Uma pesquisa inédita realizada pelo instituto Datafolha revela que a presença de parasitas nos rebanhos brasileiros causa uma perda direta de 13 quilos de peso vivo por animal ao ano na pecuária de corte e reduz em 7% a produção anual do gado de leite. O levantamento, que entrevistou 490 pecuaristas em 13 estados, foi encomendado pela Boehringer Ingelheim, multinacional alemã que atua nos setores de saúde humana e animal.
Ao cruzar os dados de campo com estudos macroeconômicos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e da Revista Brasileira de Parasitologia Veterinária, estima-se que o impacto financeiro total das infestações por parasitas internos e externos alcance cerca de R$ 75 bilhões. Apenas o impacto direto do carrapato, apontado na pesquisa como a principal ameaça sanitária por 70% dos entrevistados, responde por um prejuízo anual superior a R$ 17 bilhões.
O ranking das ameaças sanitárias no campo
Atrás do carrapato, a mosca-dos-chifres aparece como o segundo parasita de maior preocupação para os produtores, citada por 48% dos entrevistados, seguida pelo berne, com 17%. De acordo com o relatório, o cenário produtivo é agravado pelo avanço da resistência das pragas às moléculas químicas tradicionais, impulsionado pelo uso repetitivo dos mesmos princípios ativos e pela falta de protocolos de rotação nas propriedades. Fatores climáticos, como o aumento da temperatura e da umidade, também aceleram a reprodução das populações desses agentes nos pastos.
O estudo do Datafolha também mapeou o comportamento dos produtores em relação ao manejo sanitário:
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Tratamento regular: 91% dos entrevistados afirmam aplicar produtos para prevenção e tratamento de carrapatos de forma rotineira;
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Falta de indicadores econômicos: Apenas 20% utilizam ferramentas formais de cálculo, como planilhas de Retorno sobre o Investimento (ROI), para guiar a compra de antiparasitários;
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Obstáculos declarados: O custo bruto dos medicamentos foi apontado por 47% como o principal entrave no controle, seguido pela escassez de mão de obra para a aplicação correta dos protocolos (23%).
O impacto invisível das verminoses subclínicas
Além dos parasitas externos, a cadeia produtiva enfrenta o impacto das verminoses gastrointestinais, descritas por técnicos como uma ameaça silenciosa por se manifestarem de forma subclínica em até 98% dos casos. O animal não apresenta sintomas severos aparentes, mas sofre perdas na conversão alimentar.
Segundo dados compilados pela área técnica da Boehringer Ingelheim, a infecção crônica por vermes reduz em 20% o tempo de pastoreio e em 17% a ingestão de forragem pelos bovinos. O resultado na balança é um recuo oculto de 30 a 60 quilos no ganho de peso por animal ao ano, além de atrasar a puberdade de novilhas e elevar a idade de abate, penalizando o rendimento de carcaça nos frigoríficos.
A pecuária de corte e de leite movimenta anualmente mais de R$ 130 bilhões dentro das fazendas brasileiras, montante que triplica quando somados os segmentos de logística, indústria e varejo de carnes e lácteos. Como o desenvolvimento de novas moléculas farmacêuticas demanda aportes globais elevados e prazos extensos, a multinacional alemã investe cerca de 6 bilhões de euros anuais em pesquisa e desenvolvimento, o controle atual baseia-se na otimização de ferramentas de longa ação já existentes.











