Quem convive com animais provavelmente já mudou a própria voz ao falar com um cachorro ou gato. O tom fica mais agudo, a fala ganha um ritmo mais cantado e as palavras parecem mais carinhosas.
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Esse comportamento é semelhante à forma como adultos conversam com bebês e não acontece por acaso. Pesquisas mostram que esse tipo de fala ajuda a chamar a atenção e transmite uma sensação de segurança e proximidade.
Quando conversamos com bebês ou animais, naturalmente usamos uma voz mais expressiva. A mudança funciona como uma forma de chamar a atenção e demonstrar que estamos interagindo. No caso dos bebês, esse comportamento também ajuda no desenvolvimento da linguagem, já que os adultos costumam destacar determinados sons para facilitar sua compreensão, segundo informações do portal Phys.org.
Com os animais, porém, o objetivo é diferente. A chamada fala direcionada a pets está principalmente relacionada à conexão e ao vínculo. O tom mais agudo e animado transmite afeto, atenção e segurança, mesmo que o animal não compreenda as palavras da mesma maneira que uma criança.
Para quem tem pressa:
- A fala direcionada a pets costuma ter tom mais agudo e melodioso.
- O comportamento ajuda a chamar a atenção dos animais.
- Bebês recebem uma fala mais articulada para facilitar o aprendizado.
- Cães e cavalos demonstram respostas positivas a esse tipo de comunicação.
- A fala com pets está principalmente ligada à conexão e ao vínculo.
Pets respondem à voz carinhosa?
Pesquisas indicam que os animais não apenas percebem essa mudança, como podem responder positivamente a ela. Um estudo de 2017 mostrou que filhotes preferiam gravações de pessoas falando como se estivessem conversando com animais. Eles se aproximavam mais rapidamente e mantinham a atenção por mais tempo. Cães adultos também demonstraram essa preferência, embora de forma menos intensa.

Esse efeito não aparece apenas entre cães. Um estudo de 2021 mostrou que cavalos prestavam mais atenção aos seus condutores quando recebiam uma fala calorosa e apresentavam melhor desempenho ao seguir gestos humanos para encontrar alimentos escondidos. A mudança no tom, portanto, pode contribuir para uma comunicação mais eficiente entre pessoas e animais.
Bebês recebem uma versão diferente
Apesar das semelhanças, falar com um pet não é exatamente igual a falar com um bebê. Quando conversam com crianças, os adultos costumam exagerar a pronúncia das vogais, uma técnica conhecida como hiperarticulação. Essa estratégia facilita a distinção entre os sons da fala e está associada ao desenvolvimento de um vocabulário maior.

Pesquisadores observaram que cães e gatos recebem o tom elevado e a entonação emocional, mas quase não recebem esse mesmo nível de articulação. Papagaios, por outro lado, recebem uma fala um pouco mais clara, possivelmente porque conseguem imitar sons humanos. Assim, cães recebem principalmente afeto, papagaios recebem um pouco de estímulo à comunicação e bebês recebem também uma forma de aprendizado.
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Um levantamento de 2026 mostrou ainda que mais de três quartos dos donos de animais lembravam de veterinários falando com seus pets de maneira amigável durante uma consulta recente. A maioria avaliou positivamente o comportamento, associando esse tom à demonstração de cuidado com o animal. Falar com um cachorro como se ele fosse o melhor do mundo, portanto, pode ser uma maneira natural de reforçar atenção, afeto e vínculo.
Rodrigo Mozelli
Rodrigo Mozelli é jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) e, atualmente, é redator do Olhar Digital.
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