Uma pesquisa produziu o primeiro mapa global das redes subterrâneas de fungos conhecidas como micorrízicos arbusculares. Segundo os pesquisadores, se todos os filamentos desses organismos fossem colocados em linha reta, eles alcançariam cerca de 110 quatrilhões de quilômetros. Essa distância corresponde a aproximadamente 10% da largura da Via Láctea.
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Esses fungos vivem em uma espécie de “cooperação” com mais de 70% das plantas terrestres. Eles formam redes de filamentos chamadas hifas, responsáveis por transportar nutrientes e água para as raízes das plantas. Em troca, recebem carbono produzido durante a fotossíntese, segundo informações do The New York Times.

inteligência artificial-ChatGPT/Olhar Digital)
Para criar o mapa, os cientistas reuniram informações de 16.669 amostras de solo coletadas em 322 estudos realizados em diferentes continentes e biomas. Em seguida, utilizaram inteligência artificial para estimar a distribuição dessas redes em áreas de até um quilômetro quadrado, considerando fatores como clima, vegetação e características químicas do solo.
Para quem tem pressa:
- Primeiro mapa global das redes de fungos micorrízicos estima extensão total de 110 quatrilhões de km de hifas;
- Estrutura subterrânea, se linearizada, alcançaria cerca de 10% da largura da Via Láctea;
- Fungos vivem em simbiose com mais de 70% das plantas, trocando nutrientes por carbono;
- Maior densidade ocorre em ecossistemas naturais; áreas agrícolas têm até 50% menos redes;
- Rede fúngica é crucial para armazenamento de carbono, saúde do solo e equilíbrio climático.
Campos naturais concentram a maior densidade de fungos
Os pesquisadores identificaram que as maiores concentrações dessas redes subterrâneas estão em ecossistemas de gramíneas preservadas. Ambientes como áreas inundadas e campos de altitude apresentaram densidades muito superiores às observadas em regiões utilizadas para agricultura. Em média, os campos naturais registraram 6,6 metros de hifas por centímetro cúbico de solo.

A descoberta reforça a importância desses ambientes para o armazenamento de carbono. Segundo os autores, as redes fúngicas absorvem enormes quantidades de carbono e ajudam a manter o equilíbrio climático. A pesquisa destaca ainda que campos naturais sofrem degradação acelerada em várias partes do mundo, principalmente devido à conversão para atividades agrícolas.
Agricultura pode reduzir a densidade das redes subterrâneas
O levantamento também mostrou diferenças significativas entre áreas preservadas e solos destinados à produção agrícola. Em terras cultivadas, a densidade média das redes de fungos foi cerca de 47% a 50% menor que em ecossistemas naturais. Os pesquisadores apontam que práticas agrícolas podem estar associadas a essa redução, embora o estudo não tenha identificado quais fatores exercem maior influência.
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Os autores afirmam que ainda existem regiões pouco amostradas, especialmente desertos e florestas tropicais. Novas coletas deverão reduzir as incertezas do mapa nos próximos anos. Além de revelar a escala dessa rede subterrânea, o trabalho fornece uma base para futuras pesquisas sobre resistência à seca, armazenamento de carbono e funcionamento dos ecossistemas terrestres.









