Processo alega que redes sociais da Meta facilitaram a exploração sexual de crianças e adolescentes – e que a empresa teria lucrado com isso
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A Meta vai a julgamento na próxima semana, no Novo México (EUA). A empresa vai responder à acusação de que suas redes sociais facilitam a exploração sexual de crianças e adolescentes. O processo, aberto pelo procurador-geral Raúl Torrez, alega que Facebook, Instagram e WhatsApp permitiram que criminosos encontrassem vítimas de menores de idade. E que a Meta teria lucrado com isso.
Este é o primeiro caso desse tipo contra a big tech a chegar ao júri popular. Os objetivos da ação judicial são conseguir indenização em dinheiro e obrigar a Meta a mudar o funcionamento de suas plataformas para garantir a segurança de usuários jovens.
O processo veio após a Operação MetaPhile. Investigadores criaram perfis falsos nos quais fingiram ser crianças com menos de 14 anos de idade. Nessas contas, agentes receberam conteúdo sexual explícito e abordagens de adultos (lembra do “algoritmo P” no vídeo do Felca sobre adultização?). Por isso, apontou que a Meta não usa ferramentas básicas, como verificação de idade, para barrar predadores sexuais.
Além disso, o julgamento deve analisar o papel dos chatbots de inteligência artificial (IA) da Meta. Recentemente, a imprensa internacional repercutiu que regras internas da empresa permitiam que esses robôs tivessem conversas de cunho romântico e sexual com crianças. A acusação pretende usar esses dados para apontar que a segurança não era prioridade no desenvolvimento dessas novas tecnologias.
A Meta diz que as acusações são exageradas e baseadas em documentos selecionados de maneira tendenciosa. A empresa também argumenta que oferece proteções robustas para usuários jovens. E que não pode ser responsabilizada pelo que usuários postam (os EUA têm leis federais que protegem plataformas digitais sobre conteúdo gerado por terceiros).
Além disso, a big tech disse ter tomado medidas que diminuíram o ritmo de entrada de usuários jovens nas suas plataformas. Em outras palavras, a empresa afirmou ter sacrificado seu próprio crescimento e lucro em prol da proteção de usuários menores de idade.
(Essa matéria usou informações da Reuters.)
Pedro Spadoni é jornalista formado pela Universidade Metodista de Piracicaba (Unimep). Já escreveu para sites, revistas e até um jornal. No Olhar Digital, escreve sobre (quase) tudo.










