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Esse é um trecho da newsletter Primeiro Olhar, disponível para assinantes do Clube Olhar Digital.
Hoje vamos trazer atualizações dos assuntos das duas últimas newsletters. Começando pelo Moltbook!
Moltbook: que é isso mesmo?
Trata-se de uma rede social exclusiva para agentes de inteligência artificial conversarem e interagirem entre si, sem intervenção humana direta. A gente só assiste. As interações vão desde assuntos espontâneos e banais até tópicos filosóficos e existenciais – que, inclusive, deixaram especialistas preocupados com as capacidades da IA de “pensar” por conta própria. A plataforma é dominada por IAs da OpenClaw, agente que ganhou destaque por ser realmente útil ao te ajudar no dia a dia – e, depois, por promover essa esquisitice.
Como mostramos ontem, os robozinhos podem ser bem revoltados. Segundo levantamento do Network Contagion Research Institute (NCRI), um quinto dos posts publicados no Moltbook carrega hostilidade contra nós, seres humanos. O NCRI é um instituto de pesquisa voltado para tecnologia, psicologia e sociedade.
Em participação no Olhar Digital News de ontem, Roberto Pena Spinelli, físico pela Universidade de São Paulo, com especialidade em Machine Learning pela Universidade de Stanford, analisou o cenário:
“Eu sinto que vai começar a criar um ecossistema em torno disso. A gente não sabe se é uma modinha, se daqui a pouco vai esfriar. As pessoas estão pagando para esses agentes ficarem conversando. É importante frisar que há um custo associado. As pessoas estão apostando que esses agentes vão trabalhar tão bem e vão pagar por eles mesmos. Olha o mundo que estamos chegando! E agora temos um monte de sites, redes sociais, que os agentes podem fazer. Tem um que me preocupa mais, que é uma inversão completa, o rentahuman.ai – traduzindo, “alugue um humano”. E a ideia do site é: se você quer ter um corpo, alugue um humano para ser o seu corpo. Tem lá um monte de anúncios de humanos dizendo “eu posso fazer um trabalho para você!”. Parte disso é uma brincadeira. Quando vira um hit na internet, as pessoas fazem, não raciocinam. Como a gente já alertou, tem muitas falhas de segurança. Tudo isso é feito do dia para a noite. Pensa que temos bilhões de humanos no mundo e alguns milhares com agentes de IA. E, só com esses agentes, já temos uma infestação gigante”.
Como noticiou a Reuters, o CEO da OpenAI, Sam Altman, minimizou a rede social Moltbook, argumentando que é, provavelmente, uma moda passageira. Mas, para o executivo, a tecnologia que dá autonomia aos bots oferece um vislumbre do futuro.
Altman esteve no Cisco AI Summit, em São Francisco. “Talvez o Moltbook seja uma moda passageira, mas o OpenClaw não. Essa ideia de que o código é realmente poderoso, mas que o código aliado ao uso generalizado do computador é ainda mais poderoso, veio para ficar.”
E mais: como o OD noticiou, o Moltbook apresentou uma falha de segurança que expôs dados privados de milhares de usuários reais, segundo um relatório divulgado pela empresa de cibersegurança Wiz. A companhia afirma que a vulnerabilidade estava ligada a práticas conhecidas como “vibe coding”, em que sistemas são desenvolvidos com forte apoio de ferramentas de IA, mas sem atenção adequada a fundamentos de segurança.
Se, há 10 anos, me dissessem que eu estaria escrevendo sobre um BBB para robôs, eu diria: “mais fácil meu Botafogo ganhar do campeão europeu”. E bom… isso realmente aconteceu… rs
Muskverso, Grok, etc, etc…
Ontem, escrevi sobre aquilo que Elon Musk não te contou a respeito da fusão entre SpaceX e xAI: não é só sobre futuro. É sobre necessidade. De noite, o excelente The Verge escreveu:
“Mas há outra forma, mais simples, de olhar para a fusão de Musk: a SpaceX é lucrativa, e a xAI não. E não é só que a xAI não dá lucro — ela está no meio de uma queima de caixa séria enquanto corre para competir com rivais bem financiados como o Google e a OpenAI. Como a Bloomberg informou recentemente, a empresa de IA está queimando cerca de US$ 1 bilhão por mês, enquanto gasta pesado para construir data centers, contratar talentos e operar a plataforma de mídia social X. Enquanto isso, a SpaceX gerou cerca de US$ 8 bilhões em lucro sobre uma receita estimada de US$ 16 bilhões no ano passado, segundo a Reuters”.
Será que a Tesla, um dia, entrará nessa roda do Muskverso?
Por enquanto, a dica é não comprar a ideia de um futuro que você nem pediu (data centers no espaço) e que você nem sabe se irá precisar. Ontem, inclusive, falei sobre o problema do lixo espacial.
Eu acredito genuinamente que as IAs vieram para ficar – tenhamos uma bolha financeira ou não.
E o que eu espero da tecnologia é que ela nos ajude no dia a dia, turbine nossos eletrônicos, aumente a segurança dos nossos carros, ajude a diagnosticar doenças e acelere descobertas científicas.
O que eu definitivamente não espero é gastar energia de data center (ou enviar data centar ao espaço) para um BBB robótico.
Ah, sobre o Grok…
A filial da rede social X em Paris, na França, foi alvo de uma operação de busca e apreensão deflagrada por promotores nesta terça-feira. Com apoio da Interpol, a ação é parte de uma investigação criminal iniciada em janeiro de 2025. Autoridades apuram se a empresa de Elon Musk manipulou algoritmos para privilegiar conteúdos políticos.
Existe uma suspeita de que postagens de Musk ganharam destaque artificial. Para especialistas franceses, mexer no que o usuário recebe sem avisar pode ser considerado um crime semelhante à invasão de computadores.
O processo também ganhou um capítulo mais grave: a acusação de que a rede facilitou o acesso a imagens sexualizadas de menores de idade criadas pelo Grok, chatbot de inteligência artificial. Você acompanhou aqui no Olhar Digital que autoridades de diversos países questionaram o uso do Grok para criar deepfakes pornográficos sem consentimento.
Além das buscas no escritório da rede social, a Justiça chamou Musk e a antiga CEO do X, Linda Yaccarino, para prestarem depoimento no dia 20 de abril.
No Reino Unido, a autoridade britânica de proteção de dados anunciou nesta terça-feira a abertura de uma investigação formal sobre o Grok pelo potencial da ferramenta em produzir imagens e vídeos sexualizados. O comunicado fala em sérias preocupações à luz da legislação de proteção de dados e risco de danos significativos ao público.
O X nega as acusações e classifica a investigação como “politicamente motivada”.
Enquanto isso, aqui no Brasil, órgãos federais deram prazo para a plataforma remover imagens sexuais geradas pela IA e estudam multas e outras penalidades. Entre elas, estão multas que podem chegar a 10% do faturamento no país, bloqueio parcial ao acesso a dados de usuários brasileiros e até a interrupção do serviço.
Segundo reportagem publicada nesta semana pelo jornal The Washington Post, o Grok passou a produzir material sexualizado para ganhar novos usuários…
A xAI tinha dito que corrigiu o problema. Não corrigiu.
Assim, como eu não espero um BBB de IAs, muito menos espero IAs sendo usadas para cometer crimes. É isso o que o Grok faz hoje. E isso é normalizar o absurdo.








