O desmatamento na Amazônia caiu 41,8% e, no Cerrado, 23,8% no período de agosto de 2025 a julho de 2026, segundo dados divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) na sexta-feira (16). Os dois biomas registraram as menores taxas de suas séries históricas. O avanço ocorre enquanto os incêndios de outubro mantêm produtores e comunidades rurais sob risco no Amazonas, onde 36 municípios tiveram situação de emergência reconhecida pelo governo federal.
Na Amazônia, a área desmatada passou de 5.731 para 3.335 quilômetros quadrados. É o menor resultado desde o início da série, em 1988. No Cerrado, a perda de vegetação nativa recuou de 7.235,27 para 5.516,69 quilômetros quadrados, o menor valor desde 2001.
A diferença entre os indicadores explica a convivência entre a queda do desmatamento e a crise do fogo. O levantamento anual encerrou sua contagem em julho, antes dos incêndios que se intensificaram neste mês. Além disso, a área desmatada mede a supressão da vegetação, enquanto o fogo pode atingir florestas, pastagens e terrenos já abertos, provocando danos de naturezas diferentes.
Uma floresta atingida por incêndio pode perder qualidade e sofrer danos sem que toda a superfície queimada entre imediatamente na conta do desmatamento. Quando a degradação se agrava e provoca perda da cobertura e colapso da estrutura florestal, ela também pode ser contabilizada pelo monitoramento.
Para o produtor, essa distinção ajuda a entender o alcance da notícia: a redução da derrubada representa avanço na conservação, mas o fogo continua ameaçando lavouras, rebanhos, cercas, instalações e áreas de vegetação protegida dentro das propriedades. Os custos de prevenção e recuperação permanecem mesmo com a melhora do indicador anual.
No Amazonas, a situação de emergência nos 36 municípios foi reconhecida em 10 de outubro (LEIA AQUI). A medida permite acelerar o acesso a recursos federais para enfrentar os incêndios. O estado também aparece no levantamento do Inpe com redução de 46,4% no desmatamento, de 979 para 525 quilômetros quadrados.
Na porção amazônica de Mato Grosso, a queda foi de 46,7%, com a área desmatada passando de 1.593 para 849 quilômetros quadrados. No Pará, que concentra a maior parcela do total, houve redução de 45,3%, para 1.130 quilômetros quadrados.
No Cerrado, Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia responderam por 74,3% da vegetação suprimida. Os quatro estados registraram queda, mas continuam concentrando a maior parte da perda de cobertura nativa do bioma.
Os resultados vêm do Projeto de Monitoramento do Desmatamento por Satélite (Prodes). Na Amazônia, o número divulgado ainda é uma estimativa e será consolidado com a análise de todas as imagens. No Cerrado, o dado já é consolidado, pois o mapeamento abrangeu todo o território.
O monitoramento permite identificar áreas afetadas e orientar a fiscalização. Para quem produz, a prevenção do fogo e a organização dos registros ambientais da propriedade continuam sendo tarefas distintas e complementares: uma protege a atividade contra perdas imediatas; a outra documenta a situação das áreas utilizadas e preservadas.













