Caso registrado em Luciara nesta quinta-feira reacende alerta sobre a violência contra mulheres no estado
O assassinato de uma mulher de 23 anos e de seu bebê de quatro meses, encontrados mortos nesta quinta-feira (17) em uma propriedade rural de Luciara, no nordeste de Mato Grosso, voltou a colocar em evidência a violência contra mulheres no estado.
O companheiro da vítima, de 29 anos, foi preso em flagrante e é apontado inicialmente como principal suspeito. A Polícia Civil investiga as circunstâncias das duas mortes e a possível motivação. A vítima não possuía medida protetiva, segundo informações divulgadas pelas autoridades.
O caso ocorreu em um cenário que já apresenta números preocupantes. Dados do Observatório Caliandra, do Ministério Público de Mato Grosso, apontavam 37 vítimas de feminicídio no estado até setembro de 2026, antes do registro da ocorrência de Luciara.
Rede de proteção reforça alerta
Após o crime em Luciara, o Gabinete de Enfrentamento à Violência contra a Mulher, do Governo de Mato Grosso, reforçou a importância de procurar ajuda diante dos primeiros sinais de violência.
Segundo o órgão, ameaças, perseguições, intimidação, controle excessivo, isolamento e comportamentos que provoquem medo ou insegurança também devem ser tratados como sinais de alerta. A orientação é que a vítima procure a rede de proteção antes que a situação evolua para agressões mais graves.
Entre janeiro e setembro deste ano, mais de 13,7 mil mulheres em Mato Grosso tiveram medidas protetivas concedidas pela Justiça, conforme dados da Polícia Civil citados pelo Gabinete da Mulher.
Março, junho e agosto tiveram mais registros
O levantamento do Observatório Caliandra mostra que a violência letal contra mulheres esteve distribuída ao longo de praticamente todo o ano.
Antes do caso de Luciara, setembro já contabilizava três feminicídios em Mato Grosso. Os registros ocorreram em Araguaiana, Feliz Natal e Aripuanã.
Os meses com maior número de casos foram março e junho, com sete mortes cada, enquanto maio e agosto registraram cinco casos cada, segundo os dados divulgados pelo observatório.
Brasil registrou queda no primeiro semestre
No cenário nacional, os dados mais recentes divulgados pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública mostram uma redução no número de vítimas de feminicídio nos primeiros sete meses de 2026.
Foram registradas 848 vítimas entre janeiro e julho, contra 876 no mesmo período de 2025, uma queda de 3,2%. O levantamento utiliza dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp).
A redução nacional, entretanto, não significa que o problema tenha sido superado. O próprio levantamento aponta comportamentos diferentes entre as regiões brasileiras, com o Centro-Oeste registrando aumento de 7,3% no período analisado.
Onde buscar ajuda
Em Mato Grosso, mulheres que estejam sofrendo violência ou estejam sob ameaça podem procurar delegacias da Polícia Civil, unidades especializadas de atendimento, Ministério Público, Defensoria Pública e Poder Judiciário.
Em situações de emergência, a orientação é acionar a Polícia Militar pelo 190. Também está disponível o Ligue 180, canal nacional de atendimento à mulher, que fornece orientações sobre direitos e serviços da rede de proteção.
O caso de Luciara continua sob investigação, e os exames periciais devem ajudar a esclarecer a dinâmica e as circunstâncias das mortes.












