Astrônomos identificaram uma quantidade recorde de colisões entre buracos negros, revelando um cenário até então oculto da evolução desses objetos extremos. A descoberta foi possível graças à análise de ondas gravitacionais, sinais produzidos por alguns dos eventos mais violentos do Universo.
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Os novos dados indicam que essas fusões são mais frequentes e complexas do que os cientistas imaginavam.
Em resumo:
- Astrônomos identificaram 161 novas fusões de buracos negros;
- Total de colisões registradas alcançou 390 eventos;
- Dados mostram fusões mais frequentes e complexas;
- Evidências apontam crescimento por sucessivas colisões anteriores;
- Ondas gravitacionais revelam detalhes da evolução cósmica.
A pesquisa reuniu 161 novos sinais detectados entre abril de 2024 e janeiro de 2025 pelos observatórios LIGO, Virgo e KAGRA. As informações fazem parte da mais recente atualização do Catálogo de Transientes de Ondas Gravitacionais (GWTC-5), que elevou para 390 o número total de fusões de buracos negros registradas até hoje.

Ondas gravitacionais foram previstas por Einstein
O grande volume de eventos está permitindo aos pesquisadores estudar populações inteiras de buracos negros em vez de analisar apenas colisões isoladas. Com isso, torna-se possível identificar padrões que ajudam a explicar como esses objetos surgem, crescem e se distribuem pelo Universo.
As ondas gravitacionais foram previstas em 1915 por Albert Einstein. Segundo a relatividade geral, corpos com grande massa deformam o espaço-tempo ao seu redor. Quando objetos extremamente massivos aceleram ou colidem, produzem ondulações que se propagam pelo Universo na velocidade da luz.
Embora teorizadas há mais de um século, essas ondas só foram detectadas pela primeira vez em 2015, quando o observatório LIGO registrou o sinal de uma fusão entre dois buracos negros. A descoberta inaugurou uma nova forma de observar o cosmos, baseada não na luz emitida pelos objetos, mas nas vibrações do próprio espaço-tempo.
Desde então, os detectores ficaram mais sensíveis e passaram a registrar eventos com frequência crescente. Atualmente, novas detecções ocorrem várias vezes por semana durante os períodos de observação.

Pesquisa detecta fusões de buracos negros de segunda geração
Entre os principais destaques do novo catálogo estão evidências de fusões de segunda geração. Nesses casos, pelo menos um dos buracos negros envolvidos já teria sido criado em uma colisão anterior. Isso sugere que alguns desses objetos podem crescer gradualmente por meio de sucessivas fusões ao longo de bilhões de anos.
Dois eventos observados em 2024, chamados GW241011 e GW241110, apresentam fortes indícios desse processo. As características de rotação dos buracos negros analisados indicam que eles provavelmente não se formaram diretamente a partir do colapso de estrelas massivas, mas sim de fusões anteriores.
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Essa descoberta reforça a ideia de que existem diferentes mecanismos para a formação de buracos negros. Além dos sistemas binários de estrelas, ambientes extremamente densos, como aglomerados estelares, podem favorecer encontros repetidos entre esses objetos.
Outro destaque foi o evento GW240615, detectado em junho de 2024. Ele resultou da colisão entre dois buracos negros com cerca de 26 e 30 vezes a massa do Sol, localizados a mais de 3 bilhões de anos-luz da Terra.
O sinal foi localizado em uma região muito pequena do céu, tornando-se a detecção de onda gravitacional mais precisamente posicionada já realizada. Esse avanço pode ajudar os cientistas a identificar a galáxia onde a fusão ocorreu e obter informações mais detalhadas sobre o ambiente do evento.
Além disso, observações desse tipo podem contribuir para medições mais precisas da constante de Hubble, valor que descreve a velocidade de expansão do Universo. Determinar esse parâmetro com maior exatidão é uma das principais metas da cosmologia moderna.
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Outro evento importante foi o GW250114, registrado em janeiro de 2025. Os pesquisadores acreditam que ele foi produzido pela fusão de dois buracos negros com aproximadamente 34 e 32 massas solares, localizados a cerca de 1 bilhão de anos-luz da Terra.
A clareza excepcional desse sinal permitiu realizar um dos testes mais rigorosos já feitos da relatividade geral. Os resultados também confirmaram o teorema da área, proposto por Stephen Hawking, segundo o qual a área total dos horizontes de eventos dos buracos negros deve aumentar após uma fusão.
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“Mundo perdido” permaneceu invisível por séculos
As análises mostraram exatamente esse comportamento. Os pesquisadores também verificaram que princípios fundamentais da termodinâmica permanecem válidos mesmo nesses ambientes extremos, reforçando previsões teóricas desenvolvidas ao longo das últimas décadas.
Os observatórios LIGO, Virgo e KAGRA deverão continuar ampliando o número de detecções nos próximos anos. Uma nova campanha intermediária de observação está prevista para ocorrer ainda em 2026, preparando o caminho para futuras operações de maior alcance.
Com centenas de fusões já registradas, os cientistas começam a enxergar um panorama mais amplo da população de buracos negros do Universo. Cada novo sinal ajuda a revelar detalhes de um “mundo perdido” que permaneceu invisível durante séculos e que agora está sendo explorado por meio das ondas gravitacionais.










