União Europeia aperta o cerco contra monopólio de Big Techs dos EUA na IA

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A autoridade antitruste da União Europeia (UE), Teresa Ribera, anunciou nesta quinta-feira (12) que o bloco colocou sob vigilância a cadeia completa de produção da inteligência artificial (IA)

O objetivo é mapear possíveis abusos de poder econômico no que os técnicos chamam de “stack” de IA: conjunto de camadas que funciona como o alicerce invisível dessa tecnologia.

“Estamos analisando toda a pilha [stack] de IA”, disse a chefe antitruste da UE na Conferência Internacional sobre Concorrência em Berlim, na Alemanha.

Segundo Teresa, o foco não está apenas nas aplicações finais, “mas também nos modelos subjacentes que as alimentam, nos dados de treinamento e na infraestrutura de nuvem e fontes de energia em sua base”.

Na prática, essa varredura foca em Big Techs sediadas nos Estados Unidos, como Nvidia e Meta, para evitar o que Ribera define como o “enraizamento do poder corporativo”

A preocupação do bloco econômico é que gigantes do setor utilizem o controle sobre recursos básicos para asfixiar novos concorrentes antes mesmo que eles consigam crescer.

O primeiro grande ponto de estrangulamento identificado pelos investigadores europeus é a dependência extrema de hardware especializado. No caso, as unidades de processamento gráfico (GPUs). 

Esses chips funcionam como motores de alta performance que executam os cálculos complexos necessários para a IA. Atualmente, é um dos itens mais escassos e disputados do setor.

Logo da Nvidia em um smartphone, com uma placa-mãe atrás, cuja CPU leva os dizeres
Reguladores europeus estão de olho no domínio da Nvidia no mercado de IA (Imagem: Mijansk786/Shutterstock)

Nesse cenário, a Nvidia ocupa uma posição de destaque absoluto. Para você ter ideia, a empresa tem uma fatia de mercado estimada em mais de 80%

Com o modelo H100, a empresa tornou-se a fornecedora dominante. Concorrentes como AMD e Intel disputam pelo restante do setor.

Tamanha concentração de mercado é vista com cautela pelos reguladores. Eles monitoram se essa liderança tem prejudicado o acesso de outras empresas a infraestrutura.

Além do hardware, a União Europeia examina como o acesso aos usuários finais tem sido mediado pelas grandes plataformas. 

Um caso central envolve a Meta, acusada de adotar práticas que dificultam a entrada de assistentes virtuais de outras empresas em seus serviços. 

A principal suspeita é que a companhia tenha tentado bloquear o uso de chatbots de concorrentes dentro do WhatsApp. Isso caracterizaria uma barreira artificial à concorrência.

Recentemente, a Meta apresentou uma proposta para substituir o bloqueio total desses rivais pela cobrança de uma taxa de acesso. Teresa Ribera afirmou que sua equipe avalia se essa cobrança é justa ou se ainda representa um obstáculo indevido. 

Uma decisão final sobre a necessidade de uma intervenção direta do bloco europeu nesse modelo de negócio da Meta deve ser anunciada em breve.

As empresas que não se adequarem às normas de defesa da concorrência enfrentam riscos que vão além do prejuízo financeiro. 

Caso investigações formais comprovem violações, a UE pode aplicar multas pesadas. E, principalmente, exigir mudanças estruturais nas práticas comerciais das companhias. Por exemplo: forçar a abertura de ecossistemas.

(Essa matéria usou informações da Bloomberg.)

Olhar Digital

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