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Tudo sobre Inteligência Artificial
O mundo da tecnologia de ponta está “nas mãos” de uma tecelagem japonesa centenária. Isso porque uma empresa pouco conhecida chamada Nittobo domina a produção de um vidro ultrafino essencial para o funcionamento de chips de inteligência artificial (IA).
Como essa companhia é praticamente a única fornecedora desse material no mundo, a falta dele no mercado tem gerado um gargalo que afeta diretamente gigantes da tecnologia como Apple e Nvidia.
Para você ter ideia, a situação é tão séria que a Apple, que geralmente prefere não lidar diretamente com fornecedores de matéria-prima, chegou a enviar gerentes ao Japão para negociar e tentar garantir que não fiquem sem o material, chamado de T-glass. É que o vidro ultrafino, agora escasso, deve ficar mais caro.
O que é T-glass e por que ele é importante para IA (a ponto de encarecer eletrônicos)
Imagine que, para criar os chips superpotentes que fazem o ChatGPT ou os novos iPhones funcionarem, as empresas não precisam apenas de software e eletricidade, mas de um tipo especial de “tecido” feito de vidro.
É aí que o T-glass entra nessa história. Ele é uma folha de vidro ultrafina, composta por fibras microscópicas tecidas juntas, mais finas que um fio de cabelo humano.
Para que serve? Quando os chips de IA trabalham, eles esquentam muito (chegam perto da temperatura de ebulição da água). Sem alguma proteção, o calor faria com que o “pacote” onde o chip está montado se deformasse ou entortasse. O T-glass funciona como uma camada de reforço que mantém tudo estável e reto, garantindo que o chip não quebre ou falhe.
Surpreendentemente, quase todo o suprimento mundial desse material vem de uma única empresa japonesa, a Nittobo (Nitto Boseki), que existe há mais de 100 anos. Ela começou em 1923 fabricando seda e algodão. E usou esse conhecimento secular de tecelagem para aprender a “tecer” vidro.
Como o processo de fabricação é extremamente difícil e exige “receitas” secretas de materiais, os concorrentes não conseguem alcançar a qualidade da Nittobo facilmente.

Com o “boom” da IA, empresas gigantes como Nvidia e Apple estão desesperadas por chips. Consequentemente, a demanda pelo T-glass da Nittobo disparou.
Porém, a Nittobo é cautelosa. Eles não querem construir fábricas gigantescas às pressas e depois ficar com máquinas paradas se a “febre” da IA passar. Por isso:
- Há escassez: Não há T-glass suficiente para todo mundo agora;
- Os preços vão subir: Analistas preveem que o preço do material pode subir 25% ou mais em 2026;
- Novas fábricas demoram: A Nittobo só espera aumentar sua produção de forma significativa no final de 2026.
Você pode sentir o impacto no bolso. Isso porque empresas como a Nvidia, que faz chips poderosos para IA, têm muito dinheiro e estão dispostas a pagar o que for preciso para garantir o material primeiro. Como a oferta de T-glass é pequena, a Nittobo prioriza quem paga mais e compra em grandes quantidades para projetos caríssimos de IA.
Enquanto gigantes como a Nvidia garantem suas partes, os fabricantes de smartphones, tablets e notebooks comuns vão para o final da fila. Como esses produtos são vendidos em grandes volumes e têm margens de lucro menores, eles recebem “baixa prioridade”. Daí a expectativa de que a escassez atinja os eletrônicos de consumo. Se não há material suficiente para todos, os aparelhos que usamos no dia a dia são os que mais sofrem com a falta de componentes.
Quando um ingrediente básico fica raro e caro, o custo de produção de todo o aparelho aumenta. E as fabricantes de celulares e laptops não vão querer absorver esse prejuízo sozinhas. Elas repassam esse custo extra para o preço final do produto. Ou seja, o aumento começa lá na matéria-prima, passa pela fábrica de chips, pela montadora do aparelho e, finalmente, chega na etiqueta de preço que você vê na loja.
(Essa matéria usou informações de Wall Street Journal.)








