NASA escolhe Blue Origin para primeira missão lunar não tripulada

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A NASA anunciou, nesta terça-feira (26), a seleção da Blue Origin, empresa de Jeff Bezos, para conduzir a primeira de três missões lunares não tripuladas planejadas para este ano. As missões fazem parte de um plano ambicioso para iniciar a construção de uma base lunar de US$ 20 bilhões (R$ 100,9 bilhões), com a Blue Origin sendo escolhida à frente da SpaceX de Elon Musk.

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O anúncio foi feito pelo administrador da NASA, Jared Isaacman, em coletiva de imprensa em Washington D.C. (EUA), marcando a primeira explicação pública detalhada de como e quando a base lunar será construída. Isaacman disse que as três missões de 2026 serão seguidas por “mais de uma dúzia” de outras nos próximos anos para testar sistemas e equipamentos.

Missão Artemis II impulsiona planos da base lunar

O administrador destacou que a missão Artemis II do mês passado, que enviou quatro astronautas ao redor da Lua pela primeira vez desde 1972, foi tanto um catalisador quanto um incentivo para avançar o plano da base lunar.

“As pessoas estão olhando para cima novamente, acreditando em grandes coisas novamente e prestando atenção enquanto a América retorna à Lua novamente, e desta vez para ficar”, declarou Isaacman.

Ele acrescentou, sem mencionar nomes, que a agência tem tido “conversas difíceis com aqueles que não conseguem atender às expectativas” desde o retorno da Artemis II em 10 de abril. A NASA não pretende começar imediatamente com uma base lunar completa, mas adotar uma abordagem iterativa.

“Não estamos saltando direto para a base lunar de cúpula de vidro. Pretendemos adotar uma abordagem iterativa, enviando um sinal de demanda à indústria para muitos aterrissadores e rovers e demonstrações tecnológicas, e todas as cargas científicas que essas missões podem acomodar”, explicou o administrador da NASA.

Jared Isaacman ao lado do logo da NASA e com um microfone na mão direita
Anúncio foi feito pelo administrador da NASA, Jared Isaacman – Imagem: Bill Ingalls/NASA

Blue Origin recebe contrato de R$ 1,2 bilhão

  • A Blue Origin foi selecionada para realizar a primeira missão já no outono, recebendo US$ 230,4 milhões (R$ 1,2 bilhão) para apoiar suas duas primeiras missões da base lunar, embora a empresa financie em grande parte a operação por conta própria;
  • “A Moon Base One será a primeira missão de aterrissador lunar financiada privadamente na história”, anunciou Isaacman;
  • A missão utilizará o Endurance, aterrissador de carga criogenicamente propelido da Blue Origin, transportando múltiplas cargas científicas da NASA e parceiros privados para a área de Shackleton de Gerlache Ridge no polo sul da Lua;
  • O objetivo é “demonstrar capacidades críticas que reduzem o risco para as missões do sistema de pouso humano”.

Isaacman disse que a empresa de Bezos foi escolhida “por causa do papel que a Blue Origin desempenha no programa Artemis”. A Blue Origin compete com a SpaceX, de Elon Musk, para fornecer aterrissadores de tripulação para a sequência futura de missões Artemis, incluindo o planejado retorno de humanos à Lua na Artemis IV em 2028.

Leia mais:

Competição entre Blue Origin e SpaceX e desafios recentes

A NASA avaliará o Starship Human Landing System (HLS) da SpaceX e o aterrissador Blue Moon da Blue Origin durante a missão de teste Artemis III do próximo ano em órbita terrestre baixa antes de decidir.

A Blue Origin enfrentou um revés no mês passado quando uma carga do terceiro voo de seu foguete pesado New Glenn acabou na órbita errada, mas foi autorizada a retomar os voos pela Administração Federal de Aviação (FAA, na sigla em inglês) na semana passada.

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Ambas as empresas construíram grandes novas instalações dentro ou próximo ao Kennedy Space Center de Cabo Canaveral para apoiar missões tripuladas e de carga em parceria com a NASA.

Contratos adicionais e cronograma da base

Além de conceder a primeira missão da base lunar à Blue Origin, a NASA anunciou contratos menores com empresas privadas envolvidas nos projetos Lua-para-Marte da agência. Elas incluem a Lunar Outpost, que trabalha com rovers lunares, e a Firefly Aerospace, que, em março do ano passado, se tornou a primeira operadora privada a fazer um pouso lunar bem-sucedido com seu aterrissador Blue Ghost.

O “plano para uma presença lunar duradoura” da agência também está detalhado em um novo site da NASA lançado também nesta quarta, estabelecendo um cronograma entre 2029 e 2032 para o estabelecimento de uma base com “capacidade operacional”. Uma “presença semi-permanente” seguirá em 2032 ou posteriormente.

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O projeto da base lunar faz parte da política espacial nacional do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, incluindo direcionar a NASA a acelerar o programa Artemis para alcançar o próximo pouso humano lunar antes da China, estabelecer uma base lunar permanentemente habitável e desenvolver um reator espacial nuclear.

Fachada da Starbase, da Spacex
SpaceX briga pelos contratos com a NASA; desta vez, acabou perdendo para a rival – Imagem: Findaview/Shutterstock

Parcerias privadas e visão de longo prazo

As parcerias com operadores privados, segundo a NASA, podem reduzir significativamente os custos para os contribuintes e criar uma economia espacial próspera, proporcionando milhares de novos empregos enquanto conduzem missões inspiradoras de ciência e descoberta.

Isaacman, que tem tentado alinhar os cortes orçamentários planejados da administração Trump para a NASA com a visão ambiciosa do presidente, disse que o mundo “parou para prestar atenção” durante a Artemis II. Ele expressou esperança de que essa missão, junto com os planos da base lunar e outros projetos alinhados à Lua, inspire o que chamou de “era dourada da exploração”.

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“Frequentemente me perguntam por que enviamos nossos astronautas para um ambiente tão hostil, perigoso e impiedoso do espaço ou da superfície lunar, e a um custo tão alto”, disse Isaacman.

“Vamos pela tecnologia que pioneiramente desenvolveremos para chegar lá, pela ciência e por tudo que aprenderemos que tornará a vida melhor aqui na Terra, para avançar a humanidade nesta grande aventura, para inspirar a próxima geração a fazer melhor do que conseguimos, e, para ser muito claro, para dominar as habilidades para onde inevitavelmente iremos em seguida.”

Rodrigo Mozelli

Rodrigo Mozelli

Rodrigo Mozelli é jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) e, atualmente, é redator do Olhar Digital.

Olhar Digital

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