Arqueólogos que atuam no Complexo de Templos de Karnak, em Luxor, no Egito, antes conhecida como Tebas, identificaram uma peça de arenito com cerca de dois mil anos que representa um imperador romano como faraó. O objeto, um pequeno monumento retangular chamado estela, com cerca de 60 por 40 centímetros, foi encontrado durante obras de restauração na região.
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De acordo com o Ministério do Turismo e Antiguidades do Egito, o objeto data do reinado de Tibério, entre 14 e 37 d.C. Na época, o país já fazia parte do Império Romano havia mais de quatro décadas, o que ajuda a explicar a fusão de elementos culturais presente na peça.
Em resumo:
- Monumento chamado estela mostra imperador romano como faraó;
- Objeto foi encontrado em Karnak, no Egito;
- Imagem reforça poder religioso e político de Tibério;
- Egito era dominado pelo Império Romano na época;
- Peça será preservada e exibida em museu.

Objeto revela adaptação religiosa do poder romano
A imagem esculpida mostra Tibério diante das divindades Amon, Mut e Khonsu, formando uma tríade tradicional cultuada em Luxor. Ao apresentar o imperador nesse contexto, a arte indica que ele cumpria simbolicamente o papel de manter a ordem divina, conhecida como Ma’at.
Segundo especialistas, esse tipo de representação era necessário para legitimar o governante estrangeiro perante a religião local. Ao ser retratado como faraó, o imperador era reconhecido pelos deuses egípcios, o que reforçava sua autoridade sobre a população da província.
Apesar disso, os imperadores romanos mantinham sua identidade original em outros contextos. Em moedas e esculturas oficiais do Império, por exemplo, seguiam o estilo romano, mostrando uma estratégia política de adaptação conforme o público e o ambiente.

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Domínio romano transformou práticas no Egito antigo
A presença romana no Egito começou após conflitos envolvendo Augusto, Marco Antônio e Cleópatra VII. Depois da vitória de Augusto na Batalha de Ácio, em 31 a.C., o território foi incorporado ao Império no ano seguinte.
Mesmo sem visitar o Egito, Tibério governava a região por meio de representantes. Seu nome aparece em templos como forma de demonstrar proteção às tradições religiosas locais. A estela recém-descoberta reflete esse modelo, destacando mais o papel ideal de um governante do que suas ações reais.
Encontrada durante a restauração de uma estrutura no templo de Amon-Rá, a peça também contém inscrições hieroglíficas sobre a renovação da muralha. Após dois milênios, o artefato será preservado e exibido em museu, ampliando o conhecimento sobre a relação entre romanos e egípcios.











