Com o fim do vazio sanitário, Aprosoja MT reforça os detalhes que definem a largada da safra

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Termina neste domingo (06.09) o
vazio sanitário da soja em Mato Grosso. Ao longo de noventa dias, a proibição
de manter plantas vivas de soja no campo cumpriu uma função técnica específica,
que é interromper o ciclo do fungo causador da ferrugem asiática. Nas fazendas,
o período foi usado para preparar o terreno da nova temporada. Correção de
solo, revisão de máquinas e armazenamento de sementes já estão resolvidos na
maior parte das propriedades, e a atenção agora se volta para as variáveis que
só o momento do plantio define.

Para a Associação dos Produtores de
Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT), é justamente neste período que a
produtividade começa a ser construída, no encaixe entre o que foi planejado e a
leitura de campo feita no dia da operação. O vice-presidente Oeste da Aprosoja
MT, Gilson Antunes de Melo, resume os dois pontos que concentram a maior parte
da atenção nesta virada de calendário.

“A principal coisa que temos
que analisar antes de iniciar um plantio é a umidade no solo. Primeiro, para
dessecar a área, se ela precisa ser dessecada, se não foi feito um manejo
pós-colheita, para começar com a lavoura no limpo. Então, tendo umidade boa no
solo, tendo a lavoura já dessecada ou limpa, eu acho que a semente é o
principal insumo do plantio. Tem que ter o maior cuidado com ela. Ela deve
estar bem tratada, bem armazenada, já para ir para a plantadeira, para
plantar”, afirma.
O dirigente reforça que a combinação
entre esses dois fatores tem efeito prolongado sobre a safra. “A umidade
no solo e a semente são as duas coisas que têm que ser observadas com muita
atenção pelo produtor, porque, se plantou no solo com pouca umidade, com
certeza vai ter problema de germinação. E lá na frente isso pode acarretar em
queda de produção”, explica.

A delegada coordenadora Taisa
Botton, do Núcleo de Lucas do Rio Verde, descreve a rotina. “O que a gente
não abre mão, o que sempre é posto à mesa, é justamente a gente fazer a
colheita e, na sequência, já fazer o manejo. O nosso manejo é relativamente
extenso, porque temos uma área um tanto quanto mais arenosa, então nós sempre
estamos mexendo, já vindo com pós-colheita do milho, ou uma grade, ou um
subsolador, dependendo do que a área pede, e na sequência calcário”,
relata.

Com as primeiras chuvas registradas,
a etapa seguinte já foi acionada. “Quando dão os primeiros pinguinhos de
chuva, como aconteceu no último final de semana para nós, já entramos com
pré-emergente, para quando efetivamente chover a gente estar com tudo
redondinho, a plantadeira revisada, a semente no barracão, o manejo do solo já
concluído. São pequenos elos que no final vão fazendo toda a diferença. Muitas
vezes a gente atrasa um pouquinho o manejo, e quando chega na hora do plantio
tem que atrasar um, dois dias, a gente perde a umidade do solo, não é algo
interessante. Então sempre a gente procura estar trabalhando com a maior
efetividade e celeridade possível dentro da fazenda”, completa.

Com o preparo concluído, restam os
pequenos ajustes na operação. “Os ajustes da plantadeira são a conferência
via sistema elétrico, hidráulico e a calibração do vácuo. Já a profundidade vai
muito do clima e é feita manualmente na hora do plantio, e a velocidade é
sempre a mesma”, detalha Taisa Botton.
A profundidade de semeadura depende
da leitura do dia. “Se você coloca uma semente muito rasa e dá uma chuva
muito forte, corre risco dessa semente ser levada embora. Se você faz uma
plantabilidade numa profundidade mais alta e posteriormente tem um período de
estiagem, pode haver algum problema”, observa.

O conjunto desses ajustes,
regulagem, profundidade e velocidade de operação, converge para um mesmo
objetivo, que é a emergência uniforme. Plantas que nascem no mesmo intervalo
competem menos entre si, respondem de forma homogênea às aplicações e chegam à
colheita com maturação alinhada, o que reduz perdas e facilita o manejo ao
longo de todo o ciclo.

Ao lado do associado em todas as
etapas do plantio, a Aprosoja MT mantém o programa Semente Forte disponível
desde 19 de agosto e durante toda a janela de semeadura, com coleta de amostras
por amostrador oficial e análise laboratorial de germinação, vigor e sanidade.
O resultado permite ajustar a densidade de semeadura ao desempenho real do lote
e dá respaldo ao produtor caso o material não atenda ao padrão contratado.

Previsão do tempo – Mesmo com
o preparo concluído, o clima mantém a atenção alta. “Eu acho que essa
safra está uma incógnita. Quando você fala em El Niño, todo mundo fica com o pé
atrás com relação a chuvas”, pondera Gilson. O impasse está na decisão de
quando entrar. “Se plantar cedo e lá na frente der um veranico, isso pode
atrapalhar ou pode até comprometer a produtividade. É uma safra de muita
atenção, eu diria, de muito cuidado, de muito zelo, mais do que os outros
anos”, acrescenta.

No campo, a expectativa é positiva,
mas calibrada. “Logicamente que a gente fica com uma expectativa alta.
Afinal, um produtor que produz apenas soja e milho, considerando a soja, você
está falando de praticamente dois terços do seu faturamento”, avalia
Taisa.
“A gente tem uma boa
perspectiva, mas sempre com o pé no chão. Sabendo que é um ano delicado, pode
sim acontecer replantio, pode sim acontecer quebra de safra, e para isso a
gente precisa estar ajustado tanto no operacional como também na nossa gestão
com relação ao fluxo de caixa”, conclui.

Aprosoja MT

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