Há pouco menos de dois meses, no dia 31 de agosto, o Coritiba venceu o Remo fora de casa no Campeonato Brasileiro. O jogo foi válido pela 5ª rodada e o Coxa, em alta, ocupava a oitava posição na tabela. A intenção era olhar para cima, a apenas cinco pontos do G4. Rebaixamento? Fora de cogitação e uma distância de 12 pontos para o Z4.
Mas o que se concretizou nos últimos dois meses foi muito diferente do que imaginava o torcedor do Coritiba, e aquela vitória contra o Remo se tornou a mais recente da equipe no Brasileirão. O saldo foi de cinco derrotas e dois empates nas últimas sete rodadas, além da aproximação com a zona maldita, agora distante por apenas cinco pontos.
Em casa, no Couto Pereira, na última segunda-feira, o Coritiba perdeu para o Grêmio em jogo que culminou na demissão do técnico Fernando Seabra, há pouco celebrado pelo trabalho estável e bons resultados no comando de uma equipe em reformulação e que estava na Série B no passado.
O Grêmio, inclusive, viu no Coritiba a sua tábua de salvação com a primeira vitória depois de sete jogos sem vencer – a primeira fora de casa no torneio. O Tricolor é a primeira equipe dentro da zona de rebaixamento, com 34 pontos. Já o Coritiba, com 39 pontos, ocupa o 12º lugar. Entre eles: Vasco (38 pontos), Vitória (38), Mirassol (37) e Internacional (35).
“Foram dez meses de uma jornada muito especial. Um período de extrema dedicação ao trabalho, aprendizado e coragem, que, numa temporada tão desafiadora e importante para o projeto que se consolida, nos permitiu realizar uma campanha que confiávamos ser possível”, falou o técnico Fernando Seabra após a demissão.
De acordo com informações do ‘Blog da Nadja’, no GE, o departamento de futebol do Coritiba avaliou que Fernando Seabra já não estava em sintonia com os jogadores e sua comissão técnica teria perdido a capacidade de mobilizar parte do elenco após a pausa para a Data Fifa de setembro. Relatos de bastidores apontam descontentamento com a condução das atividades, consideradas excessivamente metódicas por alguns jogadores e marcadas por um estilo descrito como “professoral”.
Nesse período negativo, o Coritiba sofreu goleadas para Vasco, por 5 a 0, e Fluminense, por 4 a 0. A avaliação foi que a tentativa de jogar de maneira mais propositiva, diferente da primeira metade do campeonato, foi uma estratégia equivocada. O treinador tentou voltar atrás, mas o time não recuperou melhores desempenhos e resultados.
Nesta quarta-feira, 28, integrantes da principal torcida organizada do Coritiba foram ao centro de treinamento conversar com o elenco e cobrar uma reação. Imagens do encontro mostram os torcedores de frente para jogadores, comissão técnica e funcionários do clube. A Polícia Militar acompanhou o encontro.
O volante Sebá Gómez, um dos líderes do elenco, pediu desculpas aos torcedores do Coritiba.
“Temos que falar com o torcedor e pedir perdão. Estamos muito tristes por não ter conseguido, por não ter ganhado já faz quatro, cinco, seis… sete jogos. Então, cara, só pedir perdão para o torcedor”, disse o jogador.
Sequência é pesada
Restam seis jogos até o fim do Campeonato Brasileiro, o Coritiba tem confrontos diretos e duelos com equipes da parte de cima da tabela, incluindo os dois líderes da competição, que pode ser definida somente na última rodada.
O primeiro jogo na luta para sair da areia movediça atual é dentro de casa contra o Vitória, hoje adversário direto na luta contra o rebaixamento. Poucos dias depois, o Coxa vai até Porto Alegre para enfrentar o Internacional, que tenta se afastar desesperadamente do Z4.
Em seguida, o Coritiba tem pela frente dois clubes que brigam diretamente por uma vaga na Libertadores. O adversário da 35ª rodada será o Santos, em Curitiba. Em seguida, o Coxa vai até Salvador enfrentar o Bahia, na Fonte Nova.
A situação fica mais tensa ao observar os dois últimos jogos do Coritiba no Campeonato Brasileiro, se envolvendo diretamente na briga pelo título. Na penúltima rodada, o adversário será o Flamengo, em casa. Já no derradeiro jogo, o duelo será contra o Palmeiras, como visitante.
Com uma dura reta final e sete jogos sem vencer no Campeonato Brasileiro, o Coritiba precisa reagir rapidamente para tentar evitar a queda para a segunda divisão.













