Para auxiliar os produtores rurais de Mato Grosso no
planejamento da próxima safra, a Associação dos Produtores de Soja e Milho de
Mato Grosso (Aprosoja MT) convidou o meteorologista brasileiro Luiz Carlos
Molion para participar do podcast Apro360. Durante a entrevista, o especialista
analisou as atuais projeções climáticas e explicou os cuidados que devem ser
considerados diante das previsões relacionadas à possibilidade de ocorrência de
um “Super El Niño”.
A conversa foi conduzida pela jornalista da Aprosoja MT,
Raiane Florentino, e pelo vice-presidente Sul da entidade e coordenador da
Comissão de Defesa Agrícola, Fernando Ferri. Entre os principais pontos
abordados esteve a necessidade de diferenciar projeções baseadas em modelos
climáticos de um padrão climático já confirmado.
Para Molion, a divulgação de previsões sobre a possibilidade
de formação de um El Niño tem provocado preocupação entre os produtores,
principalmente pela grande circulação de informações nas redes sociais e na
imprensa. Segundo ele, o aquecimento das águas do oceano, por si só, não é
suficiente para determinar alterações significativas no regime de chuvas.
“Realmente está causando um verdadeiro alarme em cima disso,
pois as informações são mais facilitadas pelas redes sociais e pela mídia.
Então essa previsão que foi feita de probabilidade de El Nino e águas quentes,
que não necessariamente ajudam a produzir as chuvas. As informações que estamos
vendo são representadas por um modelo de previsão e não necessariamente por um
padrão climático”, disse.
O meteorologista explicou que a temperatura do oceano
precisa interagir com a atmosfera para que possa provocar alterações no
comportamento das chuvas. Dessa forma, a simples identificação de águas mais
quentes no Pacífico não significa, necessariamente, que haverá uma mudança
significativa no regime climático de Mato Grosso.
“Água quente do mar não muda a chuva a não ser que ela tenha
uma interação com a atmosfera. Nem sempre a circulação atmosférica vai permitir
que o vapor de água se transforme em chuva. Se a atmosfera não responder ao
oceano, não acontece nada”, salienta.
Para o especialista, é necessário aguardar a evolução das
condições atmosféricas nas próximas semanas e observar se haverá, de fato, um
acoplamento entre o oceano e a atmosfera. Segundo ele, mesmo que essa interação
ocorra, os efeitos não necessariamente serão intensos. O meteorologista avalia
que o período a partir de 20 de setembro, quando o Sol passa a atuar mais
diretamente sobre o Hemisfério Sul, será importante para uma análise mais
precisa das condições climáticas que poderão influenciar o início da estação
chuvosa.
“Não se pode afirmar nada hoje, pois é necessário aguardar
mais um mês para verificar se a atmosfera vai se acoplar ao oceano. Pode ser
que no próximo mês ela se acople mas, ainda é necessário aguardar, e se
acontecer, vai ser um impacto pequeno”, afirmou Molion.
Ao final do episódio, Luiz Carlos Molion repassou que não é
possível afirmar neste momento qual será o comportamento do El Niño e seus
possíveis impactos sobre Mato Grosso. Além disso, deixou uma orientação aos
produtores rurais de Mato Grosso.
“Não se desespere, pois não tem ninguém no mundo capaz de
responder sobre o El Niño. O produtor precisa se programar e observar as
condições climáticas sem alarmismo: se não houver resposta da atmosfera, nada
irá acontecer. Deve também se preocupar em armazenar água no solo e usar
técnicas de aprofundamento de sistema radicular”, repassou.
A participação de Molion no Apro360 integra as ações da
Aprosoja MT voltadas à disseminação de informações e estratégicas para auxiliar
o produtor rural na tomada de decisões. A entidade reforça que o acompanhamento
das condições climáticas, aliado ao planejamento e ao conhecimento técnico, é
fundamental para reduzir riscos e aumentar a segurança na condução da próxima
safra. O episódio completo está disponível nos canais oficiais da entidade.












