Santa Casa à beira do colapso: deputados denunciam silêncio do governo e alertam para caos na saúde de MT

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A possível venda do prédio da antiga Santa Casa de Misericórdia de Cuiabá acendeu o alerta máximo na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), que realizou nesta segunda-feira (19) uma audiência pública marcada por duras críticas à postura do governo estadual. Parlamentares foram enfáticos: o fechamento da Santa Casa representa um risco real de colapso na rede pública de saúde da capital e da Baixada Cuiabana.

 

“É inaceitável encerrar qualquer serviço ali. Essa casa é contra o fechamento da Santa Casa e vai reiterar essa posição ao Executivo. Mesmo sem um plano oficial do governo, o recado da Assembleia é claro: não aceitaremos a interrupção de atendimentos que salvam vidas”, disparou o deputado Paulo Araújo (PP), presidente da Comissão de Saúde, Previdência e Assistência Social da ALMT.

 

Segundo ele, o governador Mauro Mendes (União) se comprometeu a apresentar alternativas para a unidade hospitalar, mas até agora nenhuma proposta concreta foi colocada à mesa. “Estamos abertos a discutir modelos de gestão: terceirização, consórcio ou manutenção do atual. Mas o que não vamos permitir é o desmonte da saúde pública”, frisou.

Silêncio do governo revolta deputados

 

A ausência de uma definição oficial por parte do Executivo tem alimentado a insatisfação do Legislativo. O deputado Lúdio Cabral (PT), que também é médico, classificou o possível fechamento como um ataque direto à história de Mato Grosso. “Fechar a Santa Casa será uma vergonha para nosso Estado. Cuiabá só é capital porque teve essa instituição como base há mais de 200 anos”, afirmou.

 

Cabral sugeriu a desapropriação do prédio por parte do governo e a transferência da gestão ao Consórcio da Baixada Cuiabana — formado por 13 municípios — com o custeio mantido pelo Estado. “Dinheiro não falta. Há quase R$ 500 milhões em caixa só para a saúde. A Santa Casa pode ser gerida com autonomia, mantendo serviços fundamentais como oncologia e pediatria, que já são referência na região”, defendeu.

 

‘Governo precisa dar uma resposta à sociedade’, dizem parlamentares

 

O deputado Carlos Avallone (PSDB) também foi incisivo. Disse que os 24 deputados da Assembleia estão comprometidos em evitar o fechamento da unidade. “Não é solução abrir o Hospital Central e, ao mesmo tempo, fechar a Santa Casa. Isso é retroceder na saúde pública de Mato Grosso”, criticou.

 

Já o 1º secretário da ALMT, deputado Doutor João (MDB), propôs que a Santa Casa se transforme em um hospital especializado em oncologia. “A demanda por tratamento de câncer em Mato Grosso cresce, e o Hospital de Câncer de Cuiabá não consegue mais atender. A Santa Casa já realiza biópsias e pode ser estruturada para esse fim”, justificou.

 

Funcionários cobram venda do prédio e pagamento de dívidas trabalhistas

 

O presidente do Sindicato dos Enfermeiros de Mato Grosso, Dejamir Soares, defendeu a venda imediata do imóvel da Santa Casa para quitar dívidas com os trabalhadores, que já ultrapassam R$ 42 milhões. “A estrutura pertence aos funcionários. Falo como quem viveu a UTI da Santa Casa. O prédio precisa ser vendido e os colaboradores pagos com dignidade”, disse Soares.

 

Ele destacou que a unidade conta com 218 leitos hospitalares — sendo 177 de enfermaria, 41 de UTI e 10 centros cirúrgicos — e reforçou que essa estrutura é essencial para reduzir o gargalo de cirurgias no estado. “A Santa Casa é uma potência esquecida”, afirmou.

 

Secretaria de Saúde reconhece gravidade e promete ampliar debate

 

Presente na audiência, a secretária adjunta de Saúde do Estado, Patrícia Neves, afirmou que o governo está disposto a ampliar a composição da comissão que estuda a situação da Santa Casa. Ela também garantiu que o Executivo está sensível aos impactos da possível transição.

 

“Sabemos que muitos pacientes crônicos praticamente moram na Santa Casa. É nossa responsabilidade garantir atendimento a essas pessoas. Estamos abertos à participação de órgãos de controle e outras instituições nesse processo de transição, mas ainda aguardamos definições finais”, pontuou.

 

A sociedade exige respostas

 

Enquanto o governo adia uma decisão, cresce a pressão popular e institucional para que o futuro da Santa Casa seja definido com urgência — e com responsabilidade. O clima entre os deputados é de alerta máximo: o fechamento da unidade não será aceito.

 

“A Santa Casa é um símbolo da saúde pública em Mato Grosso. Perder essa estrutura seria uma tragédia para quem mais precisa”, concluiu Paulo Araújo.

 

 

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