Conforme noticiado pelo Olhar Digital, uma ejeção de massa coronal (CME) do tipo canibal, formada pela fusão de duas grandes nuvens de partículas solares, poderia atingir fortemente a Terra entre a tarde de quinta (4) e a madrugada desta sexta-feira (5).
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De acordo com a plataforma especializada em meteorologia e climatologia espacial Spaceweather.com, isso aconteceu às 2h11 (pelo horário de Brasília) – e o impacto foi mais fraco do que o previsto inicialmente.

Vamos entender:
- O Sol tem um ciclo de 11 anos de atividade;
- Ele está atualmente no que os astrônomos chamam de Ciclo Solar 25;
- Esse número se refere aos ciclos que foram acompanhados de perto pelos cientistas;
- No auge dos ciclos solares, o astro tem uma série de manchas na superfície, que representam concentrações de energia;
- À medida que as linhas magnéticas se emaranham nas manchas solares, elas podem se romper e gerar rajadas de vento;
- De acordo com a NASA, essas rajadas são explosões massivas do Sol que disparam jatos de plasma e campos magnéticos (também chamados de “ejeção de massa coronal” – CME) e partículas carregadas de radiação para fora da estrela;
- As explosões são classificadas em um sistema de letras – A, B, C, M e X – com base na intensidade dos raios-X que elas liberam, com cada nível tendo 10 vezes a intensidade do anterior;
- A classe X denota os clarões de maior intensidade, enquanto o número fornece mais informações sobre sua força;
- Um X2 é duas vezes mais forte que um X1, um X3 é três vezes mais forte, e, assim, sucessivamente;
- Como o Sol dá uma volta em seu próprio eixo a cada 27 dias, as manchas solares desaparecem de vista por determinado período, voltando em seguida a ser visíveis para a Terra.
Modelos indicavam a possibilidade de uma tempestade geomagnética severa (nível G4), com potencial para ampliar as auroras em regiões incomuns da Europa e da América do Norte. No entanto, o cenário mais intenso não se confirmou, e o evento parece ter se mantido entre G2 e G3 – níveis moderado e forte, respectivamente, em uma escala que vai de G1 a G5. Ainda não foi divulgado um relatório final consolidado específico deste evento.
Velocidade de deslocamento influencia na potência do impacto
O atraso na chegada da CME sugere que ela se deslocou pelo espaço a uma velocidade menor do que a estimada, o que contribuiu para a redução de sua intensidade ao atingir o campo magnético terrestre. Mesmo assim, tempestades de nível G3 ainda podem provocar auroras em altas latitudes e interferências leves em sistemas de comunicação e navegação.

Segundo a organização de divulgação científica EarthSky.org, as CMEs canibais são estruturas complexas e em evolução contínua, de modo que o primeiro impacto não representa necessariamente o fim do evento. Novas porções de material podem ainda alcançar a Terra nas horas seguintes, prolongando os efeitos observados.
Essas condições mantêm a chance de observação de auroras em latitudes médias ao longo do dia, já que a mancha solar AR4455 emitiu uma série de erupções direcionadas ao planeta na quarta-feira (3).
Nas últimas 24 horas, a região apresentou uma queda expressiva na atividade, registrando apenas uma erupção solar de classe C. Mesmo assim, por ser uma região do tipo anti-Hale – com campo magnético invertido em relação ao padrão – ela continua instável, o que pode favorecer novas explosões solares a qualquer momento.
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O que é uma CME canibal
As explosões ocorridas na mancha solar AR4455 lançaram várias CMEs ao espaço, jatos compostos por plasma superaquecido e campos magnéticos que podem percorrer milhões de quilômetros em direção à Terra.
Durante o percurso, uma dessas ejeções se deslocou mais rapidamente e alcançou outra que havia sido emitida anteriormente. Quando isso acontece, os cientistas utilizam o termo “CME canibal” para descrever a fusão entre as duas estruturas, que passam a viajar juntas como uma única nuvem de partículas.
Esse tipo de fenômeno costuma ser especialmente eficiente na geração de tempestades geomagnéticas. Isso ocorre porque a combinação das ejeções pode concentrar mais energia e produzir uma interação mais intensa com o campo magnético terrestre.












