Uma avalanche de gelo e rochas provocou uma enxurrada devastadora na fronteira entre Nepal e Tibete, deixando 335 mortos e 1.468 desaparecidos. Vilarejos, estradas, pontes e estruturas de energia foram destruídos ou danificados.
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O Nepal concentra a maior parte das vítimas: são 332 mortos e 910 desaparecidos. No Tibete, há três mortos e outras 558 pessoas desaparecidas. Centenas de estrangeiros estão entre os que ainda não foram localizados.

Buscas avançam entre lama e destroços
A enxurrada atingiu áreas próximas aos rios Trishuli e Bhote Koshi, no Nepal, além da região de Gyirong, no Tibete. A lama e os escombros complicam o acesso às comunidades isoladas.
O Exército nepalês fez sobrevoos na região e resgatou dezenas de pessoas. Moradores de áreas próximas aos rios também receberam ordens para deixar suas casas.
Entre os desaparecidos no Nepal estão:
- 178 indianos;
- 65 americanos;
- 53 ucranianos;
- 51 malaios;
- 35 australianos;
- 33 britânicos;
- 25 canadenses.
Os Estados Unidos anunciaram US$ 500 mil, cerca de R$ 2,5 milhões, para ajudar nas operações de emergência.
De avalanche a tsunami de lama
A enorme massa de gelo e rochas desceu por uma encosta e atingiu o rio. No caminho, incorporou água, pedras, árvores e terra, transformando-se em um fluxo de detritos que avançou pelo vale.
A força do movimento foi tamanha que ele chegou a ser confundido com um terremoto. Os registros sísmicos indicaram energia equivalente à de um tremor de magnitude 4,4.
Ao chegar a Gyirong Port, na fronteira entre China e Nepal, a massa assumiu proporções semelhantes às de um tsunami. As primeiras estimativas apontam uma onda de até 30 metros de altura. O fluxo percorreu mais de 170 quilômetros pelo vale do rio Bhote Koshi.
Ainda não se sabe exatamente o que provocou o colapso da geleira. O aquecimento das regiões de alta montanha pode ter contribuído para tornar o terreno mais instável.
À medida que as mudanças climáticas se intensificam, as geleiras em todo o mundo estão derretendo — até mesmo em regiões elevadas como o Himalaia.
Levan Tielidze, pesquisador em Geomorfologia Glacial da Universidade Monash, em artigo publicado pelo The Conversation.

Permafrost aumenta o risco nas montanhas
Muitas encostas íngremes do Himalaia têm permafrost, formado por solo, rocha e gelo que permanecem congelados por longos períodos. Quando esse material descongela, perde parte da capacidade de manter a encosta estável.
“Ao passo que o clima esquenta, o solo pode descongelar, enfraquecendo o gelo que ajuda a manter rochas e solo unidos”, explicou Tielidze.
Imagens de satélite sugerem que o deslizamento pode ter removido grandes partes de uma geleira e provocado seu colapso. A causa exata ainda precisa ser determinada.
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O perigo, porém, não acabou. Um bloqueio de detritos permanece em uma área mais alta do rio, criando o risco de uma nova inundação.
Tielidze defende sistemas de alerta capazes de antecipar eventos desse tipo. “Esses sistemas podem monitorar o rápido aumento dos níveis dos rios, chuvas intensas e ondas sísmicas para alertar as autoridades antes que o desastre aconteça.”
Enquanto as buscas continuam, autoridades precisam lidar com dois problemas ao mesmo tempo: encontrar os desaparecidos e manter a população longe de áreas que ainda podem ser atingidas.
Valdir Antonelli
Valdir Antonelli é jornalista com especialização em marketing digital e consumo.
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