Usina híbrida nos EUA quer unir gás natural e energia nuclear

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Uma parceria entre a empresa Blue Energy e a GE Vernova pretende construir no Texas uma usina híbrida de 2,5 GW que combina geração de energia nuclear e gás natural no mesmo complexo. O projeto foi apresentado como uma alternativa para reduzir o tempo de entrada em operação de novas plantas nucleares e aumentar a flexibilidade no fornecimento de eletricidade.

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Segundo as empresas, a proposta busca resolver dois problemas associados às usinas nucleares tradicionais: o longo período necessário para aprovação e construção das instalações e a dificuldade desse tipo de geração em responder rapidamente às oscilações de demanda das redes elétricas modernas. O plano envolve a combinação de turbinas a gás com pequenos reatores nucleares modulares.

Projeto aposta em reatores modulares e turbinas a gás

O complexo utilizará o reator modular pequeno BWRX-300, desenvolvido pela GE Vernova Hitachi Nuclear Energy (GVH), no primeiro local planejado pela Blue Energy no Texas. A tecnologia fará parte de um sistema chamado “Integrated Monopile System” (IMS), descrito pelas companhias como uma estratégia de transição “gas-to-nuclear”.

Vista aérea conceitual mostra módulos da usina híbrida com áreas dedicadas a gás natural e energia nuclear
Planta conceitual destaca a integração entre turbinas a gás e módulos nucleares no mesmo complexo energético – Imagem: Divulgação / Blue Energy

Na prática, o projeto não mistura diretamente a geração nuclear e a geração a gás em um único sistema. Em vez disso, as duas estruturas funcionarão dentro da mesma planta. A ideia é combinar a capacidade da energia nuclear de fornecer carga contínua com a flexibilidade operacional das turbinas a gás, que podem aumentar ou reduzir a geração com maior rapidez.

Outro objetivo é permitir que uma parte da usina entre em operação enquanto a outra ainda está em construção. Dessa forma, o complexo poderia começar a gerar receita antes da conclusão total da infraestrutura nuclear.

Estruturas inspiradas em turbinas eólicas offshore

A primeira etapa prevê a instalação de grandes monopilares de aço com 3,66 metros de largura, tecnologia adaptada de instalações de turbinas eólicas offshore. Esses monopilares funcionarão como estruturas de contenção para os reatores modulares pré-fabricados.

Os módulos nucleares ficarão posicionados dentro dessas estruturas, instaladas em piscinas de água ligadas a um canal navegável. De acordo com as empresas, o sistema permite resfriamento passivo e utiliza a água ao redor como proteção contra radiação, inclusive em cenários de desligamento total do sistema.

Renderização em corte mostra reator modular instalado em estrutura submersa com sistema de resfriamento por água
Reatores modulares ficariam instalados em monopilares cercados por água para resfriamento passivo e proteção contra radiação – Imagem: Divulgação / Blue Energy

A Blue Energy estima que o método possa reduzir em até 93% o tempo de construção da usina.

Geração inicial virá do gás natural

Enquanto os reatores são instalados, o projeto prevê a implantação simultânea de duas turbinas a gás GE Vernova 7HA.02, capazes de gerar juntas 1 GWe, equivalente a 1.000 MW de eletricidade.

Com isso, a usina poderia começar a fornecer energia em um prazo menor. Posteriormente, conforme os reatores forem adicionados, a planta passará a utilizar vapor produzido pela geração nuclear para movimentar as turbinas. As operações nucleares e a gás compartilharão a mesma sala de turbinas e conexão com a rede elétrica.

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As empresas também afirmam que as turbinas são “hydrogen ready”, o que significa que poderão futuramente utilizar hidrogênio produzido por vapor ou eletricidade gerados pela energia nuclear.

Eric Gray, CEO do segmento de energia da GE Vernova, afirmou que a combinação das turbinas HA com o reator BWRX-300 busca atender à crescente demanda energética ligada à expansão da inteligência artificial nos Estados Unidos, além de reduzir o tempo necessário para disponibilizar eletricidade à rede.

Ana Luiza Figueiredo

Ana Luiza Figueiredo

Ana Figueiredo é repórter de tecnologia do Olhar Digital. É formada em jornalismo pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU).

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