Tudo sobre Elon Musk
Tudo sobre OpenAI
Após uma manhã de declarações focadas em sua suposta “missão moral”, Elon Musk enfrentou um interrogatório agressivo na tarde desta quarta-feira (29) – terceiro dia de julgamento e seu segundo dia de depoimento.
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William Savitt, advogado da OpenAI, utilizou o histórico de mensagens do próprio bilionário para questionar sua credibilidade e demonstrar que, antes de deixar a organização, Musk planejava transformá-la em uma empresa lucrativa sob seu controle total.
Contradições sobre AGI e doações
O advogado iniciou o interrogatório expondo o que chamou de inconsistências nas falas recentes de Musk. Savitt apresentou uma postagem feita por Musk no X no mês passado, na qual ele afirmava que “a Tesla será uma das empresas a criar a AGI” (Inteligência Artificial Geral).
A declaração confronta diretamente o depoimento dado por Musk no dia anterior, quando ele afirmou que a Tesla não estava buscando a AGI. Além disso, Savitt apontou uma divergência nos valores doados por Musk à OpenAI:
- Hoje: Musk afirmou ter doado US$ 38 milhões.
- Depoimento anterior: sob juramento, Musk havia declarado um total de US$ 100 milhões.
Visivelmente irritado, Musk acusou o advogado de ser “enganoso” e tentou desviar de perguntas de “sim ou não” com metáforas, sendo prontamente repreendido pela juíza Yvonne Gonzalez Rogers.
A Tesla como “vaca leiteira” da OpenAI
O ponto mais impactante da tarde foi a revelação de e-mails de 2018. Neles, Musk sugeria que a única forma de a OpenAI competir com o Google seria fundindo a organização sem fins lucrativos com a Tesla.
Nas mensagens citadas pelo The New York Times, Musk descrevia a montadora como uma “vaca leiteira” que forneceria o financiamento necessário para o laboratório de IA. Savitt demonstrou que, naquele período, Musk não apenas apoiava a transição para um modelo lucrativo, como exigia uma participação majoritária e o controle sobre a escolha da maioria dos membros do conselho.
Promessas de lucro e o “incidente DOTA”
A defesa da OpenAI também resgatou o chamado “incidente DOTA” de 2017, quando uma IA do Google venceu jogadores profissionais no game “Defense of the Ancients“. Musk descreveu o momento em e-mails como um “evento gatilho” que exigia que a OpenAI acelerasse seus passos.
Segundo Savitt, foi a partir desse senso de urgência que Musk começou a pressionar pela criação de uma empresa lucrativa controlada por ele – o que Musk confirmou no tribunal, embora tenha ressaltado que a intenção era criar uma “corporação de benefício público”. No entanto, sob pressão, o bilionário admitiu que já havia declarado anteriormente que esse tipo de estrutura não difere, na prática, de uma empresa lucrativa tradicional.
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Acusações de hipocrisia e “exército de robôs”
Savitt buscou pintar Musk como alguém que busca influência desproporcional para exercer controle total. O advogado apontou uma suposta hipocrisia: enquanto Musk defende que ninguém deveria controlar a IA, ele pressionou investidores da Tesla por um pacote salarial maior em ações justamente para garantir influência sobre o “exército de robôs com IA” que a montadora está desenvolvendo.
Para a defesa da OpenAI, isso reforça que o incômodo de Musk não é com o controle da tecnologia em si, mas com o fato de ele não ser o controlador na OpenAI.
Histórico de rivalidade entre Musk e Savitt
O embate técnico também foi carregado por uma rivalidade pessoal. William Savitt tem um histórico complexo com Musk:
- Ex-advogado: Savitt já representou Musk e a Tesla em um caso de fraude sobre a aquisição da SolarCity.
- Oponente no Twitter: o advogado mudou de lado e defendeu o Twitter quando Musk tentou desistir da compra da rede social em 2022.
- Disputa de honorários: após comprar a plataforma, Musk tentou impedir o pagamento das taxas legais devidas à firma de Savitt.
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O depoimento foi encerrado para um novo recesso após momentos de tensão, em que Musk chegou a rir ironicamente das perguntas, classificando-as como “feitas para enganar”.











