Como funcionam os cabos submarinos?

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Quase toda a internet internacional depende de uma infraestrutura invisível para a maioria das pessoas: os cabos submarinos espalhados pelos oceanos. Responsáveis por transportar cerca de 99% do tráfego global de dados, essas estruturas levam mensagens, chamadas de vídeo, e-mails e conteúdos digitais entre continentes em velocidades impressionantes.

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O tema voltou a ganhar destaque após a retirada do TAT-8, o primeiro cabo transatlântico de fibra óptica do mundo. Instalado há 38 anos, ele permaneceu abandonado no fundo do Oceano Atlântico por quase 25 anos após sair de operação em 2002, quando uma falha tornou seu reparo economicamente inviável.

Atualmente, existem mais de 500 cabos submarinos em funcionamento. Somados, eles ultrapassam um milhão de quilômetros de extensão (distância suficiente para dar várias voltas ao redor da Terra).

Apesar da importância estratégica, os cabos têm aparência relativamente simples, parecidos com uma mangueira de jardim. É no interior que fica a tecnologia por trás do funcionamento dessas estruturas, com fibras ópticas extremamente finas, comparáveis a fios de cabelo humano. Por elas, lasers enviam pulsos de luz codificados bilhões de vezes por segundo, transportando enormes volumes de informação entre diferentes pontos do planeta.

Uma única fibra pode transmitir diversos fluxos de dados simultaneamente por meio de diferentes comprimentos de onda de luz. Graças a essa tecnologia, cada cabo é capaz de movimentar centenas de terabits de dados por segundo, conectando usuários em continentes distintos quase instantaneamente.

Por que existem cabos submarinos de internet?
Infraestrutura invisível no fundo do oceano sustenta a conexão global em tempo real – Imagem criada por inteligência artificial (ChatGPT / Olhar Digital)

Cabos submarinos têm instalação complexa

Instalar essa infraestrutura é uma tarefa complexa e demorada. Antes da fabricação, engenheiros precisam definir rotas capazes de evitar obstáculos geográficos e áreas de risco no fundo do mar. Depois, os cabos são carregados em grandes navios especializados, onde ficam armazenados em enormes tanques circulares.

A etapa de carregamento pode levar cerca de um mês. Já durante a instalação, as embarcações avançam lentamente, a cerca de 9,6 quilômetros por hora, enquanto liberam o cabo gradualmente sobre o leito oceânico. Em casos de tempestade, as equipes podem interromper a operação, prender a extremidade do cabo a uma boia e retomar o trabalho somente quando as condições melhorarem.

Ao chegar ao destino, o cabo é conectado a data centers que distribuem as informações para redes locais. Apenas nesse estágio o tráfego costuma seguir por infraestrutura sem fio, como redes Wi-Fi ou antenas de telefonia móvel.

cabo submarino no fundo do mar
Cabos submarinos sofrem desgaste natural e sabotagens humanas – Imagem: Norimoto/Shutterstock

Os desafios

Embora a internet via satélite tenha ganhado visibilidade nos últimos anos, especialmente com sistemas como o Starlink, ela ainda representa apenas uma pequena parcela do tráfego global quando comparada aos cabos submarinos.

Apesar de robustos, os cabos não estão livres de problemas. Segundo dados da ONU, entre 150 e 200 incidentes são registrados anualmente.

A maioria dos danos não ocorre por falhas técnicas, mas por ações humanas. Aproximadamente 80% dos casos estão relacionados a atividades como ancoragem de navios e operações de pesca. Também houve registros recentes de suspeitas de sabotagem em algumas regiões, como no Mar Vermelho.

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Desastres naturais também podem causar interrupções significativas. Em 2022, por exemplo, a erupção de um vulcão rompeu o único cabo que conectava Tonga ao restante do mundo, deixando a ilha sem acesso à internet e às comunicações telefônicas por mais de um mês.

Quando ocorre um rompimento, o reparo físico nem sempre é o maior desafio. “O que costuma ser mais complexo é obter todas as permissões e licenças necessárias, especialmente quando há múltiplas jurisdições envolvidas ou jurisdições sobrepostas”, disse Tomas Lamanauskas, Secretário-Geral Adjunto da União Internacional de Telecomunicações (UIT), à ONU News.

Além dos danos acidentais, existe o desgaste natural. Em média, um cabo submarino permanece em operação por cerca de 25 anos antes de precisar ser substituído.

Foi justamente esse cenário que levou à remoção do TAT-8. Embora estivesse desativado há décadas, sua retirada trouxe benefícios ambientais e econômicos. Além de liberar espaço para novas instalações, a operação permitiu recuperar materiais valiosos presentes na estrutura, especialmente o cobre utilizado em sua construção.

Vitoria Lopes Gomez

Vitoria Lopes Gomez

Vitoria Lopes Gomez é jornalista formada pela Universidade Estadual Paulista (UNESP) e redatora do Olhar Digital.

Olhar Digital

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