Um cientista da computação britânico negou categoricamente ser o misterioso criador do Bitcoin, depois que uma investigação do New York Times o apontou como sendo Satoshi Nakamoto, o enigmático desenvolvedor da criptomoeda.
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Adam Back, empreendedor nascido em Londres, foi identificado pelo jornalista John Carreyrou após anos de investigação para desmascarar a identidade real por trás do white paper do Bitcoin, documento que estabeleceu as bases teóricas das moedas digitais modernas.
Em resposta às alegações, Back escreveu no X: “Eu também não sei quem é Satoshi, e acho que isso é bom para o Bitcoin, pois ajuda a ser visto como uma nova classe de ativo, a mercadoria digital matematicamente escassa”.
Metodologia da investigação
Carreyrou chegou a Back após analisar décadas de postagens antigas na internet, identificando semelhanças entre os escritos do cientista e de Nakamoto. A investigação incluiu comentários casuais como “sou melhor com código do que com palavras” e interesses de nicho compartilhados.
O jornalista comparou cronologias dos dois personagens, notando que Back ficou inativo em fóruns de criptografia durante o período em que Satoshi emergiu como figura ativa. Utilizou também inteligência artificial para comparar padrões de linguagem entre ambos.
Back era membro dos cypherpunks, uma comunidade online de criptografia anarquista dos anos 1990, ambiente do qual Nakamoto também fazia parte.
Confronto em conferência
Durante uma conferência de Bitcoin em El Salvador, Carreyrou confrontou Back com as evidências coletadas. Segundo o jornalista, o cientista ficou vermelho e desconfortável, chegando a fazer um deslize conversacional que sugeria falar como se fosse o próprio Satoshi.
“Ele removeu qualquer dúvida restante na minha mente de que eu tinha o homem certo”, escreveu Carreyrou.
Back atribuiu as coincidências ao acaso, descrevendo os indícios como “uma combinação de coincidência e frases similares de pessoas com experiências e interesses parecidos”.
Reações da comunidade
As reações às alegações foram mistas. Domer, conhecido apostador da plataforma Polymarket, declarou: “Depois de ler o artigo, estou apostando com 99% de certeza que você é Satoshi”.
Outros especialistas mantiveram ceticismo. Stephen Murdoch, professor de ciência da computação da University College London, comentou: “Há alguma indicação de que seja ele, mas não há uma prova definitiva”.
Murdoch ainda considera Hal Finney o candidato mais provável, especialmente porque Finney recebeu a primeira transação de Bitcoin de Satoshi. “É prática comum testar um sistema enviando algo para si mesmo”, explicou.
Teoria do grupo
Jacky Mallett, professora assistente de ciência da computação na Universidade de Reykjavík, acredita que Satoshi “quase certamente é mais de uma pessoa”. Ela aponta atualizações no código do Bitcoin que sugerem múltiplos contribuidores.
“Acho que havia um pequeno grupo de pessoas por trás disso, e que eles entendiam de estruturas financeiras mais do que são creditados”, afirmou Mallett.
Implicações financeiras
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Back é proprietário de uma empresa de tesouraria de Bitcoin que está se fundindo com uma companhia de capital aberto criada pela Cantor Fitzgerald, anteriormente liderada por Howard Lutnick, atual secretário de comércio dos Estados Unidos.
Caso Back fosse realmente Nakamoto e possuísse os 1,1 milhão de Bitcoins estimados do criador da moeda – avaliados em dezenas de bilhões de libras -, ele seria obrigado a divulgar essa informação à Comissão de Valores Mobiliários americana, já que tal fortuna poderia afetar materialmente o mercado de Bitcoin.
“Somos todos Satoshi”, concluiu Back em sua postagem no X, encerrando o assunto.
Fonte: theguardian.com











