O ‘laser cósmico’ descoberto graças a um truque de Albert Einstein

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Astrônomos na África do Sul, utilizando o radiotelescópio MeerKAT, detectaram um “laser espacial” recordista localizado a mais de oito bilhões de anos-luz da Terra. O sinal é tão potente e brilhante que os pesquisadores sugeriram classificá-lo como um gigamaser, nível de energia acima do que era conhecido até então.

Esse fenômeno ocorre em galáxias que estão se chocando de forma violenta. Ele funciona como uma espécie de farol cósmico que brilha através de vastas distâncias do Universo. A luz captada agora partiu de sua origem quando o Cosmos tinha menos da metade da idade atual. Isso ajuda os cientistas a entenderem o crescimento e a evolução de galáxias antigas.

Como uma ‘lente’ natural no espaço ampliou o sinal do laser

O sinal do laser só pôde ser visto porque passou por uma lente gravitacional, efeito no espaço previsto por Albert Einstein. No caminho para a Terra, uma galáxia perfeitamente alinhada funcionou como uma lente de aumento

“Essa galáxia age como uma lente, igual uma gota d’água num vidro, porque sua massa curva o espaço-tempo local”, explicou Thato Manamela, da Universidade de Pretória, que liderou a pesquisa.

Montagem com ilustração de como radiotelescópio MeerKAT detectou laser espacial no espaço
O sinal do laser só pôde ser visto pelo radiotelescópio MeerKAT porque passou por uma lente gravitacional (Imagem: Observatório Sul-Africano de Astronomia de Rádio – SARAO)

Embora os cientistas usem o termo “laser”, este objeto dispara micro-ondas (ondas de rádio) em vez de luz visível. Por isso, é tecnicamente chamado de maser. Ele é criado quando galáxias colidem e “apertam” nuvens de gás, fazendo com que moléculas de hidroxila se agitem e emitam um feixe de rádio muito intenso.

Este sistema é realmente extraordinário. Estamos observando o equivalente em rádio de um laser a meio caminho do Universo.

Thato Manamela (Universidade de Pretória), principal autor do estudo

O sistema descoberto recebeu o nome técnico de HATLAS J142935.3–002836. E é o mais distante desse tipo já registrado (daí o “recordista” no primeiro parágrafo desta matéria). Aliás, a pesquisa destacou a capacidade da tecnologia sul-africana em processar terabytes de dados para encontrar sinais fracos e distantes.

Antigamente, esses fenômenos eram considerados extremamente raros. Mas telescópios sensíveis como o MeerKAT estão começando a encontrá-los com mais frequência. Mesmo vindo de “metade do caminho” através do Universo, este gigamaser produziu um sinal surpreendentemente forte graças à combinação da tecnologia humana com os efeitos naturais do espaço.

Os cientistas afirmam que esta é apenas a primeira de muitas descobertas. O objetivo é encontrar milhares de sistemas semelhantes nos próximos anos. Esse trabalho prepara o caminho para o projeto Square Kilometre Array (SKA), que será o maior esforço de astronomia (de rádio) do mundo para mapear a história do Universo.

O estudo foi aceito para publicação no periódico científico Monthly Notices of the Royal Astronomical Society Letters.

(Essa matéria usou informações do Observatório Sul-Africano de Astronomia de Rádio – SARAO.)

Olhar Digital

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