Um pesquisador de segurança publicou detalhes de nova vulnerabilidade nas versões mais recentes do Windows que pode permitir que hackers obtenham acesso total ao dispositivo e aos dados do usuário.
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A divulgação acontece poucas semanas depois de a Microsoft ter ameaçado tomar medidas legais contra pesquisadores que publicassem informações sobre falhas ainda não corrigidas fora das regras estabelecidas pela empresa.
Batizada de ShieldBreak, a vulnerabilidade é a mais recente descoberta divulgada pelo pesquisador de segurança conhecido como Nightmare Eclipse, que, nos últimos meses, publicou detalhes de diversas falhas envolvendo produtos da Microsoft, incluindo o Windows.
Segundo uma publicação do pesquisador, o ShieldBreak explora uma falha no Windows Defender, mecanismo antimalware e de segurança integrado ao Windows. Um ataque bem-sucedido permite elevar os privilégios de um usuário de baixo nível para obter acesso completo ao dispositivo e aos dados armazenados nele.
Para demonstrar a exploração, Nightmare Eclipse publicou uma prova de conceito (PoC) na forma de um aplicativo para Windows. Para que o ataque funcione, porém, é necessário que o usuário execute o aplicativo.
De acordo com o pesquisador, a vulnerabilidade funciona no Windows 10, Windows 11 — incluindo a versão mais recente, 25H2 — e Windows Server 2025. O pesquisador de segurança Will Dormann verificou que a falha funciona e observou que o Windows Defender precisa estar habilitado para que a exploração seja possível.
Falha contorna correção anterior
- O ShieldBreak é baseado em uma exploração anterior desenvolvida por Nightmare Eclipse, chamada RoguePlanet. A Microsoft lançou uma correção para a vulnerabilidade, identificada como CVE-2026-50656;
- O pesquisador, porém, indicou que a correção aplicada pela Microsoft não foi suficiente. Segundo Nightmare Eclipse, o novo exploit demonstra um bypass completo do patch desenvolvido para a RoguePlanet;
- Até o momento da publicação, a Microsoft ainda não havia lançado uma correção para o ShieldBreak. Um porta-voz da companhia também não havia respondido imediatamente aos questionamentos feitos pela imprensa;
- A vulnerabilidade é considerada um zero-day porque a Microsoft não teve tempo para desenvolver e disponibilizar uma correção antes que os detalhes do problema fossem divulgados publicamente.
A divulgação do ShieldBreak é mais um episódio da longa disputa entre Nightmare Eclipse e a Microsoft em relação ao tratamento dado pela empresa aos relatos de vulnerabilidades.
Em uma série de publicações em seu blog, o pesquisador afirmou que a Microsoft o tratou de maneira inadequada e não teria lidado de forma satisfatória com os relatos de falhas enviados à companhia. A situação levou Nightmare Eclipse a sugerir que a divulgação pública dos problemas era uma consequência da maneira como a empresa conduziu os relatos.
O pesquisador já havia publicado outras vulnerabilidades no Windows que posteriormente foram exploradas em ataques reais contra organizações.

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Em maio, a Microsoft publicou um texto no qual ameaçou tomar medidas legais contra pesquisadores de segurança, incluindo Nightmare Eclipse, caso eles divulgassem detalhes de vulnerabilidades zero-day fora das políticas de divulgação da empresa.
A posição provocou forte reação da comunidade de segurança. Diversos pesquisadores criticaram a Microsoft e relataram experiências semelhantes envolvendo a forma como a companhia lidou com seus próprios relatos de vulnerabilidades.
Posteriormente, a Microsoft recuou das declarações em publicação nas redes sociais. O texto original do blog, porém, continua publicado e não foi alterado.
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Zero-day chega após Patch Tuesday
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O ShieldBreak foi divulgado um dia depois do lançamento das atualizações mensais de segurança da Microsoft, conhecidas como Patch Tuesday.
Esse é o segundo mês consecutivo em que o número de correções da Microsoft chega a cerca de 500 falhas, em um cenário que, segundo o texto original, é impulsionado pelo uso crescente de inteligência artificial (IA) pela empresa para encontrar e eliminar vulnerabilidades em seus produtos.
A divulgação do ShieldBreak, portanto, ocorre imediatamente após mais uma rodada de atualizações de segurança da Microsoft e recoloca em evidência a disputa entre a companhia e o pesquisador sobre a maneira como vulnerabilidades são relatadas e divulgadas.
Ao mesmo tempo, a nova falha expõe problema particularmente relevante: o ShieldBreak atinge justamente o Windows Defender, ferramenta integrada ao sistema operacional para proteger o computador contra ameaças. Enquanto a Microsoft não disponibilizar uma correção, a vulnerabilidade permanece como um zero-day publicamente conhecido.
Rodrigo Mozelli
Rodrigo Mozelli é jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) e, atualmente, é redator do Olhar Digital.
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