O Shakhtar Donetsk não deixou de investir em jogadores brasileiros, mas voltou a ser lembrado em uma lista de convocações da seleção brasileira. Os nomes da vez são Alisson Santana, ex-Atlético, e Marlon Gomes, ex-Vasco, oito anos após a última chamada de jogadores que defendiam o clube ucraniano.
A última vez que o Shakhtar contou com representantes na Canarinho foi na Copa do Mundo de 2018. Oito anos atrás, Taison e Fred foram convocados por Tite para o Mundial de 2018, de forma surpreendente, já que ambos não eram os nomes mais frequentes na seleção e não entraram em campo uma vez sequer na disputa.
A convocação atual, da dupla de jovens jogadores, é resultado da evolução de ambos no clube que tanto aposta no talento brasileiro. Mas, mais do que isso, representa o tão conhecido e falado processo de renovação que o Brasil passa nesse momento, após as despedidas de alguns dos mais famosos nomes dos últimos anos.
Aos 21 anos, Alisson Santana está em sua terceira temporada no futebol ucraniano. Ele chegou ao Shakhtar ao começo de 2025, vindo do Atlético, por 14 milhões de euros. Cria do Galo, o ponta tinha recém-iniciado seu terceiro ano como profissional na equipe mineira.
Depois de 12 jogos, com um gol e uma assistência, disputando apenas a metade da primeira temporada, Alisson despontou na segunda, balançando as redes sete vezes e dando oito passes para gol em 26 partidas. Na atual, já são três bolas na rede e quatro assistências em 12 confrontos.
Por outro lado, Marlon Gomes já somava uma temporada completa quando Alisson chegou na Europa. A Cria da Colina escalou, aos poucos, até se firmar como um dos principais nomes do clube ucraniano no meio campo. Atualmente, é peça indispensável no esquema de Arda Turan.
O meio campista soma 82 jogos no futebol da Ucrânia, com dez gols anotados e sete assistências. Na atual temporada, ainda sem participações diretas em gol em nove jogos, Marlon tem sido titular nos embates mais importantes, como os da Champions League, enquanto tem sido poupado em alguns do Campeonato Ucraniano.
Um pedaço do Brasil na Europa
O Shakhtar ganhou fama no Brasil pelo alto número de contratações brasileiras. Nomes como Douglas Costa, Fred, Willian, Fernandinho, Taison e Luiz Adriano foram alguns dos que deixaram os nomes escritos na história da equipe de Donetsk. Ao todo, 47 brasileiros já passaram pelo clube.
Depois da fama atingir seu auge no início da década passada, com os nomes citados, o Shakhtar foi perdendo poder financeiro e de persuasão com a invasão russa no país. Com a mudança para a capital e ajustes logísticos, voltou a montar equipes competitivas e a apostar, mais do que nunca, no talento brasileiro, como são os casos de Alisson Santana e Marlon Gomes.
Além da dupla, outros 13 brasileiros fazem parte do elenco comandado por Arda Turan. São eles: Marlon, Vinícius Tobias, Pedro Henrique, Eguinaldo, Bruninho, Pedrinho, Isaque Silva, Luca Meirelles, Gabriel Carvalho, Lucas Ferreira, Kauã Elias, Ryan Roberto e Newerton.
Esse é o máximo de atletas nascidos no Brasil que o clube ucraniano já teve em seu elenco. Eles são, inclusive, maioria no elenco, superando em um o número de ucranianos (14). O investimento em jovens brasileiros nunca cessou, mas atingiu seu auge nos últimos anos.
Na janela de transferências do início da temporada, o clube foi atrás de três atletas. Em 25/26, foram quatro novidades vindas do Brasil. Uma temporada antes, mais dois chegaram. E, em todo esse período, apenas um deixou o clube em definitivo: Kevin, que foi reforçar o Fulham por 40 milhões de euros.
A atuação do Shakhtar no mercado se baseia em buscar jovens jogadores, em sua maioria brasileiros como já visto, maturá-los e, depois, negociá-los por um valor maior. Ou até negociar crias das categorias de base, como aconteceu com Sudakov, que reforçou o Benfica por empréstimo em 25/26 e foi adquirido em definitivo nesta temporada, por mais de 20 milhões de euros.
Atuar na Ucrânia, tampouco, afastou atletas da seleção brasileira. É o que nos mostra o passado, e agora a nova geração também é prestigiada atuando por lá. O Shakhtar é plataforma não apenas para uma liga maior na Europa, mas também para vestir a Amarelinha…












