A Rússia formalizou acusações contra Pavel Durov, fundador do Telegram, e emitiu um mandado internacional de prisão. Segundo o FSB, o aplicativo deixou de remover conteúdos que, na avaliação do órgão, eram usados por serviços especiais ucranianos e por organizações classificadas pelo governo russo como terroristas e extremistas.
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A medida abre mais um capítulo da pressão exercida por Moscou sobre a plataforma, que continua popular no país apesar das tentativas de restringir seu uso.

FSB detalha as acusações
Segundo o Serviço Federal de Segurança da Rússia (FSB), os conteúdos citados na investigação teriam sido usados para organizar atos de sabotagem, terrorismo, massacres e operações de fraude cibernética dentro da Federação Russa. Foi com base nessa acusação que o órgão pediu a prisão internacional do empresário.
A resposta do Telegram veio logo depois, mas sem comunicado oficial. A conta da empresa na rede X publicou uma imagem de Durov fazendo um gesto obsceno com o dedo médio.
Investigações acompanham o empresário
Não é a primeira vez que Pavel Durov enfrenta problemas com autoridades. Em agosto de 2024, ele foi preso na França e liberado poucos dias depois.
As autoridades francesas também investigam se o Telegram combateu de forma adequada atividades criminosas e se cooperou suficientemente com pedidos das forças de segurança. Durov nega qualquer irregularidade.
Nos últimos meses, outros episódios chamaram atenção:
- Em fevereiro, um jornal estatal russo informou que ele era investigado em um caso relacionado ao terrorismo.
- Em abril, Durov afirmou que uma intimação foi entregue a um apartamento onde morou na Rússia.
- Na ocasião, ele escreveu: “Eles devem estar suspeitando que eu defendo os artigos 29 e 23 da Constituição russa — que garantem a liberdade de expressão e o direito à correspondência privada. Orgulhoso de ser culpado!”

Telegram segue forte mesmo sob pressão
Criado em 2013, o Telegram afirma reunir mais de 1 bilhão de usuários e continua sendo usado por ambos os lados da guerra entre Rússia e Ucrânia.
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Embora incentive o uso do aplicativo estatal Max, o governo russo mantém órgãos como o Kremlin e o Ministério da Defesa ativos na plataforma. Durov, que nasceu na Rússia e hoje possui passaportes dos Emirados Árabes Unidos e da França, fundou anteriormente a rede social VKontakte, considerada o equivalente russo do Facebook.
Em uma publicação de 16 de maio, o empresário indicou que estava em Dubai. Já em 23 de julho, escreveu que estava “muito impressionado com a Geórgia” e que esperava “voltar muito em breve”.
Valdir Antonelli
Valdir Antonelli é jornalista com especialização em marketing digital e consumo.












