Em um dos anos mais críticos para o meio ambiente, o Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso (CBMMT) reforçou sua atuação no combate ao uso irregular do fogo, aplicando mais de R$ 208,6 milhões em multas apenas em 2024. As ações de fiscalização ocorreram em 34 municípios e resultaram no embargo de cerca de 29,83 mil hectares, uma área equivalente a aproximadamente 30 mil campos de futebol.
As infrações identificadas incluem queimadas ilegais, descumprimento de embargos anteriores e práticas de desmatamento associadas ao uso ilícito do fogo. A estratégia de atuação do CBMMT envolveu 14 fiscalizações presenciais e duas grandes operações, que contaram com o apoio da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), da Polícia Militar e da Polícia Penal.
Desde 2019, com a promulgação da Lei Complementar nº 639, o Corpo de Bombeiros de Mato Grosso se tornou a única corporação do país autorizada a fiscalizar e aplicar multas administrativas diretamente relacionadas ao uso irregular do fogo. Esse instrumento legal conferiu maior agilidade e eficiência às ações de combate aos crimes ambientais no estado. De lá para cá, já foram aplicados mais de R$ 723 milhões em multas.
Em 2024, uma das principais inovações foi a intensificação da chamada Operação Infravermelho, que utiliza tecnologia de monitoramento remoto por satélites para identificar focos de calor em tempo real. Com isso, proprietários rurais são notificados por telefone antes mesmo da chegada das equipes a campo, o que tem gerado uma resposta mais rápida e uma redução no tempo entre a detecção e a repressão das práticas ilegais.
O governo estadual também estabeleceu, como medida preventiva, períodos proibitivos para o uso do fogo. Entre 1º de julho e 30 de novembro, fica proibida qualquer queima na região da Amazônia e do Cerrado; já no Pantanal, a proibição se estende até 31 de dezembro. Durante esse intervalo, todas as licenças para a realização de queima controlada estão suspensas, com exceção das atividades imprescindíveis, que devem ser autorizadas em caráter excepcional.
Para o comandante-geral do Corpo de Bombeiros, coronel Alessandro Borges, o volume de multas aplicadas e a extensão das áreas embargadas refletem não apenas o rigor da fiscalização, mas também a gravidade do cenário ambiental. “Estamos diante de um contexto de severos riscos ambientais, especialmente com a previsão de estiagens prolongadas e aumento de incêndios florestais. Nosso papel é coibir a prática ilegal do fogo, mas também orientar a sociedade sobre os riscos e impactos dessa conduta”, afirmou.
As ações do CBMMT são parte de uma política estadual que adota a tolerância zero com crimes ambientais e busca conciliar desenvolvimento econômico com sustentabilidade. Contudo, o desafio é imenso. Mato Grosso, que concentra boa parte do agronegócio nacional, também é um dos estados mais afetados por queimadas e desmatamento, especialmente nas regiões do Araguaia, Norte e Pantanal.
Para especialistas em meio ambiente, o modelo adotado por Mato Grosso, que alia tecnologia, fiscalização ostensiva e autuação administrativa direta, poderia servir de referência para outros estados brasileiros que ainda carecem de mecanismos mais eficientes de combate ao uso irregular do fogo. “O que diferencia Mato Grosso é justamente essa autonomia dada aos Bombeiros, que permite uma atuação mais próxima e integrada às realidades locais”, destacou o engenheiro florestal Rodrigo Lemos, consultor em políticas ambientais.
Além das operações repressivas, o Corpo de Bombeiros de Mato Grosso também mantém ações educativas, com campanhas de conscientização voltadas principalmente para produtores rurais e comunidades tradicionais, a fim de prevenir o uso inadequado do fogo, especialmente em atividades agrícolas.
O saldo, até o momento, é o de um estado que endureceu suas políticas ambientais, mas que ainda enfrenta uma batalha desigual contra práticas culturais e econômicas profundamente enraizadas. A fiscalização é rigorosa, mas a mudança cultural ainda caminha a passos lentos, em um cenário no qual a preservação dos biomas depende não apenas da aplicação de multas, mas da adesão efetiva da sociedade às práticas sustentáveis.
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