Pesquisadores identificaram 32 sinais geométricos que aparecem repetidamente em cavernas da Europa ao longo de um período entre 40 mil e 10 mil anos atrás. A descoberta indica que grupos humanos pré-históricos podem ter usado esses registros como uma forma estruturada de transmitir mensagens.
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O levantamento foi conduzido pela paleoantropóloga Genevieve von Petzinger, que analisou símbolos encontrados em mais de 350 sítios arqueológicos europeus, incluindo locais na Espanha, França e Sicília. O trabalho reuniu registros já existentes e observações feitas durante pesquisas de campo.
A repetição dos mesmos desenhos em diferentes regiões e períodos levou a pesquisadora a considerar que os sinais não eram apenas marcas aleatórias ou ornamentais. A hipótese é que eles possuíam significados compartilhados entre comunidades humanas antigas.
Marcas repetidas em diferentes cavernas desafiam ideia de desenhos sem intenção
Enquanto as pinturas de animais costumam chamar mais atenção nas cavernas pré-históricas, um conjunto discreto de formas abstratas passou a despertar interesse científico. Linhas, triângulos, espirais, zigue-zagues, círculos, cruzes e outros padrões aparecem em diferentes locais separados por grandes distâncias.
A investigação realizada por von Petzinger apontou que apenas 32 símbolos geométricos surgiram de maneira recorrente no material analisado. Entre eles estavam representações simples, como traços e pontos, além de figuras mais elaboradas, como marcas semelhantes a mãos e penas.
O aspecto que chamou a atenção dos pesquisadores foi a estabilidade desses sinais ao longo do tempo. De acordo com a paleoantropóloga, cerca de 65% dos símbolos permaneceram presentes durante todo o intervalo de aproximadamente 30 mil anos estudado, enquanto outros desapareceram ou surgiram posteriormente.
“Se fossem rabiscos aleatórios ou decorações, esperaríamos encontrar muito mais variação, mas o que vemos são os mesmos sinais se repetindo no espaço e no tempo.” Essa avaliação foi apresentada por Genevieve von Petzinger, paleoantropóloga responsável pelo levantamento, durante uma palestra TED realizada em 2015.
A presença dessas formas em diferentes continentes, com exceção da Antártida, também levantou uma possibilidade mais ampla: a existência de uma origem comum desses símbolos em populações humanas ancestrais da África, região apontada no texto como o local onde o Homo sapiens surgiu.
Sendo esta análise precisa, os símbolos encontrados seriam algumas das formas de comunicação escrita mais antigas de que se tem notícia.
O significado dos símbolos continua desconhecido

Apesar da frequência e da distribuição dos sinais, ainda não é possível determinar exatamente o que cada marca representava para seus criadores. A ausência de registros escritos ou relatos dos próprios grupos que produziram esses desenhos impede uma interpretação definitiva.
Conforme explicou von Petzinger em entrevista concedida à NPR em 2022, os símbolos provavelmente tinham algum valor para as comunidades que os produziram, já que sua repetição indica escolhas intencionais e não simples desenhos feitos ao acaso.
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“Não há dúvida de que esses sinais tinham significado para seus criadores. Talvez nunca saibamos o que significavam, mas as pessoas daquela época certamente sabiam”, comentou ao discutir o possível papel cultural dos registros encontrados nas cavernas.
Entre as possibilidades levantadas pela pesquisadora está a ideia de que os símbolos poderiam funcionar como formas de identificação, indicação de presença ou comunicação de informações entre indivíduos. Caso essa interpretação esteja correta, esses registros estariam entre os exemplos mais antigos conhecidos de comunicação simbólica organizada.
Wagner Edwards
Wagner Edwards é Bacharel em Jornalismo e atua como Analista de SEO e de Conteúdo no Olhar Digital. Possui experiência, também, na redação, edição e produção de textos para notícias e reportagens.









