A Tesla anunciou um novo programa voltado a startups para acelerar o desenvolvimento de tecnologias destinadas à fabricação de células de bateria. Batizada de Cell Giga Challenge, a iniciativa permitirá que empresas testem suas soluções diretamente na linha de produção de baterias da Gigafactory Berlim-Brandenburg, na Alemanha.
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O programa é lançado em um momento em que a montadora amplia a produção de suas células 4680 na fábrica de Grünheide (Alemanha), com a meta de atingir uma capacidade anual de 18 GWh, tornando a unidade uma das maiores operações de fabricação de células de bateria da Europa.
Programa busca tecnologias para tornar produção mais eficiente
O Cell Giga Challenge é realizado em parceria com a JUNI, plataforma de apoio a startups da região de Berlim-Brandenburgo, administrada pela UNITE gGmbH e financiada pelo Ministério Federal da Economia da Alemanha e pelo programa EXIST.
Segundo a JUNI, a iniciativa é destinada a startups “que tornem a fabricação de células de bateria mais rápida, melhor e mais escalável”. A Tesla procura soluções em cinco áreas principais:
- Materiais;
- Equipamentos;
- Operações;
- Automação;
- Inteligência artificial (IA).
As inscrições já estão abertas por meio da plataforma Submittable e podem ser realizadas até 24 de julho de 2026. O início oficial do programa está previsto para agosto de 2026.
Seleção terá cinco etapas
O processo de seleção será dividido em cinco fases:
- Inscrição online;
- Avaliação da tecnologia com base em requisitos reais de fabricação;
- Primeira entrevista técnica;
- Apresentação (pitch) para representantes da Tesla;
- Discussões sobre projetos-piloto.
As equipes com melhor desempenho poderão avançar para um projeto-piloto remunerado junto à equipe de células da Tesla em Grünheide.
A empresa afirma que os candidatos devem demonstrar que suas tecnologias “melhoram de forma mensurável a qualidade, a velocidade, o custo, a segurança ou a escalabilidade” da produção, além de enxergar a Tesla “como cliente e parceira de cooperação”.

Expansão da produção de células da Tesla
A iniciativa está diretamente ligada ao plano de expansão da produção de baterias da Gigafactory Berlim.
Em maio, a Tesla anunciou um investimento adicional de US$ 250 milhões (R$ 1,3 bilhão) para mais do que dobrar a capacidade planejada da unidade, passando de 8 GWh para 18 GWh por ano. Com isso, o investimento acumulado na divisão de células da fábrica deve se aproximar de 1 bilhão de euros (R$ 5,9 bilhões).
A empresa estima que precisará de mais de 1,5 mil funcionários dedicados exclusivamente à produção de células, com o aumento gradual da capacidade previsto para ocorrer ao longo do primeiro semestre de 2027.
Quando atingir a meta de 18 GWh anuais, a fábrica de Grünheide deverá produzir células suficientes para abastecer aproximadamente 250 mil a 350 mil veículos por ano. A estratégia da Tesla é fabricar tanto as células quanto os veículos completos no mesmo complexo industrial.
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Diferença nos números de investimento
A JUNI apresenta a iniciativa como parte de um conjunto de US$ 350 milhões (R$ 1,8 bilhão) em investimentos anunciados nos últimos seis meses.
Esse valor, porém, é superior aos US$ 250 milhões confirmados pela própria Tesla em maio. De acordo com as informações divulgadas, o montante citado pela plataforma provavelmente inclui investimentos anteriormente anunciados para a fábrica, já que a montadora não divulgou um único anúncio de US$ 350 milhões (R$ 1,8 bilhão).
Produção das células 4680 enfrenta desafios
O programa das células 4680 tem sido um dos maiores desafios de fabricação da Tesla.
A empresa enfrentou dificuldades recorrentes para atingir metas de custo e rendimento na produção e continuou dependendo de fornecedores, como LG Energy Solution e Panasonic, mesmo enquanto desenvolve suas próprias células internamente.
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Segundo as informações divulgadas, ao abrir sua linha de produção para startups externas, a Tesla reconhece, de forma implícita, a necessidade de encontrar novas soluções para resolver problemas complexos de fabricação em larga escala.
Rodrigo Mozelli
Rodrigo Mozelli é jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) e, atualmente, é redator do Olhar Digital.











