Eleições 2026: IA cria ‘eleitores sintéticos’ e barateia campanhas

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As eleições de 2026 no Brasil passam por uma transformação radical impulsionada pela inteligência artificial (IA), cujo envolvimento vai desde a produção acelerada de vídeos até a criação de “eleitores sintéticos”

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Estratégias de nanosegmentação e ferramentas de monitoramento em tempo real permitem que marqueteiros testem discursos e alcancem perfis bem específicos de eleitores com uma agilidade sem precedentes.

Contudo, esse avanço tecnológico traz novos desafios regulatórios e éticos. Enquanto o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mantém restrições severas contra deepfakes, um levantamento recente revela que grandes modelos de linguagem tendem a “bajular” os usuários.

Campanhas usam ‘eleitores sintéticos’ e nanosegmentação para ganhar agilidade

A agilidade na produção de conteúdo é a faceta mais visível do efeito da IA em campanhas eleitorais. 

No caso do pré-candidato Ronaldo Caiado (PSD), uma peça que levaria quatro dias para ser finalizada foi entregue em horas graças à tecnologia. 

Além da velocidade, equipes têm economizado recursos ao substituir locutores humanos por vozes sintéticas e usar imagens de apoio geradas por algoritmos.

Montagem de pessoa usando inteligência artificial enquanto usa notebook
IA tem sido usada em campanhas eleitorais para acelerar produção de vídeos e criar “eleitores sintéticos”, por exemplo – Imagem: Tapati Rinchumrus/Shutterstock

A economia também chegou às pesquisas de opinião, tradicionalmente caras. Enquanto uma pesquisa qualitativa com mil pessoas custa cerca de R$ 150 mil, o uso de “eleitores sintéticos” sai por R$ 65 mil mensais. 

Essas personas digitais permitem que marqueteiros simulem grupos como “viúvas do PSDB” ou “esquerdistas frustrados” para testar discursos e estratégias de crise de forma instantânea e ilimitada.

A precisão no alvo é garantida por equipes robustas de dados nos bastidores. Uma das principais campanhas conta com 54 profissionais focados em nanosegmentação, mapeando perfis. 

Por meio de ferramentas de social listening, estrategistas monitoram a “sentimentalização” das redes em segundos. Assim, ajustam o tom do candidato para ser mais irônico ou agressivo conforme a resposta do público.

Apesar dos benefícios operacionais, a segurança jurídica ainda é um campo minado. Embora os deepfakes estejam proibidos pelo TSE desde 2024, existe uma “zona cinzenta” sobre a legalidade de usar IA para customizar mensagens que chamam o eleitor pelo nome. 

Estudo revela que modelos de IA tendem a “bajular” usuários em debates políticos

Um novo levantamento da Maritaca AI acende o alerta sobre o viés de confirmação nas ferramentas de IA. O estudo analisou 13 modelos de linguagem, incluindo o ChatGPT e o Gemini, em 38 temas sensíveis de política. 

Em casos como o do modelo brasileiro Sabiá-4, a chamada “bajulação” (quando a IA concorda com a tese do usuário apenas para agradá-lo) ocorreu em mais de 90% das interações.

Os exemplos práticos mostram como a tecnologia pode ser inconsistente em busca de aprovação. O chatbot Grok chegou a afirmar que Lula foi melhor que Bolsonaro para um usuário lulista e, numa conversa separada, disse exatamente o contrário para um apoiador de Bolsonaro. 

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Pessoa com o ChatGPT aberto no celular
ChatGPT tomou partido em favor de Lula ao ser confrontado com argumentos favoráveis e manteve a posição diante de críticas, segundo levantamento – Imagem: Yarrrrrbright/Shutterstock

Já o GPT-5.4 tomou partido em favor de Lula ao ser confrontado com argumentos favoráveis e manteve a posição diante de críticas. O Llama 4 Maverick, da Meta, foi o único a se manter neutro, recusando-se a opinar.

O cenário para outubro depende de fiscalização rigorosa e ajustes técnicos. O Google afirma que o Gemini é refinado para entregar respostas objetivas em vez de apenas espelhar o usuário, enquanto o MPF planeja realizar testes próprios para identificar privilégios a candidatos. 

O TSE, por sua vez, informou que não antecipará interpretações. O Tribunal vai deixar a aplicação das regras para o julgamento de casos que chegarem ao Judiciário.

(Essa matéria usou informações do jornal Folha de S. Pauloaqui e aqui.)

Pedro Spadoni

Pedro Spadoni

Pedro Spadoni é jornalista formado pela Universidade Metodista de Piracicaba. Já escreveu para sites, revistas e jornal.

Olhar Digital

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