeta, como China, Indonésia, Vietnã e Tailândia. Assim, uma quebra de safra nessas regiões pode reduzir rapidamente a disponibilidade do cereal.
Com o risco de seca concentrado na Ásia, o Brasil pode enfrentar um problema diferente. Durante episódios de El Niño, o Rio Grande do Sul, responsável por cerca de 70% da produção nacional de arroz, segundo dados da Conab, costuma registrar chuvas acima da média. O excesso de precipitação pode dificultar o plantio e comprometer a colheita.
O arroz está entre os alimentos mais consumidos do planeta e é a base da alimentação de bilhões de pessoas, principalmente na Ásia. Segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), o cereal fornece uma parcela significativa da alimentação diária da população mundial e tem papel fundamental na segurança alimentar de diversos países. Por isso, qualquer alteração na produção global pode ter impactos econômicos e sociais em diferentes regiões do mundo.
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Se houver perdas simultâneas na Ásia e no Rio Grande do Sul, os efeitos podem chegar também ao consumidor brasileiro. Economistas ouvidos pela CBN avaliam que um El Niño severo pode pressionar a inflação dos alimentos em 2026, afetando não apenas o arroz, mas também produtos como café, açúcar, frutas e hortaliças.
Por outro lado, pesquisadores buscam formas de tornar o cultivo mais resistente. Um estudo publicado na revista Frontiers in Plant Science identificou variedades de arroz capazes de utilizar a água de forma mais eficiente, o que pode ajudar no desenvolvimento de plantações mais adaptadas a períodos de seca.










