Apro360 recebe o secretário Marcelo de Oliveira e aborda os desafios logísticos de Mato Grosso

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O Apro360, podcast
da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT),
recebeu nesta quinta-feira (24.09) o secretário de Estado de Infraestrutura e
Logística (Sinfra), Marcelo de Oliveira, popularmente conhecido como Marcelo
Padeiro, que construiu uma trajetória marcada pelas obras de infraestrutura na
capital e em todo o estado.

A conversa contou
com a participação do vice-presidente da Aprosoja MT, Luiz Pedro Bier, e do
gerente da Comissão de Logística da entidade, Orlando Vila. Juntos, eles
abordaram assuntos estratégicos para o produtor rural, com destaque para
infraestrutura, logística e os desafios que impactam o setor produtivo.

Durante a
entrevista, Bier ressaltou que Mato Grosso avançou muito nos últimos anos, em
grande parte impulsionado pelo crescimento da soja e pelas contribuições dos
produtores ao Fundo Estadual de Transporte e Habitação (FETHAB) e ao FETHAB 2.
Ele lembrou, no entanto, que o agro atravessa um momento mais desafiador, com
produtores endividados, cenário reconhecido pelo governo ao congelar o FETHAB 2
e com a possibilidade de não renová-lo. Diante disso, questionou o secretário
sobre como equilibrar a continuidade das obras com o alívio no bolso do
produtor.

Segundo o
secretário, o estado tem hoje 1,2 mil quilômetros de pavimentação em execução,
outros 500 quilômetros em procedimento licitatório e 700 quilômetros já
autorizados. A meta é pavimentar mil quilômetros por ano, com previsão de
chegar a 4 mil quilômetros de asfalto. Para ele, o que sustenta esse ritmo é a
estrutura de planejamento criada dentro da pasta. “O planejamento hoje é o
coração da secretaria, e ele não existia. Numa secretaria do tamanho da Sinfra,
você precisa saber o que pode gastar, quanto está gastando e o que precisa para
chegar até o final”, disse.

Ele também
destacou o peso da produção sobre a malha rodoviária. “Mato Grosso hoje
está com 110 milhões de toneladas de grãos, quase 8 milhões de metros cúbicos
de etanol e quase 3 milhões de toneladas de DDG. Isso sai tudo pela
estrada”, pontuou. Por isso, segundo ele, o trabalho se divide em três
frentes. “Eu sei onde está a grande produção de grãos do estado, para onde
ela está indo e o que preciso fazer para tirar essa produção. Então eu tenho
que asfaltar, tenho que manter e tenho que conservar. E a manutenção das não
pavimentadas é essencial”, explicou.

Nas estradas não
pavimentadas, a Sinfra tem adotado os convênios regionais como uma das
principais soluções para garantir a manutenção contínua da malha, permitindo a
execução de serviços ao longo de todo o ano. Por meio dessas parcerias, são
realizados trabalhos de patrolamento, cascalhamento, recuperação de pontes e
bueiros, drenagem e elevação do greide, com atuação preventiva para reduzir os
problemas de trafegabilidade, especialmente durante o período chuvoso.

Concessões
sociais –
Marcelo de Oliveira apontou as concessões sociais como um dos caminhos
para o futuro da manutenção das rodovias estaduais. Ele citou como exemplo a
dificuldade de atender pequenos reparos em trechos distantes, como na ligação
entre Paranatinga e Gaúcha do Norte, onde a extensão da malha e a distância dos
centros operacionais dificultam uma resposta rápida, muitas vezes exigindo que
o Estado mobilize equipes e empresas por centenas de quilômetros para executar
intervenções pontuais. “Se você tem uma concessão social ali e aparece um
pequeno buraco, ele tapa no outro dia. Não vai ter mais o problema desse buraco
aumentar, vir uma chuva, infiltrar água e ele virar um grande buraco. Você vai
ter uma manutenção quase que direta”, afirmou.

Pedágios – Orlando
Vila levou ao secretário uma das principais queixas que chegam à entidade, a de
que o produtor já contribui com o FETHAB e ainda precisa pagar pedágio.

“Eu
gostaria que não tivesse pedágio. Gostaria que a gente arrecadasse para fazer a
manutenção, novas estradas e a manutenção das não pavimentadas, mas o Estado
não arrecada para isso. Ainda tem muito para se fazer”, reconheceu Marcelo
de Oliveira.

O secretário
complementou que Mato Grosso está chegando a cerca de 14 mil quilômetros de
rodovias estaduais pavimentadas, mas ainda possui aproximadamente 20 mil
quilômetros de rodovias não pavimentadas que demandam investimentos. Segundo
ele, também restam cerca de 600 pontes de concreto a serem executadas na malha
estadual.
 

Nesse cenário,
seriam necessários aproximadamente 12 anos de investimentos contínuos, com a
pavimentação de cerca de mil quilômetros por ano, além da construção de pontes
de concreto e do avanço dos modelos de concessão voltados à manutenção. Ainda
assim, permaneceriam cerca de 8 mil quilômetros de rodovias não pavimentadas,
que continuariam exigindo serviços permanentes de conservação para garantir a
trafegabilidade, especialmente durante o período chuvoso, ano após ano.

Novos modais
de transporte
– Bier destacou que um dos avanços mais aguardados pelos
produtores é a ferrovia e questionou o que pode ser feito para destravar o
modal no estado. O secretário lembrou que o trecho entre Rondonópolis e Lucas
do Rio Verde, por estar inteiramente em território mato-grossense, foi
estadualizado por meio de projeto de lei enviado à Assembleia Legislativa,
tornando-se a primeira ferrovia estadual.

“O governo
não tem dinheiro para investir em ferrovia. É muito caro. Aí precisa da
iniciativa privada, que precisa de fundos de investimento, de bancos, do mundo
inteiro querendo investir. E aí você tem os problemas de terra indígena, de
licenciamento ambiental”, explicou.

Ele relatou que
o licenciamento do trecho até a região de Primavera do Leste e Campo Verde
ocorreu em tempo recorde, após a realização de mais de 2.500 estudos ao longo
do traçado. A tendência, segundo ele, é que os trilhos avancem em direção a
Nova Mutum, com um primeiro trecho até Planalto da Serra e um terminal na
região.

Destacou ainda a
MT-130 como prioridade logística para o estado. O projeto ambiental da rodovia
está em análise na Funai, em Brasília, após seis anos de trabalho, por conta da
proximidade com a Terra Indígena Marechal Rondon. “Para o Estado, a MT-130
é primordial, é um corredor logístico. Hoje você sai de União do Sul, de
Marcelândia, desce pela MT-130 e precisa voltar para pegar a 140. Se esse ponto
estivesse pronto, você incorporaria quase 200 mil hectares de lavoura só por
causa dessa região”, afirmou.

Portas abertas –
Ao final da conversa, o secretário falou sobre os próximos passos da pasta
diante da redução de receita. Com a possibilidade do fim do FETHAB 2, o
orçamento da Sinfra deve cair para cerca de R$2,5 bilhões por ano. Segundo ele,
o planejamento feito até aqui garante uma folga para atravessar o próximo ano,
mas o cenário vai exigir um novo desenho das prioridades. A estratégia é
ampliar as concessões de manutenção, com tarifas mais baixas, para liberar
recursos do Estado para novas obras.
Marcelo de Oliveira
também reforçou que as portas da secretaria estão abertas para a Aprosoja MT e
fez um convite direto à entidade.

“A gente tem que correr e escutar,
principalmente vocês. Já lanço o desafio aqui. Por mais que a gente tenha o
nosso planejamento, façam agora um estudo de onde vocês estão vendo a tendência
de crescimento da produção e onde precisam de rodovia, daquilo que vocês
consideram essencial, e levem para a Sinfra”, afirmou.

O episódio
completo está disponível nos canais oficiais da Aprosoja MT no YouTube e no
Spotify.

Aprosoja MT

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