Snowflake fecha acordo de R$ 30,4 bi com Amazon por chips

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A Amazon Web Services (AWS) anunciou um acordo de US$ 6 bilhões (R$ 30,4 bilhões) com a Snowflake para fornecimento de serviços de computação em nuvem e chips voltados à inteligência artificial (IA) ao longo dos próximos cinco anos. O contrato inclui o uso ampliado dos chips Graviton, desenvolvidos pela própria Amazon, além de GPUs em nuvem para cargas de trabalho de IA.

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O acordo, divulgado nesta quarta-feira (27), transforma a Snowflake em uma das maiores clientes da AWS para computação baseada em CPUs. Entre os outros grandes compradores dos chips Graviton estão Meta e Apple.

As ações da Snowflake dispararam após o anúncio. Os papéis chegaram a subir até 35% no pós-mercado depois de a empresa divulgar resultados acima das expectativas no primeiro trimestre fiscal.

Segundo a AWS, a Snowflake pretende expandir o uso dos chips Graviton, processadores ARM de uso geral lançados pela Amazon em 2018. A empresa também utilizará GPUs em nuvem para aplicações de IA. A Snowflake informou que o investimento ocorrerá ao longo de cinco anos, o que implica um gasto médio anual de US$ 1,2 bilhão (R$ 6,1 bilhões).

Fundada sobre a infraestrutura da AWS em 2015, a Snowflake vem ampliando sua relação com a Amazon desde então. A empresa possui quase 14 mil clientes, incluindo a startup de recompensas e publicidade Fetch e a plataforma de análises de IA Hex.

A companhia também opera atualmente em outras nuvens, como Microsoft Azure e Google Cloud, embora tenha começado sua trajetória na AWS.

Ao fundo e parcialmente desfocado, o logo da Amazon; à frente, logo da AWS em um smartphone
AWS vai fornecer tecnologias à Snowflake por cinco anos – Imagem: gguy/Shutterstock
  • O novo contrato representa um salto significativo em relação aos acordos anteriores entre as empresas;
  • No IPO da Snowflake, em 2020, a companhia revelou um contrato revisado de US$ 1,2 bilhão (R$ 6,1 bilhões) ao longo de cinco anos com um provedor de nuvem não identificado — posteriormente confirmado como sendo a Amazon. Em 2023, o acordo subiu para US$ 2,5 bilhões (R$ 12,7 bilhões);
  • De acordo com a AWS, a Snowflake já vendeu US$ 7 bilhões (R$ 35,5 bilhões) em serviços por meio do AWS Marketplace desde sua fundação em 2012;
  • A companhia afirma ainda que os clientes da Snowflake aceleraram seus gastos na AWS recentemente, dobrando em 2025 para US$ 2 bilhões (R$ 10,1 bilhões) apenas naquele ano.

A expansão da demanda está diretamente ligada ao avanço da IA. A Snowflake oferece há alguns anos a ferramenta Cortex AI, voltada para construção de aplicações de IA sobre os dados armazenados na plataforma da empresa. A ferramenta permite funcionalidades, como consultas a bancos de dados em linguagem natural, geração de relatórios resumidos e outras aplicações.

A crescente popularidade dos chamados agentes de IA — sistemas autônomos capazes de executar tarefas para usuários humanos — tem impulsionado a demanda por CPUs. Esses sistemas exigem grande capacidade de computação geral para organizar fluxos de trabalho, movimentar grandes volumes de dados e coordenar tarefas entre múltiplos agentes.

Os chips Graviton são CPUs, consideradas os “cérebros” centrais dos computadores, responsáveis por alimentar desde smartphones e laptops até servidores de data centers e sistemas avançados de IA.

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Embora GPUs, como as da Nvidia, sejam especialmente eficientes para treinar modelos de IA, por contarem com milhares de núcleos voltados à execução simultânea de operações, as CPUs são usadas em tarefas sequenciais e de propósito geral. Aplicações de IA agentiva demandam grande poder computacional geral para coordenar fluxos de trabalho entre agentes.

O movimento é apontado como mais um sinal de que a AWS está ganhando força na corrida da IA, à medida que clientes recorrem à nuvem da Amazon em busca de tecnologias mais avançadas. Em abril, a Anthropic, criadora do modelo Claude, informou que pretende gastar mais de US$ 100 bilhões (R$ 507,4 bilhões) na AWS ao longo de uma década. A Amazon também possui um acordo com a OpenAI, criadora do ChatGPT.

Diferentemente dos acordos firmados com empresas de modelos de IA, os contratos com Anthropic e OpenAI incluem investimentos acionários da Amazon. O acordo com a Snowflake não envolve participação societária.

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A adoção crescente dos chips Graviton também marca a expansão da arquitetura ARM em data centers. Durante décadas, chips para servidores foram construídos com base na arquitetura x86, desenvolvida inicialmente pela Intel nos anos 1970 e posteriormente adotada pela AMD.

A arquitetura ARM ganhou força no mercado de dispositivos móveis após a Apple adotá-la no primeiro iPhone, em 2007. A Amazon foi responsável por levar chips ARM aos data centers com o lançamento do Graviton. Depois disso, Google e Microsoft também passaram a desenvolver chips ARM próprios.

O acordo com a Snowflake representa mais uma grande empresa de tecnologia optando por processadores ARM personalizados em vez da arquitetura x86 tradicional.

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A corrida pelos chips também intensificou a competição com a Nvidia. Embora a AWS continue utilizando GPUs da fabricante em sua nuvem, a Amazon vem promovendo seus chips próprios como uma alternativa mais econômica.

No mês passado, o CEO da Amazon, Andy Jassy, afirmou que os chips de IA desenvolvidos pela empresa oferecem “melhor relação entre preço e desempenho” do que as alternativas da Nvidia. A demanda por processamento de IA está tão elevada que provedores de nuvem, como a AWS, estão implantando chips “o mais rápido possível”.

Também em abril, a Meta informou que utilizará centenas de milhares de chips Graviton. Durante a divulgação de resultados da Amazon naquele mês, Jassy afirmou: “O Graviton é o nosso chip de CPU líder do setor, que permite à Meta executar as cargas de trabalho com uso intensivo de CPU por trás da IA ​​Agente com o desempenho e a eficiência necessários em sua escala.”

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Os acordos bilionários da AWS também são vistos como um desafio crescente à Nvidia. O Google desenvolve chips próprios há anos, enquanto a Microsoft lançou seu chip Maia em janeiro.

Mesmo assim, o CEO da Nvidia, Jensen Huang, afirmou recentemente que a empresa está preparada para defender e ampliar sua posição no mercado. Huang declarou que o novo chip de CPU voltado para IA da companhia, chamado Vera, representa um mercado “completamente novo” de US$ 200 bilhões (R$ 1 trilhão) para a Nvidia. Ele também afirmou já ter vendido US$ 20 bilhões (R$ 101,4 bilhões) do produto.

Chip da AWS, o Graviton
Empresa fornecerá chips Graviton – Imagem: Divulgação/AWS

Apesar da crescente concorrência de provedores de nuvem, a Nvidia ainda mantém forte posição no setor. Ao mesmo tempo, os acordos multibilionários da AWS demonstram como o avanço da IA vem impulsionando os negócios de computação em nuvem.

Além do acordo com a AWS, a Snowflake anunciou a aquisição da startup de inteligência artificial Natoma por um valor não divulgado.

A empresa também mantém relação próxima com a Nvidia desde uma parceria anunciada em 2023. Em novembro, a Snowflake apresentou atualizações para simplificar a execução de cargas de trabalho de IA em GPUs da Nvidia.

Nos resultados trimestrais divulgados nesta quarta, a Snowflake reportou lucro ajustado de US$ 0,39 (R$ 1,98) por ação e receita de US$ 1,4 bilhão (R$ 7,1 bilhões) no trimestre encerrado em 30 de abril, alta de 33% em relação ao ano anterior. Analistas consultados pela LSEG esperavam lucro de US$ 0,32 (R$ 1,62) por ação e receita de US$ 1,3 bilhão (R$ 6,7 bilhões).

A companhia também divulgou projeções acima das expectativas para o segundo trimestre fiscal. A Snowflake prevê margem operacional ajustada de 12,5% e receita de produtos entre US$ 1,41 bilhão e US$ 1,42 bilhão (R$ 7,2 bilhões). Analistas consultados pela StreetAccount projetavam margem de 11,9% e receita de produtos de US$ 1,3 bilhão (R$ 6,6 bilhões).

Rodrigo Mozelli

Rodrigo Mozelli

Rodrigo Mozelli é jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) e, atualmente, é redator do Olhar Digital.

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