Com quase R$ 84 bilhões em vendas ao exterior somente em junho, o agronegócio teve participação decisiva no recorde das exportações brasileiras e na melhora das contas externas do país. Os embarques totais de bens alcançaram aproximadamente R$ 184,2 bilhões, crescimento de 24,8% na comparação com o mesmo mês de 2025.
Os valores foram convertidos pela cotação comercial de R$ 5,06. Segundo o Banco Central, este foi o maior resultado mensal das exportações desde o início da série histórica da instituição. As importações chegaram a R$ 139,7 bilhões, alta de 15,3%, deixando um superávit comercial de R$ 44,5 bilhões.
O saldo positivo foi R$ 18,2 bilhões superior ao registrado em junho do ano passado. Esse crescimento ajudou a reduzir o déficit das transações correntes, indicador que reúne o comércio de mercadorias, os serviços, as remessas de lucros, os juros e outras operações financeiras do país com o exterior.
O déficit mensal caiu de cerca de R$ 26,3 bilhões, em junho de 2025, para R$ 11,6 bilhões neste ano, uma redução de aproximadamente 56%. O resultado mostra que o aumento das exportações compensou parte das despesas brasileiras com serviços e pagamentos ao exterior.
O agronegócio respondeu por 45,7% de tudo o que o Brasil exportou em junho. As vendas externas do setor somaram R$ 83,9 bilhões, alta de 14% em relação ao mesmo período de 2025. O crescimento ocorreu tanto pelo aumento de 7,2% no volume embarcado quanto pela valorização de 6,4% do preço médio dos produtos.
A soja em grãos permaneceu como principal item da pauta, com receita equivalente a R$ 31,7 bilhões no mês. A carne bovina in natura movimentou aproximadamente R$ 9,1 bilhões, enquanto os embarques de carne de frango renderam cerca de R$ 4,4 bilhões. O farelo de soja também esteve entre os produtos que mais contribuíram para o avanço das vendas.
No primeiro semestre, o agronegócio exportou o equivalente a R$ 440,7 bilhões, recorde para o período e crescimento de 6,2%. O desempenho foi sustentado pelo complexo soja, pelas proteínas animais e pela abertura e consolidação de mercados consumidores.
A participação do campo nas contas externas vai além da produção rural. Cada venda internacional movimenta atividades como armazenagem, transporte, processamento, certificação sanitária, operação portuária e serviços financeiros. A entrada das receitas também amplia a oferta de moeda estrangeira e ajuda a reduzir pressões sobre o câmbio.
Ainda existem pontos de atenção. A conta de serviços apresentou déficit de R$ 25,8 bilhões em junho, pressionada principalmente pelos gastos com viagens internacionais, transporte, telecomunicações, computação e tecnologia da informação.
Mesmo assim, o quadro geral mostrou evolução. No acumulado de 12 meses, o déficit em transações correntes recuou de aproximadamente R$ 382 bilhões para R$ 310,7 bilhões. Em relação ao tamanho da economia, passou de 3,52% para 2,46% do Produto Interno Bruto.
O fluxo de investimentos produtivos também avançou. Os investimentos diretos no país alcançaram R$ 46 bilhões em junho, quase três vezes os R$ 15,7 bilhões registrados no mesmo mês de 2025. Em 12 meses, os ingressos somaram cerca de R$ 451,9 bilhões, equivalentes a 3,58% do PIB.
As reservas internacionais, por sua vez, permaneceram próximas de R$ 1,86 trilhão. Esse estoque funciona como uma proteção para o país em períodos de instabilidade cambial, restrição de crédito ou turbulência nos mercados internacionais.
O conjunto dos indicadores mostra que a capacidade brasileira de produzir e exportar alimentos, fibras e energia continua sendo uma das principais fontes de equilíbrio econômico. Em um cenário mundial marcado por tarifas, conflitos e mudanças nas exigências comerciais, manter mercados abertos e ampliar o valor agregado dos produtos será fundamental para transformar produção rural em crescimento, investimentos e maior estabilidade para o país.












