América Clima e Mercado identifica redução no potencial produtivo das lavouras na Dakota do Sul

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O América Clima e Mercado 2026, da Associação dos Produtores
de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT), avançou pela Dakota do Sul, nos
Estados Unidos, e identificou redução no potencial produtivo das lavouras de
soja e milho em relação à safra anterior. Durante o percurso entre a região de
Nebraska e Chamberlain, no centro-sul do estado, a equipe avaliou diferentes
áreas e conversou com produtores sobre as condições climáticas e as
perspectivas para a colheita.
 

Participam do trajeto o presidente da Aprosoja MT, Lucas
Costa Beber, o produtor rural do núcleo de Canarana, Lino Costa e o delegado
coordenador do núcleo de Itanhangá, Ivam Franceschet.
 

Segundo Lino Costa, as avaliações realizadas ao longo do
trajeto indicaram grande diferença entre as áreas, com potenciais produtivos de
soja estimados entre 48 e 55 sacas por hectare em alguns pontos. Uma das
lavouras observadas em Chamberlain, favorecida pelo regime de chuvas,
apresentou desempenho superior ao encontrado nas demais áreas visitadas.
 

“Estamos aqui em uma lavoura que nós vimos o melhor
potencial produtivo até agora aqui na Dakota do Sul. De longe, um dos melhores
potenciais produtivos. Esse lugar deve ter sido mais privilegiado com chuva”,
relatou o produtor.
 

Apesar do destaque pontual, a avaliação geral é de que
grande parte das lavouras apresenta potencial inferior. De acordo com a equipe,
muitas áreas de soja visitadas devem ficar abaixo de 50 sacas por hectare,
enquanto o milho também apresenta potencial produtivo inferior ao observado em
outras regiões norte-americanas.
 

Antes de chegar à Dakota do Sul, a equipe também observou os
efeitos de um evento climático severo na região norte de Nebraska. Produtores
consultados durante o trajeto relataram que um vendaval atingiu áreas de milho
e provocou tombamento das plantas.
 

“Nós conversamos com dois produtores e eles relataram que,
em uma faixa de aproximadamente 38 mil a 45 mil hectares, houve perda estimada
de 50% na produtividade de milho. Isso ocorreu em uma região onde as lavouras
estavam boas e bem conduzidas, mas o vendaval ocasionou essas perdas”, relata o
presidente da Aprosoja MT.
 

Apesar dos danos observados na cultura, os produtores
relataram que as lavouras de soja conseguiram se recuperar e, até o momento da
avaliação, não havia expectativa de perdas significativas na colheita.
 

Outra diferença percebida pela equipe foi o contraste entre
as áreas agrícolas do norte de Nebraska e as da Dakota do Sul. Enquanto a
região de Nebraska visitada apresenta forte presença de áreas irrigadas e
lavouras com maior potencial produtivo, na Dakota do Sul o padrão observado foi
de plantas de menor porte.
 

“Nos impressiona essa lavoura pelo perfilhamento de plantas,
estão bem robustas e produtivas. Porém, as lavouras de soja que vimos são de
produtividade baixa, a maioria abaixo de 50 sacas por hectares e o milho
dificilmente chega às 100 sacas por hectare nessa região que percorremos”,
afirma Lucas Costa Beber.
 

A percepção observada em campo acompanha uma estimativa de
redução da produtividade no estado. Conforme os números apresentados durante a
missão, a produtividade da soja, que teria alcançado 52,7 sacas por hectare no
ano anterior, está estimada em aproximadamente 46 sacas por hectare nesta
safra. No milho, a projeção apresentada é de 158 sacas por hectare, contra
178,9 sacas registradas anteriormente.
 

“Segundo o USDA, a estimativa de produtividade desse ano
apresenta uma redução em torno de 12% a 13% tanto para a soja quanto para o
milho. A Dakota do Sul é um estado significativo na produção norte-americana,
ficando em oitavo lugar no ranking de produção de soja e quinto lugar na
produção de milho”, relata Ivam Franceschet.
 
De acordo com a avaliação apresentada durante a missão, a
chuva registrada na região neste ano foi igual ou inferior à do ano passado. O
impacto é especialmente relevante neste momento do ciclo, quando parte das
lavouras se aproxima da colheita e outras ainda estão na fase final de
enchimento de grãos.
 

Apesar da redução do potencial produtivo, a missão também
identificou um aspecto considerado positivo: a evolução genética das cultivares
utilizadas pelos produtores norte-americanos.
 

Lucas Costa Beber destacou que, embora algumas regiões
tenham enfrentado períodos de baixa pluviosidade, as plantas demonstram maior
capacidade de suportar condições adversas quando comparadas a anos anteriores.
 

“Se analisarmos o período de 2012 e 2014, houve secas muito
mais severas com danos maiores para as lavouras, mas com o avanço genético e o
melhoramento, as lavouras têm suportado mais as estiagens”, destacou Lucas.
 

Após a passagem pela Dakota do Sul, a equipe do América
Clima e Mercado segue para o norte do estado, avançando em direção a Fargo, na
Dakota do Norte. Na sequência, o roteiro passa pela divisa com Minnesota até
chegar a Iowa, importante polo da produção norte-americana de milho e soja.
 

A Aprosoja MT continua acompanhando as condições das
lavouras, o clima e o potencial produtivo da safra norte-americana, levando aos
produtores de Mato Grosso informações observadas diretamente no campo.

Aprosoja MT

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