Minha história com a fé começou muito cedo. Ainda criança, por volta dos nove ou dez anos de idade, iniciei minha caminhada na Igreja Católica. Fui batizado, conheci os primeiros ensinamentos do cristianismo e tive meus primeiros contatos com a vida religiosa. Mas, como acontece com tantas pessoas, em algum momento me afastei da Igreja.
Minha busca, entretanto, não terminou ali.
Ao longo da vida, conheci outros caminhos religiosos. Frequentei um centro espírita, onde vivi uma experiência maravilhosa, que contribuiu muito para a formação do meu caráter e da minha maneira de enxergar o mundo. Também visitei igrejas evangélicas e conheci outras denominações religiosas. Em determinado período, cheguei até mesmo a me denominar ateu.
Foram experiências diferentes, cada uma com seus ensinamentos, suas particularidades e sua importância na construção de quem sou hoje.
Recentemente, por circunstâncias relacionadas ao meu matrimônio, retornei à Igreja Católica. O que inicialmente poderia ser interpretado apenas como um retorno à religião da minha infância acabou se transformando em algo muito maior.
Atualmente, participo de encontros todas as terças-feiras, nos quais tenho a oportunidade de aprender mais sobre o catolicismo e, sobretudo, sobre o Espírito Santo.
Tem sido uma experiência esclarecedora. Uma espécie de reiniciação da minha vida cristã. E digo reiniciação porque, embora já tivesse passado pela Igreja quando criança, o que vivo agora é completamente diferente de qualquer experiência religiosa que já tive.
Durante boa parte da minha vida, ouvi pessoas falarem sobre sentir a presença de Deus, sobre sentir o Espírito Santo. Confesso que, apesar de conhecer essas expressões e ouvir tantos relatos, nunca havia experimentado aquilo que as pessoas descreviam.
Até agora.
Hoje posso dizer, com todas as letras: eu senti o Espírito Santo.
E não consigo encontrar palavras suficientes para descrever essa sensação. Existe algo profundamente transformador na experiência de sentir a presença de Deus. É uma sensação de paz, de acolhimento e de conexão que parece ultrapassar aquilo que conseguimos explicar racionalmente.
Talvez parte dessa experiência também esteja na maneira como sou recebido e conduzido nesses encontros. É impossível não perceber o entusiasmo dos evangelizadores, a dedicação com que compartilham seus conhecimentos e, principalmente, a paixão pelo Espírito Santo que transmitem com tanta naturalidade. Existe algo contagiante em ver pessoas que não apenas conhecem aquilo que ensinam, mas demonstram viver verdadeiramente o que acreditam.
E, nesse ambiente, percebi nascer em mim uma nova paixão.
Ao olhar para minha história, consigo identificar três momentos em que senti florescer um amor de uma intensidade que mudou minha maneira de enxergar a vida: o nascimento do meu filho, o nascimento da minha filha e, agora, esses encontros de terça-feira.
Os dois primeiros me apresentaram a uma dimensão do amor que eu ainda não conhecia. O terceiro está me apresentando a uma dimensão da fé que, até então, eu não havia experimentado.
Talvez seja justamente isso que torna essa experiência tão especial. Não se trata apenas de voltar a frequentar uma igreja, participar de encontros ou aprender sobre uma doutrina. Trata-se de descobrir, de uma maneira muito particular, o desejo de conhecer, amar e me aproximar de Deus.
Passei por diferentes caminhos, tive dúvidas, vivi experiências religiosas distintas e, por muito tempo, não compreendi o que tantas pessoas queriam dizer quando falavam sobre sentir a presença divina.
Hoje, começo a compreender.
E se existe algo que essa nova etapa tem me ensinado é que a fé também pode ser um reencontro. Às vezes, precisamos percorrer caminhos diferentes para compreender algo que, de alguma maneira, já esteve presente em nossa história.
Quem prova do amor de Deus nunca mais quer saber de outra coisa.












