SpaceX está em crise? Entenda a pressão após estreia na bolsa

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As ações da SpaceX reagiram depois de uma forte queda provocada pela divulgação dos resultados financeiros da empresa. Agora, o mercado acompanha o possível impacto do fim de uma restrição que permite a venda de papéis por funcionários e investidores iniciais.

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A companhia de Elon Musk tenta equilibrar a pressão no curto prazo com a expectativa de crescimento em áreas como lançamentos espaciais, satélites e inteligência artificial.

O fim da restrição para venda de ações colocou a SpaceX novamente no radar de investidores e analistas. Imagem: FellowNeko/Shutterstock

Papéis sobem após forte recuo

Segundo a Reuters, as ações da SpaceX avançaram 6,4%, chegando a US$ 115,20 (cerca de R$ 590), após terem caído 13,6% no pregão anterior. A recuperação veio enquanto investidores avaliavam o efeito do encerramento de uma regra que limita negociações de pessoas ligadas à empresa.

Em processos de abertura de capital, é comum que executivos, funcionários e investidores iniciais fiquem impedidos de vender suas ações por até 180 dias. O objetivo é evitar movimentos bruscos logo após a estreia na bolsa.

A SpaceX, porém, adotou um modelo diferente: até 20% das ações que estavam bloqueadas poderiam ser negociadas a partir do segundo dia de mercado depois da divulgação do balanço do segundo trimestre.

O movimento chamou atenção, mas alguns especialistas avaliam que a preocupação pode estar sendo exagerada. “O ruído desta semana em torno do primeiro vencimento do bloqueio deve ser tratado apenas como isso: ruído”, disse Nick de la Forge, cofundador e sócio-geral da Planet A.

Empresa enfrenta pressão após estreia na bolsa

A recuperação acontece em um momento delicado para a SpaceX. Desde sua estreia no mercado, em 12 de junho, os papéis perderam mais de um quarto do valor e ficaram abaixo do preço inicial da oferta pública durante três semanas consecutivas.

O cenário contrasta com a forte valorização registrada em junho, quando a companhia chegou perto de uma avaliação de US$ 3 trilhões (cerca de R$ 15,4 trilhões).

Entre os fatores acompanhados pelo mercado estão:

  • possível aumento na quantidade de ações disponíveis;
  • risco de maior instabilidade no preço dos papéis;
  • gastos elevados com inteligência artificial;
  • investimentos em data centers e chips;
  • expansão dos negócios espaciais.

Os custos ligados à inteligência artificial também passaram a preocupar investidores após a empresa revelar despesas elevadas nessa área em seu primeiro relatório financeiro como companhia aberta.

Ao fundo, gráficos financeiros; à frente, logo da SpaceX
Mesmo com a volatilidade recente, investidores seguem confiantes no potencial de crescimento da SpaceX. – Imagem: Careto Photos/Shutterstock

Investidores ainda enxergam potencial de crescimento

Mesmo com a queda recente, parte dos investidores continua apostando na estratégia de longo prazo da SpaceX. Especialistas destacam que a empresa construiu uma posição forte em lançamentos e satélites e tenta levar essa experiência para projetos de infraestrutura de inteligência artificial.

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“É uma empresa que conseguiu alcançar eficiências incríveis tanto em lançamentos quanto em satélites, e já está aplicando essa mentalidade na construção de infraestrutura de IA”, afirmou Micah Walter-Range, especialista em indústria espacial.

Phillip Lord, CEO da Bitcoin Japan, também reforçou a visão de longo prazo: “Nós investimos na SpaceX para o longo prazo. Esta é uma aposta de 10 anos para nós”.

Elon Musk afirmou que a empresa pode alcançar US$ 1 trilhão (R$ 5,13 trilhões) em receita até 2030. Por enquanto, o desafio da SpaceX é convencer o mercado de que os investimentos atuais podem sustentar esse crescimento no futuro.

Valdir Antonelli

Valdir Antonelli

Valdir Antonelli é jornalista com especialização em marketing digital e consumo.

Olhar Digital

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