A Tesla acabou de registrar um dos melhores trimestres de sua história, entregando cerca de 480 mil veículos elétricos. Mesmo assim, a chinesa BYD conseguiu superá-la e retomar o posto de maior vendedora de carros elétricos do mundo.
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Ainda são passos iniciais na busca da BYD pela dominância global. As vendas da Tesla se recuperaram fortemente neste trimestre, marcando não apenas um dos melhores períodos dos últimos meses, mas também um dos melhores da história da empresa. Apesar do sucesso, ainda não foi páreo para a gigante automotiva chinesa.
A Tesla entregou mais de 480 mil carros entre abril e junho, consolidando o segundo trimestre de 2026 como o quarto melhor de sua história. Já a BYD entregou 557.090 carros totalmente elétricos no mesmo período de três meses, o que a ajudou a recuperar o título de maior fabricante de elétricos do mundo por uma margem de quase 77 mil veículos.
Uma disputa de gigantes
- A Tesla dominou o mundo dos elétricos por anos, mas ela e a BYD vêm “trocando golpes” pela coroa nos últimos anos;
- A BYD superou a montadora de Elon Musk pela primeira vez em vendas anuais em 2025;
- Em seguida, teve um começo lento em 2026, movimentando cerca de 310 mil elétricos nos primeiros três meses do ano, contra 358 mil da Tesla;
- O cenário pode mudar dependendo do trimestre ou ano observado. No entanto, o sucesso recente da BYD demonstra o quão gigantesca a empresa se tornou em escala cada vez mais global.
O InsideEVs pontua que faz sentido que a BYD venda mais carros que a Tesla. Ela tem uma linha completa e várias marcas em diferentes faixas de preço, enquanto a Tesla depende fortemente de apenas dois veículos: o Model Y e o Model 3.
E vale lembrar que o tema aqui são os veículos totalmente elétricos. Quando se consideram as vendas de híbridos plug-in da BYD, ela supera a líder estadunidense de elétricos por uma margem ainda maior. A BYD já vendeu cerca de 1,8 milhão de veículos de todos os tipos neste ano.
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Foco na expansão internacional
As vendas da BYD na China caíram este ano, após o país acabar com seu próprio esquema de incentivos fiscais para elétricos e em meio à intensa concorrência doméstica. Sua liderança tem focado intensamente no crescimento da presença da montadora no exterior.
De fato, a BYD conseguiu vender impressionantes 403.472 unidades (de todos os tipos de motorização) apenas em junho, sendo que 43% dessas vendas ocorreram fora do mercado chinês. A marca agora mira ambiciosas 1,5 milhão de vendas fora da China até o fim do ano.
Agora a montadora está direcionando seus ganhos para uma pesquisa e desenvolvimento mais robustos: novas tecnologias de bateria que resultam em tempos de recarga surpreendentemente rápidos, sistemas avançados de assistência ao motorista que rivalizam com o Full Self-Driving (FSD) da Tesla e, até mesmo, seus próprios chips desenvolvidos internamente.
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Portanto, enquanto a feroz guerra de preços dos elétricos na China continua a apertar as margens, a BYD parece determinada a competir não apenas vendendo mais carros, mas oferecendo tecnologia mais inteligente e verticalmente integrada para levar vantagem sobre a concorrência.
Nova posição da Tesla
A Tesla agora se encontra em uma posição um tanto peculiar. Sempre foi a montadora que as outras empresas perseguiam — a tecnologia, a competência, a ação que parecia ter crescimento ilimitado. Agora enfrenta mais concorrência global do que nunca e uma linha de produtos que não avançou muito nos últimos anos.
Mas, com 480 mil entregas neste último trimestre, a empresa está navegando por um mundo dos elétricos em transformação melhor do que muitos esperavam.
Rodrigo Mozelli
Rodrigo Mozelli é jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) e, atualmente, é redator do Olhar Digital.









