China amplia demanda e Brasil projeta colheita acima de 8 milhões de toneladas

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A entrada da China entre os compradores de sorgo brasileiro amplia as opções de venda de uma cultura que já abastece fábricas de ração e usinas de etanol. Para a safra 2026/27, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta produção de 8,03 milhões de toneladas, crescimento de 9% sobre as 7,37 milhões da temporada anterior.

O avanço deve vir principalmente da produtividade. A área está estimada em 2,22 milhões de hectares, expansão de 2,1%, enquanto o rendimento médio deve aumentar 6,7%, para 3.625 quilos por hectare. Isso equivale a aproximadamente 60 sacas de 60 quilos por hectare.

O Brasil ocupa a segunda posição mundial na produção de sorgo no balanço de 2025/26 do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), atrás dos americanos e à frente da Nigéria. Nesse levantamento, que utiliza estimativas próprias, a produção brasileira aparece com 7 milhões de toneladas.

A abertura comercial ganhou uma demonstração concreta em agosto. A Cofco anunciou o embarque de aproximadamente 69 mil toneladas pelo Porto de Santos, em seu primeiro carregamento de grande escala de sorgo brasileiro para a China. A operação ocorreu após o protocolo fitossanitário assinado pelos dois países em novembro de 2024.

A China é o maior importador mundial do cereal. O USDA projeta compras de 6,3 milhões de toneladas em 2026/27, num comércio internacional estimado em 8,37 milhões de toneladas. A procura chinesa representa, portanto, cerca de três quartos das importações globais previstas.

Para o agricultor brasileiro, esse comprador acrescenta uma alternativa à negociação com a indústria nacional. A exportação pode ampliar a disputa pelo grão, mas o preço que chega à propriedade depende da distância até o porto, do frete e das condições de entrega. O valor oferecido para embarque precisa ser comparado com o pagamento líquido de fábricas de ração e usinas próximas.

No mercado interno, o sorgo é utilizado como fonte de energia na alimentação animal e como matéria-prima para etanol. Essa diversidade de destinos permite ao produtor avaliar diferentes compradores, conforme a qualidade exigida, o prazo de pagamento e o custo do transporte.

A tolerância à seca é outro fator de expansão. Segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o sorgo é uma alternativa para a segunda safra em ambientes com maior risco de falta de água. A cultura pode ocupar áreas nas quais o calendário já ficou menos favorável ao milho.

A experiência recente mostra, entretanto, que essa resistência tem limites. No levantamento de outubro, a Conab informa que a irregularidade e a redução das chuvas prejudicaram lavouras de sorgo plantadas mais tarde em 2025/26. A produtividade caiu frente ao ciclo anterior, e o aumento da área foi responsável pelo crescimento da colheita.

A rentabilidade deve ser calculada para cada propriedade, sem adotar como regra percentuais de economia obtidos em outras regiões. Sementes, adubação, controle de plantas daninhas e pragas, colheita e transporte continuam compondo o custo.

Antes de definir a área, o produtor deve consultar compradores, conferir as exigências de recebimento e calcular quanto precisa colher para pagar as despesas. A combinação de demanda externa, ração e etanol amplia o mercado; a escolha da época de plantio e o manejo determinarão quanto dessa oportunidade poderá virar renda.

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