Escudo térmico da Starship pode impedir voos rápidos

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O escudo térmico da Starship, foguete desenvolvido pela SpaceX, pode representar um dos maiores obstáculos para o plano de Elon Musk de criar um veículo totalmente reutilizável e capaz de voar repetidamente em curtos intervalos.

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A avaliação é de três ex-pesquisadores da NASA, que afirmam que os danos observados no sistema de proteção térmica durante o mais recente teste indicam que a tecnologia atual ainda está longe de atender esse objetivo.

As preocupações surgiram após a 13ª missão de teste da Starship, realizada em 24 de julho. Imagens em alta definição registradas depois que a nave pousou no Oceano Índico mostraram rachaduras e danos significativos nas placas do escudo térmico enquanto o veículo flutuava na água.

Segundo os especialistas, embora o sistema tenha impedido que a nave se desintegrasse durante a reentrada na atmosfera, os danos observados sugerem que o projeto atual é inadequado para permitir uma reutilização rápida.

Sistema protege a nave durante a reentrada

  • As placas fazem parte do sistema de proteção térmica (TPS, na sigla em inglês), responsável por proteger a Starship do plasma extremamente quente gerado durante a reentrada na atmosfera terrestre;
  • A tecnologia é considerada essencial para os planos de Elon Musk de reduzir drasticamente os custos das viagens espaciais e viabilizar missões frequentes à Lua e a Marte;
  • A Starship também desempenha papel central no programa Artemis, da NASA, que pretende utilizá-la para levar astronautas à superfície lunar;
  • Apesar do sucesso da última missão — a nave pousou intacta no oceano, diferentemente de testes anteriores que terminaram em explosões —, os especialistas afirmam que o estado das placas térmicas levanta dúvidas sobre a viabilidade da reutilização rápida.

“O sistema atual não é bom o suficiente”

Charles Miller, ex-conselheiro sênior da NASA e consultor de políticas espaciais, afirma à Bloomberg que o atual sistema de proteção térmica representa um beco sem saída para os objetivos da SpaceX. “O sistema atual de proteção térmica não é bom o suficiente e é um beco sem saída”, disse Miller. “Você pode até conseguir reutilização total, mas ela não será rápida.”

Miller elaborou a análise em conjunto com Daniel Rasky, ex-pesquisador da NASA especializado em materiais para escudos térmicos, e Charles Camarda, ex-astronauta da agência espacial.

Musk admite que escudo térmico ainda é desafio

Após o teste, Elon Musk afirmou, em publicação no X, que a SpaceX enviaria uma embarcação para recuperar a Starship no Oceano Índico. Segundo ele, o veículo poderá fornecer informações importantes sobre o desempenho do escudo térmico durante a missão.

A SpaceX desenvolve a Starship para ser o primeiro foguete totalmente reutilizável do mundo. O projeto prevê que tanto a nave quanto o propulsor Super Heavy retornem após cada lançamento e possam voltar a voar poucas horas depois.

No entanto, o próprio Musk já reconheceu que o escudo térmico continua sendo um dos maiores desafios técnicos do programa. “Para alcançar a reutilização total da nave, ainda há muito trabalho a ser feito no escudo térmico”, afirmou durante participação no podcast All-In, em setembro do ano passado.

A SpaceX não comentou as críticas dos especialistas.

Prédio da SpaceX com logotipo na frente
SpaceX não comentou as críticas dos ex-pesquisadores da NASA – Imagem: Walter Cicchetti/iStock

Tecnologia lembra a do ônibus espacial

Segundo Miller, Rasky e Camarda, as placas utilizadas pela Starship parecem ser semelhantes às empregadas no antigo ônibus espacial da NASA.

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Embora a SpaceX não tenha divulgado detalhes sobre sua composição, Rasky acredita que elas sejam feitas de um material cerâmico que representa uma evolução daquele utilizado nos ônibus espaciais.

Na época, essas placas frequentemente precisavam ser substituídas ou restauradas após cada voo. Para os especialistas, um processo de inspeção e reparo semelhante seria incompatível com a meta da SpaceX de realizar lançamentos em alta frequência.

“Provavelmente será necessário um volume considerável de inspeções, reparos e substituições”, afirmou Rasky, que também ajudou a desenvolver o material do escudo térmico da cápsula Dragon, usada pela SpaceX para transportar astronautas até a Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês).

“Eles podem conseguir fazer isso em questão de dias ou semanas, mas não será como uma aeronave, que você traz de volta, limpa, reabastece e coloca para voar novamente.”

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Na avaliação de Miller, o problema não deve impedir que a SpaceX utilize a Starship para lançar futuras versões dos satélites Starlink em um ritmo mais lento.

Por outro lado, os especialistas afirmam que os planos da empresa de lançar até um milhão de satélites voltados para data centers de inteligência artificial (IA) podem ser prejudicados caso a reutilização rápida não se concretize.

Eles também avaliam que a limitação poderá aumentar os custos ou atrasar as missões que levarão astronautas à Lua dentro do programa Artemis da NASA.

Enquanto isso, empresas, como a startup aeroespacial Stoke Space, trabalham no desenvolvimento de novas tecnologias de escudo térmico capazes de exigir pouca manutenção entre uma missão e outra.

Os três especialistas defendem ainda que a NASA volte a investir no desenvolvimento de sistemas de proteção térmica de nova geração. A agência espacial também não respondeu sobre o tema.

Rodrigo Mozelli

Rodrigo Mozelli

Rodrigo Mozelli é jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) e, atualmente, é redator do Olhar Digital.

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