China ganha força nos chips e já dita preços para gigantes

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Até pouco tempo, as fabricantes chinesas de chips de memória eram vistas como coadjuvantes diante das líderes globais. Esse cenário mudou. Segundo a Reuters, CXMT e YMTC passaram a influenciar preços, fechar contratos bilionários e ganhar espaço em um dos segmentos mais disputados da indústria de semicondutores.

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O avanço também aumenta a pressão sobre concorrentes tradicionais e reforça a disputa tecnológica entre China e Estados Unidos.

chips de memória
A demanda por inteligência artificial transformou chips de memória em um dos produtos mais disputados do mundo. – Imagem: Kinek00 / Shutterstock.com

Da dependência estatal ao protagonismo

Durante anos, produzir chips de memória significou operar com margens reduzidas. A ChangXin Memory Technologies (CXMT) e a Yangtze Memory Technologies Corp (YMTC) dependeram de recursos públicos e acumularam prejuízos enquanto buscavam competir com fabricantes estrangeiras.

A expansão dos data centers voltados à inteligência artificial mudou esse quadro. A procura por memórias usadas em servidores, smartphones e computadores disparou, transformando esses componentes em produtos estratégicos.

Foi nesse contexto que a CXMT demonstrou sua nova posição no mercado. De acordo com a Reuters, a empresa recusou pedidos da Huawei para reduzir os preços e impediu o retorno de engenheiros ligados à fornecedora SiCarrier à área de pesquisa e desenvolvimento da fábrica após um desentendimento.

Hoje, além de selecionar clientes, as fabricantes chinesas conseguem cobrar, em alguns casos, mais do que a Samsung e a SK Hynix.

  • Contrato de cinco anos da CXMT com a ByteDance superior a US$ 7 bilhões (cerca de R$ 35,6 bilhões);
  • Acordo anterior com a Tencent acima de US$ 3 bilhões (aproximadamente R$ 15,2 bilhões);
  • Construção de novas fábricas na China;
  • Expansão da capacidade para atender ao mercado interno e clientes internacionais a partir de 2027.

Planos bilionários

Os resultados financeiros mostram o tamanho dessa transformação. A empresa estreou na Bolsa de Xangai após um IPO de US$ 8,6 bilhões (cerca de R$ 43,7 bilhões). No primeiro trimestre, a empresa registrou receita de US$ 7,5 bilhões (aproximadamente R$ 38,1 bilhões), alta de 719% na comparação anual.

A YMTC segue o mesmo caminho. Segundo pessoas ouvidas pela Reuters, executivos defendem uma avaliação de 1 trilhão de yuans, equivalente a US$ 148 bilhões (cerca de R$ 751,8 bilhões). As duas empresas contam com apoio do fundo estatal Big Fund e são consideradas estratégicas para os planos chineses de autonomia tecnológica.

Data center com chip grande de inteligência artificial (IA) na parede, no final de um corredor
O crescimento das duas fabricantes chinesas ganhou força com a expansão dos data centers de inteligência artificial. – Imagem: Junayed graphics/Shutterstock

Pressão internacional continua

Nem tudo, porém, mudou. CXMT e YMTC ainda dependem das máquinas de litografia da ASML e seguem sem acesso aos equipamentos mais avançados da fabricante holandesa, bloqueados para a China desde 2019.

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Ray Wang, analista da SemiAnalysis especializado em cadeias de suprimentos de memória e inteligência artificial, resume o principal desafio: “Se mais restrições forem impostas aos equipamentos de litografia, esse será o maior desafio para os fabricantes chineses de memória.”

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Mesmo diante dessas limitações, o otimismo permanece. Em 2024, o presidente da YMTC, Chen Nanxiang, afirmou que “embora a indústria ainda não tivesse alcançado um crescimento explosivo, esse dia chegaria em três a cinco anos”. A sequência de contratos, investimentos e expansão da produção indica que essa expectativa começa a ganhar forma.

Valdir Antonelli

Valdir Antonelli

Valdir Antonelli é jornalista com especialização em marketing digital e consumo.

Olhar Digital

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