Tudo sobre Artemis
Finalmente, chegou o grande dia! Na noite desta quarta-feira (1), se tudo continuar saindo de acordo com o planejado pela NASA, a missão Artemis 2 vai decolar em uma viagem de 10 dias ao redor da Lua. Levando quatro astronautas a bordo, o voo marca o retorno da humanidade à órbita do satélite natural da Terra após mais de 50 anos desde a nossa última visita, com a missão Apollo 17, em 1972.
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Com transmissão ao vivo em todas as plataformas do Olhar Digital a partir das 18h30, o lançamento está programado para uma janela de duas horas que se abre às 19h24 (horário de Brasília). Caso não aconteça na quarta por qualquer motivo, novas oportunidades estão previstas para os dias 2, 3 e 6 de abril. Depois disso, outra janela se abre no fim do mês – entenda aqui o que são janelas de lançamento.
Neste guia, você vai conhecer todos os detalhes dessa missão histórica, que representa uma fase crucial do novo programa de exploração lunar da NASA. Na sequência, a missão Artemis 3 será lançada em órbita baixa da Terra, com o objetivo de testar as operações integradas entre a espaçonave Orion e os módulos de pouso comerciais da SpaceX e da Blue Origin. Prevista para 2027 ou 2028, ela será seguida pela Artemis 4, que fará história ao realizar o primeiro pouso humano na Lua na era Artemis.
Visão geral da missão Artemis 2
Conheça a tripulação Artemis 2
A tripulação Artemis 2 é composta pelos astronautas Reid Wiseman, Victor Glover e Christina Koch, da NASA, e Jeremy Hansen, da Agência Espacial Canadense (CSA). Como não haverá pouso, nenhum deles pisará na Lua – o foco desta vez será sobrevoar o satélite, testar os sistemas da espaçonave e garantir que toda a infraestrutura humana e tecnológica esteja pronta para as próximas fases do programa. Veja o perfil de cada um deles aqui.

Sobre o foguete SLS e a cápsula Orion
A missão Artemis 2 será lançada pelo superfoguete Space Launch System (SLS), desenvolvido pela NASA para lançar missões tripuladas e de cargas à Lua e além. O veículo mede cerca de 98 m de altura, pesa aproximadamente 2.870 toneladas quando cheio de combustível e consegue gerar força suficiente para levantar quase 4.000 toneladas da Terra de uma vez. A versão atual (Block 1) pode levar mais de 27 toneladas em direção à Lua, de acordo com um comunicado da agência.
O SLS usa um “core stage” (estágio central) com quatro motores RS‑25 e dois grandes propulsores sólidos para vencer a gravidade terrestre e impulsionar a Orion em direção ao espaço profundo. O foguete de alto desempenho fornece a potência necessária para que a cápsula atinja uma velocidade de 39.418 km/h (24.500 mph), o necessário para enviá-la à Lua.
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A espaçonave tem cerca de nove metros cúbicos de espaço habitável, que é equivalente ao de um pequeno caminhão de mudanças. Algumas fontes indicam pequenas variações, mas a diferença não passa de meio metro cúbico. O ambiente reduzido exige planejamento cuidadoso para assentos, trajes espaciais e equipamentos de pesquisa. Saiba mais sobre a cápsula Orion aqui.
O “mascote” da missão
Além de Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen, a missão Artemis 2 também conta com um “quinto elemento”: Rise, o mascote de pelúcia que servirá como indicador de gravidade zero.
Essa é uma tradição que remonta ao início da exploração espacial humana, na década de 1960, iniciada por uma missão da União Soviética. Para saber mais sobre o mascote Rise e a história dos indicadores de gravidade zero, clique aqui.
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Crédito: NASA
Como será a rotina dos astronautas
Segundo a NASA, aproximadamente oito minutos após o lançamento, a espaçonave Orion estará em órbita. Durante os 10 dias de voo, os tripulantes realizarão testes de sistemas, exercícios físicos, manobras de navegação e observações da Lua, enquanto as equipes de solo acompanham cada passo.
Veja aqui a agenda completa, com a programação das atividades diárias da tripulação.
Leia mais:
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Como a tripulação vai se alimentar
Viajar à Lua exige muito planejamento, inclusive em relação à alimentação. Para o cardápio da missão Artemis 2, a NASA elaborou refeições seguras, práticas e nutritivas, pensadas para durar toda a viagem sem refrigeração ou reabastecimento.
Nos primeiros voos tripulados da NASA, entre 1958 e 1963, o programa Mercury lançou astronautas à órbita da Terra para avaliar como o corpo humano se comporta no espaço. Na época, as refeições eram simples e pouco atraentes: cubos de proteína, líquidos em tubos e pós liofilizados. Além disso, migalhas flutuavam em microgravidade, podendo danificar equipamentos ou ser inaladas, tornando cada refeição um desafio. Esses testes abriram caminho para a evolução da comida espacial.
Agora, a alimentação no espaço evoluiu muito. Os menus de Artemis 2 são variados, estáveis e fáceis de preparar – saiba detalhes aqui.
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Marcos importantes da missão
A missão Artemis 2 deverá entrar para a história como:
- Primeira missão tripulada do século XXI a orbitar a Lua: nenhuma missão humana desde a Apollo 17 em 1972 chegou tão longe;
- Diversidade: além de ter a primeira mulher e o primeiro homem negro a ultrapassar a órbita baixa da Terra, a tripulação forma a primeira equipe internacional a atingir a órbita da Lua – todos os astronautas das missões Apollo eram dos EUA;
- Distância recorde: a cápsula Orion vai orbitar a Lua e retornar, alcançando cerca de 410 mil km da Terra, o que supera o recorde da Apollo 13 (400.171 km) e a torna a missão humana a ir mais longe do planeta;
- Velocidade de reentrada recorde: cápsula Orion retornará à Terra a mais de 40 mil km/h, a maior velocidade de reentrada de uma espaçonave tripulada desde as missões Apollo.
Lucas Soares
Lucas Soares é editor de Ciência e Espaço no Olhar Digital e formado em Jornalismo pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Foi repórter da RedeTV!, onde cobriu política, saúde e as eleições de 2018









