A Anthropic, desenvolvedora do chatbot Claude, espera igualar ou até superar o tamanho do IPO recorde da SpaceX, em movimento que pode resultar na maior oferta pública inicial de ações da história dos Estados Unidos.
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Segundo informações da Bloomberg, a empresa está fazendo os cálculos enquanto acelera os preparativos para apresentar publicamente os documentos de sua possível abertura de capital. O registro pode ocorrer até o fim de agosto.
Em reuniões recentes com investidores conduzidas pelo diretor financeiro da Anthropic, Krishna Rao, a companhia evitou revelar qual seria sua avaliação de mercado. As discussões ainda estão em andamento, e o tamanho da oferta pode mudar.
A SpaceX, empresa de foguetes e satélites de Elon Musk, levantou US$ 75 bilhões (cerca de R$ 389 bilhões) em seu IPO, tornando-se a maior oferta inicial de ações da história. O valor final chegou a US$ 86,2 bilhões (aproximadamente R$ 447 bilhões) após o exercício da opção de lote suplementar, o chamado overallotment.
Se conseguir superar esse valor, a Anthropic estabelecerá novo recorde em momento de forte apetite dos investidores por empresas ligadas à inteligência artificial (IA).
Empresa já vale quase US$ 1 trilhão
- A ambição da Anthropic chama atenção também pela velocidade com que a empresa cresceu;
- Fundada há cinco anos, a companhia captou US$ 65 bilhões (cerca de R$ 337 bilhões) em maio, em rodada que avaliou a empresa em US$ 965 bilhões (aproximadamente R$ 5 trilhões);
- A avaliação colocou a Anthropic acima da rival OpenAI, que havia sido avaliada em US$ 852 bilhões (cerca de R$ 4,4 trilhões) em março, quando levantou US$ 122 bilhões (R$ 634,2 bilhões);
- Os números de receita também mostram a dimensão do crescimento. A Anthropic registrou receita preliminar superior a US$ 11,5 bilhões (cerca de R$ 59,7 bilhões) no segundo trimestre, contra US$ 787 milhões (R$ 4,1 bilhões) no mesmo período de 2025;
- No fim de julho, a chamada run rate, que projeta a receita anual a partir do desempenho de um período mais curto, havia chegado a US$ 65 bilhões (aproximadamente R$ 337 bilhões).
Apesar do crescimento, a companhia ainda enfrenta custos elevados para desenvolver modelos de IA cada vez mais avançados.
A Anthropic registrou lucro operacional ajustado no segundo trimestre, mas teve prejuízo líquido de quase US$ 42 bilhões (cerca de R$ 218 bilhões) em 2025 — aproximadamente cinco vezes os US$ 8,3 bilhões (R$ 43,1 bilhões) registrados no ano anterior, segundo documentos vistos pela Bloomberg.
Computação pode custar dezenas de bilhões
O desenvolvimento dos chamados modelos de fronteira exige uma enorme capacidade computacional, o que representa uma das principais despesas para a Anthropic e suas concorrentes.
Em um de seus acordos com operadores de data centers, a empresa fechou um contrato com a SpaceX para obter recursos computacionais que podem alcançar dezenas de bilhões de dólares ao longo dos próximos três anos.
A necessidade de ampliar a infraestrutura computacional ajuda a explicar o volume de capital que a Anthropic vem buscando levantar. A companhia também está prestes a concluir uma linha de crédito rotativa superior a US$ 10 bilhões (cerca de R$ 51,9 bilhões). O valor supera a meta inicial estabelecida pela empresa.
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Para estruturar o IPO, a Anthropic trabalha com Morgan Stanley, Goldman Sachs e JPMorgan Chase, embora outros bancos ainda possam ser adicionados à operação.
A companhia também avalia adotar ações com superdireitos de voto. A estrutura daria ao CEO Dario Amodei, que possui cerca de 2% da empresa, e aos demais cofundadores, maior controle sobre as decisões da companhia depois da abertura de capital.
A possibilidade dessa estrutura havia sido divulgada anteriormente pelo site The Information.

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Anthropic deve chegar à Bolsa antes da OpenAI
A Anthropic também deve chegar ao mercado acionário antes da OpenAI. Segundo a Bloomberg, a concorrente agora considera realizar sua listagem apenas em 2027. As duas empresas já apresentaram confidencialmente os documentos necessários para suas respectivas ofertas.
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Uma eventual oferta superior à da SpaceX ajudaria a consolidar 2026 como o melhor ano da história para IPOs nos Estados Unidos.
Até 19 de agosto, empresas que abriram capital no país já haviam levantado US$ 160,6 bilhões (cerca de R$ 834,5 bilhões), aproximando-se do recorde de US$ 195,2 bilhões (aproximadamente R$ 1,01 trilhão) registrado em 2021.
O ano já conta com duas das maiores listagens da história, incluindo a da fabricante sul-coreana de chips SK Hynix, que levantou US$ 26,5 bilhões (cerca de R$ 137,5 bilhões) em sua oferta inicial de recibos de depósito americanos (ADRs, na sigla em inglês).
Empresa prepara mudança na política de dados
Enquanto avança nos preparativos para o IPO, a Anthropic também está planejando uma mudança importante na maneira como lida com os dados de seus clientes corporativos.
Segundo uma fonte familiarizada com o assunto, ouvida pela Reuters, a companhia pretende dar às empresas maior controle sobre seus dados durante o uso de seus modelos avançados de IA.
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A mudança representa alteração na atual política de retenção de dados da empresa e está relacionada principalmente a questões de privacidade e segurança.
Pelas novas regras em preparação, os clientes empresariais ainda terão de reter os dados por 30 dias, mas ganharão a opção de mantê-los em sua própria infraestrutura de computação em nuvem.
A proposta vem sendo desenvolvida há meses. A Anthropic está trabalhando com mais de 100 clientes, incluindo a Salesforce, para desenvolver o novo sistema. A companhia também deverá lançar um novo sistema de segurança ainda neste ano, segundo a fonte.
Mudança ocorre após exigência de retenção
A alteração representa uma mudança em relação à política anunciada pela Anthropic em junho. Na ocasião, a empresa informou que passaria a exigir a retenção por 30 dias de todo o tráfego de clientes corporativos nos modelos mais avançados Fable e Mythos, além de futuros modelos de fronteira.
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A justificativa apresentada era a necessidade de ajudar a proteger os sistemas contra possíveis ataques cibernéticos que utilizassem a tecnologia da Anthropic. A nova proposta mantém o período de retenção de 30 dias, mas permite que as empresas tenham maior controle sobre o local onde os dados ficam armazenados.
A mudança ocorre ainda em meio a uma disputa cada vez mais acirrada entre as principais empresas de IA pelo mercado corporativo.
Na quarta-feira (19), a rival OpenAI anunciou um sistema de segurança que evita a retenção dos dados dos clientes e, ao mesmo tempo, permite identificar possíveis usos indevidos de sua tecnologia.
Assim, a Anthropic se prepara simultaneamente para uma possível abertura de capital de dimensões históricas e para uma mudança na forma como administra dados de clientes empresariais — dois movimentos que podem influenciar sua posição na disputa pelo mercado de IA.
Rodrigo Mozelli
Rodrigo Mozelli é jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) e, atualmente, é redator do Olhar Digital.
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