Sem o profissional de TI, 2026 simplesmente não funciona

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Se houvesse, até recentemente, uma visão simplista do profissional de Tecnologia da Informação como alguém cuja relevância residia apenas na capacidade de escrever código ou manter sistemas, essa perspectiva já não subsiste à realidade de 2026. A tecnologia é a infraestrutura invisível que modela decisões de negócio, define experiências de clientes, sustenta operações críticas e molda a capacidade de adaptação das organizações frente a crises, mudanças regulatórias e competitividade global.

No Brasil, de acordo com o Guia Salarial 2026 da Robert Half, 44% das empresas brasileiras pretendem expandir suas equipes de Tecnologia da Informação e quase metade está disposta a pagar salários mais altos a profissionais certificados e estrategicamente preparados – um indicador claro de que a valorização da área extrapola competências técnicas isoladas e mira perfis capazes de integrar visão estratégica e habilidades humanas ao domínio tecnológico.

Este ambiente em que a tecnologia se torna onipresente nas operações e na estratégia corporativa transforma a natureza do trabalho tecnológico. Se antes a TI era chamada apenas para “resolver problemas técnicos”, hoje ela molda decisões sobre riscos, compliance, experiência de cliente e competitividade digital, áreas que estão no centro da agenda de liderança.

Um erro de sistema, uma falha de segurança ou um modelo de automação mal concebido pode ter impacto direto em receita, reputação e até continuidade do negócio. Isso confere ao profissional de TI uma posição de influência sobre resultados que vão muito além da execução técnica. O engenheiro e arquiteto de dados, por exemplo, estão no epicentro de decisões que antes eram domínio exclusivo de executivos de negócios.

Essa importância, contudo, não está vinculada apenas à capacidade de resolver problemas técnicos isoladamente. O diferencial competitivo está em combinar domínio tecnológico com capacidade de leitura do contexto organizacional, compreensão de implicações éticas, adaptação regulatória e comunicação com stakeholders não técnicos.

Em um mundo em que uma falha de segurança pode custar milhões ou em que decisões algorítmicas podem gerar vieses e discriminações sérias, as escolhas tecnológicas se tornam escolhas humanas com consequências sociais amplas.

A exigência por competências híbridas

Outro fator que reforça essa importância ampliada é o ritmo de transformação das próprias competências. Com a adoção massiva de inteligência artificial, automação e novas arquiteturas tecnológicas, muitas habilidades técnicas específicas têm uma “vida útil” cada vez mais curta, em média menos de três anos.

Isso significa que o profissional de TI que não atualiza continuamente seu repertório não só perde relevância técnica, como também diminuirá sua capacidade de contribuir estrategicamente.

Essa realidade intensifica a necessidade de aprendizado contínuo e de desenvolvimento de competências híbridas, cognitivas, sociais e éticas, que não podem ser simplesmente automatizadas ou terceirizadas a ferramentas digitais.

A importância não exclui riscos

É verdade que o impacto de tecnologias como IA pode substituir certas funções rotineiras ou reconfigurar equipes tradicionais. Mas substituir tarefas é diferente de substituir o valor estratégico que os profissionais trazem quando integrados aos processos de tomada de decisão.

A tecnologia pode otimizar a detecção de ameaças ou automatizar processos simples, mas não pode julgar contextos complexos, pesar trade-offs éticos ou assumir responsabilidade por decisões cujas consequências extrapolam métricas operacionais.

É justamente esse papel que faz do profissional de TI um dos agentes mais importantes de 2026. Ele é um mediador entre a lógica técnica e as demandas humanas, organizacionais e sociais que a tecnologia incorpora e revela.

Nesse ano, o profissional de TI será um dos pilares das organizações e da própria sociedade digital, alguém cuja capacidade de compreender impacto, gerenciar riscos e traduzir tecnologia em valor sustentável terá peso estratégico real.

Em um mundo onde tecnologia e decisões se fundem, sua importância não é apenas projetada por demanda de mercado, mas definida pela centralidade de seu papel no tecido das operações e na governança de futuro.

Olhar Digital

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