Robôs humanoides estão entrando em fábricas e armazéns ao redor do mundo. Mas, à medida que ficam maiores e mais pesados – chegando a 90 kg em alguns modelos –, cresce também a preocupação com o que acontece quando um deles cai ou perde o controle perto de uma pessoa.
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“Se você fizer isso com um humanoide, ele pode cair e te esmagar”, disse Michele Silva, da empresa de engenharia de segurança funcional Reynolds & Moore, ao Wall Street Journal.
Dançando fora de controle
Dois incidentes recentes ilustram o problema. Um robô humanoide começou a dançar descontroladamente num restaurante na Califórnia, nos Estados Unidos. Outro chutou uma criança durante uma apresentação na China. Ninguém foi gravemente ferido – mas os fabricantes reconhecem que isso pode mudar conforme os robôs ficam maiores e mais presentes.
A conferência Automate, realizada em Chicago na semana passada, reuniu empresas do setor para discutir exatamente esse desafio.
Robôs industriais tradicionais (soldadores, empilhadeiras e carregadores) são “determinísticos”: seguem regras fixas e produzem resultados previsíveis. Humanoides que realizam múltiplas tarefas usam inteligência artificial e são “probabilísticos”: operam por probabilidades estatísticas, não por certeza.
Isso exige camadas de proteção antes que possam trabalhar lado a lado com humanos.
As soluções em desenvolvimento
A Nvidia anunciou um novo sistema de segurança para humanoides baseado em seus chips Blackwell. Segundo Amit Goel, diretor sênior de robótica da empresa, o sistema interpreta dados de sensores sobre possíveis riscos, parando o robô quando as condições não são seguras.
“O cérebro de segurança e o cérebro funcional precisam se comunicar com frequência e com muito mais contexto”, disse ao WSJ.
A Fort Robotics, da Filadélfia, desenvolve controladores que processam informações de múltiplas fontes – incluindo reconhecimento de pessoas e suas posições – para que o robô tome decisões de segurança mais precisas.
A alemã Neura Robotics criou um modelo de 80 kg que, ao detectar uma falha – como um joelho que para de responder –, tenta recuperar o equilíbrio. Se não conseguir, colapsa sobre si mesmo, como um prédio implodindo, segundo o fundador David Reger.
Algumas empresas eliminaram o problema de outra forma: a Dexmate, do Vale do Silício, desenvolveu robôs sobre bases com rodas em vez de pernas, com bateria e eletrônica no compartimento inferior – o que garante um centro de massa baixo e elimina o risco de queda.
Ainda sem padrão global
Um painel de especialistas da Organização Internacional de Normalização (ISO) analisa o tema e deve publicar um padrão de segurança para humanoides até meados de 2028. Até lá, cada fabricante adota suas próprias soluções.
Apesar dos desafios, o setor avança rapidamente. A Agility, que já opera robôs em uma fábrica de autopeças no Oregon, anunciou planos de abrir capital com avaliação de US$ 2,5 bilhões.
Pesquisadores do Morgan Stanley projetam 1 bilhão de humanoides em operação no mundo até 2050, com mercado total de US$ 7,5 trilhões. Algumas empresas já planejam levar os robôs para residências.
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Brad Porter, CEO da Cobot, pediu perspectiva sobre os riscos. Seus robôs sobre rodas se movem na velocidade de uma pessoa caminhando e não têm força de preensão suficiente para causar danos sérios.
“Não precisamos imprimir muita energia nesse espaço”, disse ao WSJ. “Não estamos tentando esmagar melancias.”











