Efeitos do clima acende alerta para a soja em fase decisiva

Publicidade

A soja do Matopiba entrou na fase mais sensível do ciclo sob um cenário climático que exige atenção redobrada do produtor. Chuvas irregulares em janeiro, combinadas com temperaturas elevadas, comprometeram a semeadura e o estabelecimento inicial das lavouras em áreas do Maranhão e da Bahia, justamente em um momento em que a cultura começa a demandar maior regularidade hídrica para sustentar o enchimento de grãos.

Em grande parte da região — que reúne Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia — o padrão climático do início do ano foi marcado por precipitações abaixo do esperado e calor persistente, com médias próximas de 28 °C. O resultado foi atraso operacional, desuniformidade das plantas e maior pressão sobre lavouras que já entraram em desenvolvimento com menor vigor.

A mudança prevista no regime de chuvas para fevereiro pode aliviar parte desse estresse. A expectativa de volumes acima da média tende a recompor a umidade do solo e favorecer áreas que ainda buscam recuperação. No entanto, esse mesmo cenário traz um novo ponto de atenção: o aumento do risco fitossanitário. Ambientes mais úmidos e quentes ampliam a incidência de doenças fúngicas, exigindo monitoramento constante e decisões rápidas de manejo.

O comportamento do clima no Matopiba reforça uma realidade cada vez mais presente no campo: o impacto produtivo não está apenas associado a fenômenos climáticos de grande escala, mas à forma como o tempo se organiza localmente ao longo do ciclo da cultura. Pequenas falhas na distribuição das chuvas, especialmente durante o enchimento de grãos, podem resultar em perdas significativas de produtividade.

Segundo análises meteorológicas, lavouras que atravessam essa fase com déficit hídrico tendem a reduzir o peso final dos grãos, mesmo quando o volume total de chuva do mês parece adequado. Por isso, o acompanhamento diário das condições climáticas passou a ser tão estratégico quanto o planejamento da safra.

Enquanto o Matopiba tenta recuperar ritmo, o Centro-Oeste vive um cenário distinto. A menor frequência de chuvas em janeiro facilitou o avanço da colheita em Mato Grosso e Goiás, reduzindo interrupções no campo. Ainda assim, áreas de ciclo mais longo e regiões de Mato Grosso do Sul seguem vulneráveis ao estresse hídrico, especialmente se o padrão seco persistir em fevereiro.

No Sul do País, a preocupação é maior. No Rio Grande do Sul, lavouras que já sofreram com estiagem no fim de 2025 agora enfrentam a perspectiva de déficit hídrico prolongado, somado a temperaturas elevadas. Esse conjunto de fatores pode limitar o enchimento de grãos e ampliar a variabilidade de produtividade entre áreas.

Para especialistas, o cenário atual reforça a necessidade de decisões regionalizadas. A soja responde de forma direta à disponibilidade de água nesta fase do ciclo, e o produtor que baseia suas estratégias apenas em médias nacionais corre mais risco de errar no manejo.

No Matopiba, onde o clima costuma antecipar tendências para outras regiões, o momento é de leitura fina do tempo, ajuste de tratos culturais e atenção máxima à sanidade. Mais do que nunca, o clima não dita apenas a safra — dita o manejo do dia seguinte.

PENSAR AGRO

Compartilhe essa Notícia:

publicidade

publicidade