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A dívida global atingiu um recorde próximo de US$ 353 trilhões no fim de março, em meio a sinais de que investidores internacionais estão buscando alternativas aos títulos do Tesouro dos Estados Unidos. Os dados fazem parte do relatório trimestral Global Debt Monitor, divulgado nesta quarta-feira (6) pelo Instituto de Finanças Internacionais (IIF).
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Segundo o levantamento, a demanda internacional por títulos públicos do Japão e da Europa ganhou força desde o início do ano, enquanto o interesse pelos Treasuries americanos permaneceu amplamente estável. O IIF citou investimentos relacionados à inteligência artificial (IA) entre as pressões estruturais que devem elevar os níveis de dívida nos próximos anos.

Investidores mostram diversificação além dos Treasuries
Durante webinar sobre o relatório, Emre Tiftik, diretor de Mercados Globais e Política do IIF, afirmou que há sinais de diversificação por parte dos investidores internacionais em relação aos títulos do Tesouro dos EUA, segundo a Reuters.
Apesar disso, ele ressaltou que não existe “risco imediato” no mercado de Treasuries, avaliado em cerca de US$ 30 trilhões. Ainda assim, projeções de longo prazo indicam que a dívida pública americana pode seguir uma trajetória considerada “insustentável”.
O relatório aponta que, sob as políticas atuais, a relação entre dívida e PIB dos Estados Unidos deve continuar avançando. Em contraste, as razões de endividamento da zona do euro e do Japão vêm apresentando queda gradual.
Ao mesmo tempo, o mercado de títulos corporativos dos EUA continua em expansão, impulsionado por emissões ligadas à inteligência artificial e pela entrada de capital estrangeiro.
Endividamento cresceu US$ 4,4 trilhões no trimestre
O IIF informou que a dívida global cresceu mais de US$ 4,4 trilhões no primeiro trimestre, marcando o avanço mais acelerado desde meados de 2025 e o quinto aumento trimestral consecutivo.
De acordo com Tiftik, o crescimento da dívida dos EUA foi impulsionado principalmente pelo aumento do endividamento do governo americano.
O relatório também destaca uma forte aceleração do endividamento de empresas chinesas não financeiras, em sua maioria estatais, em ritmo superior ao observado no próprio governo da China.
Mercados emergentes seguem em alta
Fora das duas maiores economias do mundo, os níveis de dívida em mercados desenvolvidos tiveram leve queda. Já os mercados emergentes, excluindo a China, registraram alta modesta para um recorde de US$ 36,8 trilhões, puxada pelo aumento do endividamento público.
A dívida global ficou em cerca de 305% da produção econômica mundial, mantendo-se relativamente estável desde 2023. Ainda assim, os padrões divergem entre os grupos de países: enquanto economias maduras vêm reduzindo gradualmente seus níveis de dívida, mercados emergentes seguem em trajetória de alta.
Segundo o IIF, os maiores aumentos recentes na relação dívida/PIB foram registrados em Noruega, Kuwait, China, Bahrein e Arábia Saudita, todos com avanços superiores a 30 pontos percentuais do PIB.
Defesa, IA e energia devem pressionar dívida
O instituto prevê que pressões estruturais devem continuar elevando o endividamento de governos e empresas nos próximos anos.
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Entre os fatores citados estão o envelhecimento da população, aumento de gastos com defesa, segurança energética, diversificação econômica, cibersegurança e investimentos relacionados à inteligência artificial.
Tiftik também afirmou que o recente conflito no Oriente Médio tende a intensificar parte dessas pressões.
Ana Luiza Figueiredo
Ana Figueiredo é repórter de tecnologia do Olhar Digital. É formada em jornalismo pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU).










